Não se reduz a menos de doze levitas de pé na plataforma, e se acrescenta indefinidamente. O menor não entra ao pátio para o serviço, senão na hora em que os levitas estão de pé no canto. E não diziam com harpa e lira, senão com a boca, para dar tempero à melodia. Rabi Eliezer ben Yaakov diz: não sobem à contagem, e não ficam de pé na plataforma, mas ficavam de pé no chão, e suas cabeças ficavam entre as pernas dos levitas, e eram chamados os aflitos dos levitas.
— Esta última mishná do Perek Bet fecha o capítulo voltando ao tema do coro levítico. Assim como as harpas e trombetas da mishná anterior, também os levitas cantores na plataforma (duchan) têm apenas piso mínimo — doze —, sem teto: pode-se acrescentar quantos se queira. A segunda cláusula trata do filho menor de um levita: ele não pode entrar ao pátio do Templo para nenhum outro tipo de serviço, mas é admitido especificamente durante o canto, para reforçar o coro com sua voz aguda — e mesmo assim, apenas cantando com a própria boca, nunca tocando harpa ou lira, pois sua função é apenas “temperar” a melodia dos adultos com a doçura e clareza de sua voz jovem, e não contribuir tecnicamente à execução instrumental. Por fim, Rabi Eliezer ben Yaakov acrescenta um detalhe: esses menores não contam para o número mínimo de doze levitas exigido, nem sobem à plataforma elevada propriamente dita — permanecem de pé no chão, à frente dela, com suas cabeças alcançando a altura das pernas dos levitas adultos que estão em cima. E por essa posição humilde, e porque o timbre fino de sua voz, embora belo, não conseguia alcançar a beleza sonora dos levitas adultos, eram apelidados de “os aflitos dos levitas” (tsoarei haleviim).
Rambam explica que o número mínimo de doze levitas corresponde exatamente à soma dos instrumentistas necessários pela mishná anterior: nove para as nove harpas, dois para as duas trombetas, e um para o único címbalo — por isso não pode haver menos que doze. Explica que “dar tempero à melodia” significa suavizar e prolongar o som do canto. E interpreta que a expressão “aflitos dos levitas” deriva da raiz que significa “dor” ou “aflição”, porque o canto instrumental desses menores — caso lhes fosse permitido tocar — encobriria a beleza da melodia vocal entoada pelos levitas adultos, causando-lhes, por assim dizer, um desgosto.
Bartenura confirma a correspondência exata entre o número doze e os instrumentistas da mishná anterior: nove para as nove harpas, dois para as duas trombetas, e um para o único címbalo. Explica que os menores “temperam” o canto porque sua voz, fina e cristalina, dá sabor à voz mais grave dos adultos. E interpreta “aflitos dos levitas” em sentido inverso ao de Rambam: não é a voz dos menores que aflige os adultos, mas o contrário — os menores “afligem” os levitas adultos, pois estes não conseguem tornar sua própria voz tão doce e aprazível quanto a dos jovens.
Rashi esclarece que o levita menor não podia entrar no pátio do Templo para nenhum serviço regular — como varrer o pátio ou fechar os portões —, mas apenas na hora em que os levitas adultos estavam de pé na plataforma entoando o canto, quando então os menores entravam para cantar junto com eles. Sobre “dar tempero à melodia”, explica que a voz fina dos levitas menores temperava a voz mais encorpada dos adultos. E remete à continuação da Guemará para o detalhe de como, exatamente, os menores “afligiam” os levitas adultos.
Nesta continuação, Rashi explica que a voz dos levitas adultos era mais espessa, enquanto a dos menores era fina e delicada — e que essa delicadeza refinava e embelezava tanto o som conjunto, que os próprios levitas adultos sentiam-se “aflitos” por não conseguirem, com suas vozes mais graves, alcançar aquela mesma doçura sozinhos.