Massechet Avodá Zará, o oitavo tratado de Seder Nezikin, trata de um tema de enorme alcance prático para a vida judaica na diáspora e na própria Terra de Israel sob domínio estrangeiro: como conduzir relações comerciais e sociais cotidianas com idólatras sem se tornar, ainda que involuntariamente, cúmplice de seu culto. O nome do tratado — "Avodá Zará", literalmente "culto estranho" ou "culto alheio" — designa tecnicamente qualquer prática de adoração dirigida a algo além do Único D'us, no contexto histórico específico da Antiguidade greco-romana. O Perek Alef, aqui publicado por completo, não discute a idolatria em si nem sua teologia, mas as regras práticas do dia a dia: os três dias antes das festividades idólatras em que é proibido negociar com seus praticantes (1:1–1:2), a lista dessas festividades segundo Rabi Meir e o critério alternativo dos Sábios (1:3), as regras geográficas sobre negociar dentro e fora de uma cidade com culto idólatra, com o caso histórico de Beit Shean (1:4), os itens especificamente proibidos de vender por seu uso ritual — pinhas, figos-bravos, incenso, galo branco (1:5), a venda de animais e o temor de trabalho em Shabat (1:6), a proibição de vender animais perigosos e de construir estruturas ligadas a execuções públicas (1:7), e as regras sobre confeccionar joias para ídolos e alugar terras, casas e casas de banho a gentios, com a gradação entre a Terra de Israel, a Síria e o exterior (1:8–1:9).
No Perek Alef: a proibição de negociar com gentios nos três dias antes de suas festividades, e a disputa sobre cobrar dívidas nesse período (1:1); a disputa entre Rabi Yishmael e os Sábios sobre estender a proibição também aos três dias posteriores (1:2); a lista das festividades dos gentios segundo Rabi Meir — Calendas, Saturnália, Cratesis — e o critério dos Sábios sobre cremação pública, além dos eventos privados de um único dia (1:3); as regras geográficas sobre negociar dentro e fora de uma cidade com idolatria, e o caso histórico das lojas enfeitadas de Beit Shean (1:4); os itens sempre proibidos de vender por seu uso ritual — pinhas de cedro, figos-bravos, incenso, galo branco (1:5); a venda de gado miúdo conforme o costume local, e a proibição geral de vender gado graúdo por temor do trabalho em Shabat (1:6); a proibição de vender animais perigosos e de ajudar a construir basílicas, patíbulos e arenas usados para execuções, com a permissão de estrados comuns e casas de banho (1:7); a proibição de confeccionar joias para a idolatria, a venda de terra presa ao solo, e o aluguel de casas e campos segundo a região — Terra de Israel, Síria ou exterior (1:8); e a mishná final do capítulo, sobre a proibição de alugar casa para residência mesmo onde o aluguel é permitido, e a proibição universal de alugar a casa de banho (1:9). No Perek Bet: as proibições de deixar animais em hospedarias de gentios e de ficar a sós (yichud) com eles, e as regras sobre partejar e amamentar seus filhos (2:1); o tratamento médico e o corte de cabelo por gentios (2:2); os itens de gentios proibidos com proibição de proveito — vinho, vinagre que era vinho, cerâmica adrianiana, couros perfurados no coração, carne de casa de idolatria (2:3); a disputa entre Rabi Meir e os Sábios sobre odres, caroços de uva, molho de peixe e queijos de Beit Unyaki (2:4); o diálogo entre Rabi Yishmael e Rabi Yehoshua sobre o motivo da proibição do queijo de gentios (2:5); a longa lista de alimentos de gentios proibidos apenas ao consumo — leite não supervisionado, pão, azeite, cozidos e conservados (2:6); e a mishná final do capítulo, com os alimentos permitidos em espelho aos proibidos, e a regra sobre gafanhotos (2:7). No Perek Guimel: a disputa sobre quais estátuas se presumem idólatras, segundo tenham bastão, pássaro ou esfera na mão (3:1); fragmentos de estátuas versus moldes de mão ou pé (3:2); utensílios com figuras do sol, da lua ou de um dragão, e a proposta rejeitada de triturar o ídolo (3:3); o diálogo entre Proclus e Rabban Gamliel sobre os banhos de Afrodite em Acre (3:4); montes e colinas adorados pelos gentios, e o critério de Rabi Akiva para identificar locais de idolatria (3:5); a casa contígua a um templo de idolatria cujo muro caiu (3:6); as três casas, três pedras e três asherot, e o caso de Tzaidan (3:7); as leis de sombra e plantio em torno da ashera (3:8); a propagação da proibição pela madeira da ashera usada no forno, no pão e na tecelagem (3:9); e a mishná final, sobre como um gentio anula o status idólatra de uma ashera (3:10). No Perek Dalet: a disputa entre Rabi Yishmael e os Sábios sobre quantas pedras próximas ao márkulis, ídolo cultuado por lançamento de pedras, adquirem seu status proibido (4:1); os objetos encontrados junto à sua base que são permitidos ou proibidos, conforme se assemelhem ou não ao que se oferece sobre o altar (4:2); o uso de um jardim ou balneário pertencente a um local de idolatria, com ou sem benefício para seus sacerdotes (4:3); o princípio de quando um ídolo se torna proibido — de imediato para o gentio, apenas quando cultuado para o israelita — e quem tem o poder de anulá-lo (4:4); os atos concretos de mutilação pelos quais um gentio anula seu próprio ídolo, em contraste com atos de desprezo temporário (4:5); o status de um ídolo abandonado por seus adoradores em tempo de paz ou de guerra, e as plataformas erguidas para a passagem de reis (4:6); o diálogo entre os sábios de Israel e os anciãos de Roma sobre por que Deus permite a existência da idolatria (4:7); a compra de um lagar já pisado por um gentio, e o momento em que o mosto se torna vinho proibido (4:8); as diferentes fases da produção do vinho quanto à permissão de trabalhar junto com um gentio (4:9); o gentio encontrado junto ao poço de vinho, e uma série de precedentes de contato involuntário que não invalidam o vinho (4:10); o israelita que torna apto o vinho de um gentio para venda e o deixa sob sua guarda temporária (4:11); e a mishná final do capítulo, sobre o precedente de Beit Shean, em que uma dívida sobre o próprio vinho levou os sábios a proibi-lo (4:12). No Perek Hei, o último capítulo do tratado: o salário do trabalhador contratado para lidar com vinho de libação, e o aluguel do jumento (5:1); o vinho de libação caído sobre uvas, figos ou tâmaras, e o precedente de Baitos ben Zonin (5:2); o gentio que transporta barris de vinho com um israelita, e o tempo mínimo de suspeita segundo os sábios e Rabban Shimon ben Gamliel (5:3); o vinho deixado na carroça, no navio ou na loja do gentio, com o mesmo critério de vigilância repetido em três cenários (5:4); a refeição compartilhada à mesa e o que fica no aparador (dulbeki), e os barris abertos e vedados (5:5); a tropa de saque que entra na cidade em tempo de paz e de guerra, e a falta de tempo disponível para libar em meio ao combate (5:6); os artesãos pagos com vinho de libação, a venda de vinho a um gentio, o funil compartilhado e o despejar de um vaso a outro (5:7); a regra geral da anulação — mesmo tipo em qualquer proporção, tipo diferente na proporção que dá sabor (5:8); os onze itens que proíbem qualquer mistura em qualquer proporção, do vinho de libação ao boi apedrejado (5:9); o vinho de libação caído num poço inteiro, e a leniência de Rabban Shimon ben Gamliel (5:10); o lagar untado com piche por um gentio, conforme seja de pedra, madeira ou barro (5:11); e a mishná final do tratado, sobre a purificação de utensílios adquiridos de gentios — imersão, fervura ou incandescência ao fogo (5:12).