Rambam explica que Rabi Eliezer foi louvado pela boa memória, comparado a uma cisterna revestida que não perde uma gota de suas águas; Rabi Yehoshua foi louvado pelas virtudes de caráter, pois por elas o homem é respeitado e amado pela maioria das pessoas, e por isso é chamado ‘bem-aventurada a que o gerou’; Rabi Yosei foi louvado tanto pela bondade das virtudes de caráter quanto pelas intelectuais; Rabi Shimon foi louvado pelo temor do pecado, que é a diligência em buscar o bem e em guardar-se do mal; e Rabi Elazar ben Arach foi louvado pela boa compreensão, de modo que todo assunto profundo lhe era fácil, e seu entendimento acrescentava ao próprio tema.
Bartenura explica que “não reivindiques mérito para ti mesmo” se dirige a Rabban Yochanan ben Zakai, que, não tendo deixado de estudar nem um versículo, nem uma mishná, lei ou agadá, dizia isso para si mesmo. Sobre “cisterna rebocada”, explica que se lê assim, e não ‘poço de cal’ — isto é, como uma cisterna revestida de cal; e sobre “que não perde uma gota”, que assim ele não esquecia nem uma única coisa de seu estudo. Sobre “bem-aventurada a que o gerou”, explica que ele era bem-aventurado por suas boas virtudes, a ponto de todos dizerem isso sobre ele; e traz a tradição segundo a qual sua mãe o fez sábio, pois percorria as casas de estudo de sua cidade orando por seu feto, e desde que nasceu não retirou seu berço da casa de estudo. Sobre “piedoso”, explica que age além da linha do estrito direito; e sobre “temente ao pecado”, que é rigoroso consigo mesmo e proíbe a si coisas permitidas por temor de vir a pecar — pois, se não fosse assim, qual seria sua distinção, já que até um homem do povo poderia sê-lo? Sobre “fonte que se intensifica”, explica que seu coração era amplo, acrescentando argumentação e raciocínios de seu próprio saber. E sobre a discussão entre a opinião anônima e Abba Shaul, traz a explicação de que ambas as afirmações foram ditas por Rabban Yochanan ben Zakai e são ambas verdadeiras: quanto à erudição e à memória, Rabi Eliezer pesava mais; quanto à agudeza e ao raciocínio, Rabi Elazar ben Arach pesava mais.
Rashi anota, sobre “não reivindiques mérito para ti mesmo”, que, como Rabban Yochanan ben Zakai não deixou no mundo mishná ou versículo que não aprendesse, dizia isso para não reclamar honra. Sobre “pois para isso foste criado”, explica que o homem veio ao mundo com essa finalidade, pois o Santo, bendito seja, condicionou a obra da criação a que, se Israel não recebesse a Torá, o mundo voltaria ao caos — recaindo sobre o homem uma grande obrigação, não um mérito gratuito. Sobre “cisterna rebocada que não perde uma gota”, explica que sua semelhança é a de um poço revestido de cal ao redor, cujas águas não se absorvem — assim ele não esquecia nada de seu estudo. Sobre “bem-aventurada a que o gerou”, traz a tradição do Talmude Yerushalmi segundo a qual sua mãe percorria as casas de estudo da cidade, orando para que o feto se tornasse sábio. E sobre “fonte que se intensifica”, explica que era agudo e perspicaz em excesso, sendo Rabi Eliezer menos ágil, ainda que a vasta erudição [‘Sinai’] seja preferível, em geral, à agudeza dialética [‘desarraigador de montanhas’].