Rashi explica que as “trinta virtudes” da realeza são as listadas no Livro de Shmuel (I Shmuel 8), quando Israel pediu um rei, somadas às leis relativas ao rei ensinadas em Sanhedrin (cap. 2); e que os “vinte e quatro dons sacerdotais” são dez no Templo, quatro em Jerusalém e dez nas fronteiras da terra de Israel. Sobre “temor reverente e temor”, explica que é aquele cujo coração não se eleva sobre si — como está dito “no dia em que estiveste diante do Eterno teu D’us, em Horeb” — e por isso os que tiveram polução seminal ficavam proibidos de estudar, pois é da leviandade da mente e das divagações do coração que se chega a tal estado. Sobre “alegria”, explica que a Presença Divina não repousa em meio à tristeza, mas somente em meio à alegria. Sobre “serenidade”, lê como serenidade da mente. Sobre “pouco comércio”, cita o mestre (Eruvin 55a): “não se encontra a Torá nem entre mercadores nem entre negociantes”. Sobre “pouca ocupação mundana”, explica que é para que não esteja frequentemente entre as pessoas no mercado. Sobre “aceitação dos sofrimentos”, explica que é aceitá-los com amor, citando Berachot 5a: “feliz o homem a quem D’us aflige... quando isso não o impede de estudar Tua Torá”. Sobre “julga-o para o lado do mérito”, explica que julga seu companheiro favoravelmente; e “firma-o na verdade” é buscar a verdade e a paz acima de tudo. Sobre “pergunta e responde”, explica que quem pergunta não responde primeiro a si mesmo, para que possa dar uma resposta apropriada; e “ouve e acrescenta” é ouvir tudo o que seu mestre lhe diz, sem contradizer as suas palavras. Sobre “é preciso no que ouviu”, explica que, ao decidir uma questão, mantém-se fiel exatamente ao que seu mestre lhe ensinou, sem acrescentar algo dizendo que foi seu mestre quem o disse, a menos que de fato o tenha dito. Sobre “preparo dos lábios”, explica que não gagueja nas palavras de Torá, mas as articula com a língua e as pronuncia com a boca — pois as palavras de Torá só se conservam quando proferidas pela boca, como está escrito “pois são vida para os que as encontram” (motsaeihem), lido não como “encontram” mas como “as fazem sair” (motsieihem) pela boca. Sobre “não se atribui mérito a si mesmo”, explica que não se orgulha em seu coração por ter ampliado sua Torá, pois foi exatamente para isso que foi formado. E, ao longo de todo o comentário, observa que estas qualidades pertencem a quem se afasta da honra e não corre atrás do poder que lhe chega às mãos, afastando-se dele.