Rambam explica que é através da sabedoria (que é a Torá), das virtudes de caráter (que são os atos de bondade) e da observância dos preceitos da Torá (que são os sacrifícios, o serviço) que se alcança a manutenção contínua e o ordenamento adequado da existência do mundo, do modo mais completo possível.
Bartenura, sobre "dos remanescentes", explica que, depois que todos os demais membros da Grande Assembleia morreram, a tradição permaneceu apenas em suas mãos; ele foi sumo sacerdote depois de Ezra. Sobre a fórmula "ele dizia", nota que ela indica que essa era a frase que o sábio costumava repetir sempre — assim como, ao longo deste tratado, cada "fulano dizia" indica um ensinamento que costumava reiterar. Sobre "o mundo se sustenta", explica que o mundo não foi criado senão em razão destas três coisas. Sobre "a Torá", cita Yirmiyahu 33, segundo o qual, se Israel não tivesse aceitado a Torá, o céu e a terra não teriam sido criados. Sobre "o serviço", refere-se ao serviço dos sacrifícios, citando o tratado Taanit, segundo o qual, não fossem os turnos sacerdotais (mishmarot), o céu e a terra não subsistiriam — e recorda que, por causa dos sacrifícios que Noach ofereceu, D'us jurou não trazer mais um dilúvio ao mundo. Sobre "os atos de bondade", cita o Salmo 89, "o mundo se edifica pela bondade" — definindo-a como alegrar noivos, consolar enlutados, visitar doentes, sepultar os mortos, e obras semelhantes.
Rashi explica "dos remanescentes" (misheyarei) como "dos que restaram": Shimon HaTzadik viveu no fim daquela geração, não estando presente no início da construção do Segundo Templo, nos dias de Ezra. Sobre "a Torá", cita o versículo "se não fosse Minha aliança de dia e de noite, eu não teria estabelecido as leis do céu e da terra" (Yirmiyahu 33), como prova de que a própria existência do mundo depende da Torá. Sobre "o serviço", refere-se ao serviço do Templo, citando o ensinamento de que, não fossem os turnos sacerdotais (mishmarot) que representavam o povo em oração enquanto se ofereciam os sacrifícios, o céu e a terra não subsistiriam — daí o costume de ler o relato da Criação ao longo de toda a semana. Sobre "os atos de bondade", explica que se trata sobretudo de emprestar dinheiro ao pobre, ato maior que a própria caridade, pois quem recebe não passa vergonha, e porque a bondade se pratica tanto com ricos quanto com pobres, com vivos e com mortos, com o corpo e com os bens — o que não ocorre com a caridade — como disseram: "maior é a prática da bondade do que a caridade"; e cita "a bondade do Eterno é de eternidade a eternidade sobre os que O temem" e "pois disse: o mundo se edifica pela bondade".