Mishná · Seder Nezikin · Tratado IX · Completo — 6 perakim, 108 de 108 mishnayot

Massechet Avot

מַסֶּכֶת אָבוֹת

O nono tratado de Seder Nezikin — a "Ética dos Pais" (Pirkei Avot): a cadeia da transmissão oral da Torá, de Moshé aos homens da Grande Assembleia, e os ditados éticos dos sábios da Mishná, geração após geração, até os dias de Rabi Yehudá HaNassi

OrdemNezikin (Danos) — nono tratado (completo)
Estrutura6 perakim, 108 mishnayot
TemaA cadeia da transmissão da Torá e os ditados éticos (musar) dos sábios de cada geração — não a exposição de um preceito específico, mas o caráter e a conduta do sábio e do justo
GuemaráNão possui Guemará própria no Talmud Bavli — é tratado unicamente de ética, sem uma seção legal correspondente. Possui, porém, comentário de Rashi (Rashi on Avot), estruturado diretamente por perek e mishná, em substituição à Guemará

Massechet Avot, o nono tratado de Seder Nezikin, é singular entre todos os tratados da Mishná: como observa Bartenura logo em sua primeira palavra, este tratado não se funda na exposição de um preceito específico da Torá, como os demais, mas é composto inteiramente de ética e de caráter (musar e midot) — como disse o Tanna ao abri-lo com "Moshé recebeu a Torá do Sinai", para ensinar que também estes ensinamentos éticos, e não apenas as leis, foram transmitidos desde o Sinai. O Perek Alef, aqui publicado por completo, traça a corrente da tradição oral, de Moshé a Josué, dos anciãos aos profetas, dos profetas aos homens da Grande Assembleia (1:1) — e a partir daí, uma sucessão de pares de sábios (zugot), cada um com seus próprios ditados: Shimon HaTzadik sobre os três pilares do mundo (1:2); Antígono de Socho sobre servir sem esperar recompensa (1:3); os pares Yossei ben Yoezer e Yossei ben Yochanan (1:4–1:5), Yehoshua ben Perachia e Nitai HaArbeli (1:6–1:7), Yehudá ben Tabai e Shimon ben Shatach (1:8–1:9), Shemaia e Avtalion (1:10–1:11), até chegar a Hilel e Shamai (1:12–1:15) — cujos ditados incluem algumas das máximas mais citadas de toda a literatura rabínica, como "se eu não for por mim, quem será por mim?" — e por fim Rabban Gamliel, seu filho Shimon, e Rabban Shimon ben Gamliel, que encerra o capítulo ecoando o ditado de abertura de Shimon HaTzadik, agora fundado em um versículo de Zacarias (1:16–1:18).

No Perek Alef: a cadeia da transmissão da Torá, de Moshé aos homens da Grande Assembleia (1:1); Shimon HaTzadik e os três pilares do mundo — a Torá, o serviço do Templo, e os atos de bondade (1:2); Antígono de Socho, sobre servir sem esperar recompensa (1:3); Yossei ben Yoezer, sobre a casa como lugar de reunião dos sábios (1:4); Yossei ben Yochanan, sobre hospitalidade, os pobres e o comedimento na fala (1:5); Yehoshua ben Perachia, sobre mestre, companheiro e julgamento favorável (1:6); Nitai HaArbeli, sobre o afastamento do mau vizinho e do ímpio (1:7); Yehudá ben Tabai, sobre a imparcialidade do juiz (1:8); Shimon ben Shatach, sobre o rigor no interrogatório das testemunhas (1:9); Shemaia, sobre amar o trabalho e odiar a autoridade (1:10); Avtalion, sobre o cuidado dos sábios com suas próprias palavras (1:11); Hilel, sobre ser dos discípulos de Aarão, amando e buscando a paz (1:12); mais ditados de Hilel sobre fama, estudo, ignorância e o uso indevido da Torá (1:13); a célebre máxima de Hilel — "se eu não for por mim, quem será por mim?" (1:14); Shamai, sobre a fixidez no estudo, poucas palavras e muitos atos (1:15); Rabban Gamliel, sobre afastar-se da dúvida (1:16); Shimon, seu filho, sobre o valor do silêncio e da ação (1:17); e a mishná final do capítulo, de Rabban Shimon ben Gamliel, sobre justiça, verdade e paz (1:18). No Perek Bet: Rabi (Yehudá HaNassi) sobre o caminho reto e o peso dos preceitos (2:1); Rabban Gamliel, filho de Rabi, sobre Torá com ofício e o mérito de labutar com a comunidade (2:2); cautela com a autoridade (2:3); a vontade de Deus e cinco ditados de Hilel — não se apartar da comunidade, não confiar em si mesmo, não julgar o próximo, e não adiar o estudo (2:4); mais Hilel, sobre o ignorante, o tímido e o irritadiço (2:5); o crânio flutuando sobre as águas (2:6); a série "quem multiplica..." sobre excessos materiais e bens do espírito (2:7); Rabban Yochanan ben Zakai e os cinco discípulos, com as célebres avaliações comparativas — "se todos os sábios de Israel estivessem numa balança..." (2:8); o bom e o mau caminho segundo os cinco discípulos (2:9); e os ensinamentos individuais de Eliezer, Yehoshua, Yosei, Shimon e Elazar (2:10–2:14); Rabi Tarfon, sobre o dia curto e a obra abundante (2:15); e a mishná final do capítulo, sobre não caber ao homem terminar toda a obra, mas tampouco lhe ser lícito se eximir dela (2:16). No Perek Guimel: Akavyá ben Mahalalel, sobre as três coisas a contemplar para não cair em transgressão (3:1); Rabi Chanina Segan HaKohanim, sobre orar pelo governo, e Rabi Chanina ben Teradyon, sobre a Presença Divina entre os que estudam Torá juntos (3:2); Rabi Shimon, sobre a mesa sem palavras de Torá (3:3); Rabi Chanina ben Chachinai, sobre os perigos da noite e do caminho solitário (3:4); Rabi Nechunya ben HaKaná, sobre o jugo da Torá (3:5); Rabi Chalaftá ben Dossa, sobre a Presença Divina entre dez, cinco, três, dois e até um só (3:6); Rabi Elazar ish Bartotá e Rabi Shimon, sobre devolver a Deus o que é Seu e não interromper o estudo (3:7); Rabi Dostai bar Yanai em nome de Rabi Meir, sobre esquecer o que se aprendeu (3:8); Rabi Chanina ben Dossa, sobre temor do pecado e sabedoria (3:9); o agrado das criaturas e Rabi Dossa ben Harkinas sobre os quatro hábitos que tiram o homem do mundo (3:10); Rabi Elazar HaModai, sobre as cinco transgressões que privam do Mundo Vindouro (3:11); Rabi Yishmael, sobre o trato com superiores e subordinados (3:12); Rabi Akiva, sobre as cercas protetoras — tradição, dízimos, votos e silêncio (3:13); o amor de Deus ao homem criado à imagem, e a Israel (3:14); a máxima sobre presciência divina e livre-arbítrio, "tudo está previsto, e a liberdade é dada" (3:15); a parábola do comércio — "tudo é dado sob penhor" (3:16); Rabi Elazar ben Azaria, sobre Torá e conduta, e o célebre "se não há farinha, não há Torá" (3:17); e a mishná final do capítulo, de Rabi Eliezer ben Chisma, sobre as leis intrincadas como corpo das halachot (3:18). No Perek Dalet, o mais longo do tratado: Ben Zomá, sobre quem é sábio, forte, rico e honrado (4:1); Ben Azai, sobre correr para o preceito leve como para o grave, e sobre não desprezar ninguém nem descartar nada (4:2–4:3); Rabi Levitas Ish Yavne sobre a extrema humildade, e Rabi Yochanan ben Beroka sobre a profanação do Nome em segredo (4:4); Rabi Yishmael, sobre aprender para ensinar ou para praticar, e Rabi Tzadok, citando Hilel, sobre não fazer da Torá coroa nem enxada (4:5); Rabi Yosei, sobre honrar e profanar a Torá (4:6); Rabi Yishmael bar Rabi Yosei, sobre abster-se do julgamento e não julgar sozinho (4:7–4:8); Rabi Yonatan, sobre cumprir a Torá na pobreza e na riqueza (4:9); Rabi Meir, sobre diminuir os negócios e ocupar-se da Torá (4:10); Rabi Eliezer ben Yaakov e Rabi Yochanan HaSandlar, sobre o preceito como defensor e a reunião pelo Céu (4:11); Rabi Elazar ben Shamua, sobre a honra do aluno, do colega e do mestre (4:12); Rabi Yehudá e Rabi Shimon, sobre o cuidado no estudo e as três coroas mais a coroa do bom nome (4:13); Rabi Nehorai, sobre exilar-se para um lugar de Torá (4:14); Rabi Yannai e Rabi Matya ben Charash, sobre os caminhos dos ímpios e ser cauda de leões (4:15); Rabi Yaakov, sobre este mundo como vestíbulo do mundo vindouro, e sobre a hora de arrependimento (4:16–4:17); Rabi Shimon ben Elazar, sobre os momentos de não abordar o próximo (4:18); Shmuel HaKatan, sobre não se alegrar com a queda do inimigo (4:19); Elisha ben Avuya, Rabi Yosei bar Yehudá e Rabi (Yehudá HaNassi), sobre aprender jovem ou velho, e sobre não olhar o jarro mas o que há nele (4:20); Rabi Elazar HaKapar, sobre inveja, cobiça e busca de honra (4:21); e a mishná final do capítulo, sobre os nascidos, os mortos e os vivos, e sobre Deus como Formador, Criador e Juiz (4:22). No Perek Hei, o mais longo do tratado — uma célebre coletânea numérica: os dez ditos da criação do mundo (5:1); as dez gerações de Adão a Noach e de Noach a Avraham (5:2); as dez provações de Avraham (5:3); os dez milagres no Egito e no Mar, e as dez pragas (5:4); os dez milagres do Beit HaMikdash (5:5); as dez coisas criadas na véspera do primeiro Shabat, ao entardecer (5:6); os sete traços do sábio e do rude (5:7); os sete tipos de castigo por sete transgressões, e as feras, o exílio e a peste (5:8–5:9); os quatro tipos de caráter quanto aos bens, à ira, aos discípulos, à caridade e à frequência ao estudo (5:10–5:14); as quatro figuras dos que se assentam diante dos sábios — esponja, funil, coador e peneira (5:15); o amor que depende de algo e o que não depende (5:16); a controvérsia por amor ao Céu (5:17); quem dá mérito aos muitos e quem os faz pecar (5:18); os discípulos de Avraham e os discípulos de Bilam (5:19); Yehudá ben Teimá, sobre ser forte como o leopardo e ligeiro como a águia (5:20); as idades da vida, de Yehudá ben Teimá — "aos cinco anos para o Tanach, aos dez para a Mishná..." (5:21); Ben Bag Bag, sobre revirar a Torá pois tudo está nela (5:22); e a mishná final do capítulo, de Ben He He — "segundo o esforço é a recompensa" (5:23). No Perek Vav, "Kinyan Torá" — uma baraita tardia (Baraita de Rabi Meir), tradicionalmente incluída na numeração do tratado: Rabi Meir, sobre quem se ocupa da Torá por si mesma e merece muitas coisas (6:1); Rabi Yehoshua ben Levi, sobre a voz celestial diária e a leitura de "gravada" como "liberdade" (6:2); o dever de honrar quem ensina, ainda que uma só letra, a partir do exemplo de Davi e Achitofel (6:3); o caminho austero da Torá — pão com sal, água racionada, dormir no chão (6:4); a advertência contra buscar grandeza e honra (6:5); a célebre lista dos quarenta e oito modos pelos quais se adquire a Torá (6:6); a Torá como fonte de vida, saúde e paz, neste mundo e no vindouro (6:7); Rabi Shimon ben Yehudá em nome de Rabi Shimon bar Yochai, sobre as sete qualidades próprias aos justos (6:8); Rabi Yosei ben Kisma, que recusou riqueza para permanecer em lugar de Torá (6:9); as cinco aquisições que D'us fez para Si no mundo — a Torá, o céu e a terra, Avraham, Israel e o Templo (6:10); e a mishná final de todo o tratado, sobre tudo o que D'us criou para Sua glória, encerrada com a célebre máxima de Rabi Chananiá ben Akashiá sobre a multiplicação da Torá e dos preceitos (6:11).

Os 6 Perakim

Perek Alef — פֶּרֶק א׳ — A cadeia da tradição e os primeiros ditados éticos

Perek Bet — פֶּרֶק ב׳ — Os cinco discípulos de Rabban Yochanan ben Zakai

Perek Guimel — פֶּרֶק ג׳ — De Akavyá ben Mahalalel a "sem farinha não há Torá"

Perek Dalet — פֶּרֶק ד׳ — De Ben Zomá a "tudo é segundo a conta"

Perek Hei — פֶּרֶק ה׳ — Dos dez ditos da criação a "segundo o esforço é a recompensa"

Perek Vav — פֶּרֶק ו׳ — Kinyan Torá, os quarenta e oito modos de adquirir a Torá