Pisa-se com o gentio no lagar, mas não se colhe com ele. Um israelita que trabalha em impureza — não se pisa nem se colhe com ele, mas se levam com ele barris ao lagar, e se traz com ele do lagar. Um padeiro que trabalha em impureza — não se amassa nem se molda com ele, mas se leva com ele o pão ao vendedor.
Rambam explica que "pisa-se com o gentio no lagar, mas não se colhe com ele" reflete a formulação da "primeira mishná". A razão de vedar a colheita conjunta está no princípio de que aquilo que é colhido para o lagar já se torna suscetível à impureza, e o toque do gentio o torna efetivamente impuro — de modo que o israelita que colhe junto com ele estaria contribuindo para essa transgressão. Precisa, porém, que é proibido ao israelita valer-se de um gentio para a colheita de sua vinha de forma alguma, nem sequer para simplesmente levar as uvas ao lagar — como o Talmud fundamenta no ditado "afasta-te, afasta-te, dizem ao nazireu: não te aproximes sequer das cercanias da vinha".
Bartenura explica que se pode pisar com o gentio no lagar sem que se veja nisso lucro proveniente do que é proibido para benefício, porque, desde o instante em que o gentio pisou minimamente as uvas, elas já se tornaram suscetíveis à impureza por conta própria. "Mas não se colhe com ele" porque as uvas colhidas são levadas a um lagar impuro, e o gentio as torna impuras com o próprio toque. Ainda assim, precisa que o israelita que colhe sua própria vinha não deve, de saída, levar consigo um gentio nem mesmo para simplesmente transportar uvas ao lagar, conforme o princípio "afasta-te, dizem ao nazireu". Já o "israelita que trabalha em impureza" comete de fato uma transgressão; mas pode "levar com ele" barris vazios ao lagar e "trazer com ele" barris cheios do lagar, pois nisso não há parte ativa na transgressão.
Rashi explica que se pode pisar as uvas com o gentio no lagar sem que se considere que o israelita lucra com algo proibido para benefício, e que não há aqui "causar impureza", pois, desde que o gentio pisou minimamente as uvas, elas já se tornaram impuras por si mesmas. "Mas não se colhe com ele" porque as uvas colhidas são depositadas num lagar impuro, e esse próprio ato de colher constitui causar impureza. Sobre o israelita que trabalha em impureza, esclarece que ele comete de fato uma transgressão, pois foi advertido contra isso — por isso, nesse caso, é proibido até mesmo pisar com ele. Mas "leva-se com ele" barris vazios ao lagar, e "traz-se com ele" barris cheios do lagar, pois nisso não há transgressão alguma. E "não se amassa nem se molda o pão com ele" porque todo o ato de moldar constitui parte ativa da própria transgressão.