Rashi explica que “dá vida a quem a pratica” significa que ele come de seus frutos neste mundo, enquanto o capital se conserva para ele no mundo vindouro. Sobre “pois são vida para os que as encontram”, repete a leitura homilética: não “para os que as encontram” (motsaeihem), mas “para os que as fazem sair” (motsieihem) pela boca, neste mundo. Sobre “regadura para os teus ossos”, explica que há de regar os teus ossos na sepultura; e, para que não se pense que a Torá garante apenas vida, mas não riqueza — pois há quem viva na pobreza, a quem a morte é mais querida que a vida — por isso se diz “adorno de graça para tua cabeça e colares para o teu pescoço”, pois o que traz graça aos olhos das pessoas é a riqueza. E, para que não se pense que se recebe riqueza sem honra entre as pessoas, diz-se “coroa de esplendor te outorgará”. E, para que não se pense que mesmo quem estudou não por si mesma merece tudo isso, diz-se “longura de dias está em sua mão direita” (Shabat 63a) — para os que a tomam pela direita, isto é, os que estudam por si mesma, há longura de dias e vida, e nem é preciso dizer riqueza e honra; “em sua esquerda”, para os que a tomam pela esquerda, dá-se riqueza e honra, mas não vida longa. E para que não se pense que se obtém vida e riqueza, mas não paz, diz-se “e paz se te acrescentará”.