Estas são permitidas quanto à comida: o leite que um gentio ordenhou e um israelita o vê; e o mel; e os cachos, ainda que gotejem, não há neles a lei de tornar apto a receber impureza por líquido; e os conservados cujo costume não é colocar neles vinho e vinagre; e a tainha que não é picada; e a salmoura em que há peixe; e a folha de assafétida; e as azeitonas prensadas enroladas. Rabi Yossei diz: as amolecidas são proibidas. Os gafanhotos que vêm do cesto são proibidos; do local de armazenamento, são permitidos. E o mesmo vale para a teruma. — Esta mishná fecha o Perek Bet em espelho exato à anterior, item por item: onde a mishná 2:6 listava o que é proibido ao consumo, esta lista o que é permitido, muitas vezes tratando-se exatamente da mesma categoria de alimento em circunstâncias distintas. O leite ordenhado por um gentio é permitido quando um israelita o observa diretamente durante a ordenha, eliminando a dúvida sobre a origem do animal que fundamentava a proibição anterior. Os "cachos" — favos de mel ou cachos de uva colhidos da colmeia ou do pé — são permitidos mesmo quando gotejam líquido, pois esse gotejamento não é considerado suficiente para tornar o alimento "apto a receber impureza" através de contato com líquido, uma categoria técnica da lei de pureza ritual; a razão, como explicam os comentadores, é que o próprio dono não deseja aquele líquido, tornando-o irrelevante para esse efeito legal. Os conservados sem costume de receber vinho ou vinagre, a tainha inteira e reconhecível, e a salmoura em que se vê claramente o peixinho kilvit nadando, são todos permitidos pela ausência da dúvida que motivava a proibição paralela. A folha inteira de assafétida — em contraste com o pedaço cortado a faca da mishná anterior — é permitida, pois não houve corte que pudesse reter gordura proibida. Quanto às azeitonas prensadas e enroladas, a mishná registra uma disputa: a opinião anônima as permite, mas Rabi Yossei considera proibidas as que ficaram tão amolecidas a ponto do caroço se soltar sozinho ao serem tocadas — sinal de que foram amolecidas com vinho. A mishná encerra com os gafanhotos comestíveis: os vendidos avulsos, expostos num cesto diante do comerciante, são proibidos, por temor de que tenham sido borrifados com vinho para parecerem mais frescos; mas os que vêm diretamente do depósito onde foram armazenados em conjunto, sem esse tipo de manipulação comercial, são permitidos — e a mesma lógica, conclui a mishná, aplica-se à teruma, a porção sacerdotal separada dos produtos agrícolas.
Rambam esclarece que "um israelita o vê" não exige presença ininterrupta durante toda a ordenha, mas basta que o israelita esteja habitualmente presente, de modo que possa observar o gentio a qualquer momento — pois o próprio gentio, temendo ser flagrado, evita usar leite de animal impuro quando sabe que pode ser visto a qualquer instante. Sobre "dabdaniot", esclarece tratar-se dos pedaços retirados da colmeia contendo o mel; e mesmo que gotejem líquido, não se teme que tenha sido borrifado vinho sobre eles. Sobre "shluchin", Rambam explica com precisão o critério de Rabi Yossei: quando as azeitonas embebidas em água se amoleceram a tal ponto que, ao se tomar uma delas na mão, o próprio caroço se solta e cai sozinho, isso é sinal de que foram amolecidas por vinho, e por isso ficam proibidas segundo sua opinião — mas a halachá não segue Rabi Yossei neste ponto.
Bartenura precisa que "um israelita o vê" não exige que ele esteja de fato olhando no exato momento da ordenha: basta que, se o israelita estivesse de pé, pudesse vê-lo — mesmo que, sentado, não veja no instante — pois o próprio gentio já teme a possibilidade de ser observado a qualquer momento, e por isso não arrisca usar leite impuro. Confirma o critério de Rabi Yossei sobre as azeitonas amolecidas a ponto do caroço cair sozinho, e reafirma que a halachá não o segue. Por fim, esclarece que "do cesto" refere-se aos gafanhotos expostos no cesto do vendedor diante da loja, proibidos porque o comerciante costuma borrifá-los com vinho para que pareçam mais frescos e atraentes aos compradores; já os provenientes diretamente do local de armazenamento em conjunto não recebem esse tratamento, permanecendo permitidos.
No trecho gemárico que comenta o texto desta mishná final, Rashi identifica "dabdaniot" como cachos de uva; "não picada" significa que se conservam reconhecíveis os próprios pedaços dos peixes; "folha de assafétida" é permitida precisamente porque, sendo folha inteira, não foi cortada com faca — ao contrário do pedaço da mishná anterior, evitando o problema da gordura da lâmina; "azeitonas prensadas e enroladas" são as reunidas num recipiente redondo, onde se aquecem e se comprimem naturalmente por seu próprio peso. Sobre "shluchin", Rashi confirma tratar-se de azeitonas já amolecidas a ponto de "voltarem" — soltarem o caroço sozinho. E, no encerramento do capítulo, explica os dois termos finais: "do cesto" são os gafanhotos vendidos no cesto diante do comerciante, proibidos por presunção de terem sido borrifados com vinho; "do depósito" é o local onde os gafanhotos salgados são reunidos em conjunto, permitidos porque não recebem esse borrifo até o momento em que são de fato colocados à venda diante do cliente — encerrando, assim, a série de alimentos de gentios que ocupou a segunda metade do Perek Bet.