Aquele cujo muro estava próximo ao muro do seu companheiro não colocará junto a ele outro muro, a não ser que se afaste dele quatro cúbitos. — Quando alguém já possui um muro construído junto ao muro do vizinho, e depois deseja erguer um segundo muro seu, paralelo ao primeiro e voltado para o muro do vizinho — de modo que os dois muros de um lado e o muro do vizinho do outro passem a formar como que três lados de um quadrado —, ele só pode fazê-lo se afastar esse novo muro pelo menos quatro cúbitos da linha do muro vizinho. Essa distância preserva um espaço de passagem e de luz entre as construções, e evita que o vizinho se sinta cercado ou observado de perto.
E as janelas — por cima, por baixo e defronte delas — quatro cúbitos. — A mesma medida de quatro cúbitos se aplica às janelas: se o muro que alguém pretende erguer ficaria mais alto que uma janela existente no muro do vizinho, mais baixo que ela, ou exatamente à sua frente, é preciso, em cada um desses três casos, manter ao menos quatro cúbitos de distância entre a nova construção e a janela — para que ninguém, debruçando-se sobre o alto do muro novo ou olhando por cima dele, possa enxergar o interior da casa do vizinho através dessa janela.
Rambam explica a geometria do caso — dois muros paralelos formando três lados de um quadrado — e a lógica das três posições da janela; Bartenura resume cada uma das três situações.
Rambam explica que, em toda esta halachá, o princípio que rege as janelas é o de que "o dano visual é considerado dano" — hezek re'iyá shemiê hezek — ou seja, a mera possibilidade de um vizinho enxergar dentro da casa alheia já é considerada um prejuízo real, mesmo sem qualquer dano material. Por isso é preciso afastar-se quatro cúbitos da janela, para não bloquear sua luz nem permitir que alguém, de pé junto ao novo muro, enxergue por ela. E se a janela estiver na parte baixa do muro, o dono da janela pode exigir do vizinho que eleve seu muro em quatro cúbitos, para que ninguém, ao ficar de pé junto a ele, consiga olhar para dentro através dela.
Bartenura separa as três situações da mishná: se a janela fica na parte alta do muro do vizinho e alguém constrói um novo muro à frente dela, precisa afastá-lo quatro cúbitos; se a janela fica na parte baixa, pode-se obrigar o dono do novo muro a erguê-lo quatro cúbitos acima da altura da janela, para que ninguém, de pé sobre ele, consiga olhar para dentro; e se o novo muro fica exatamente diante da janela, também é preciso afastá-lo quatro cúbitos, desta vez para não bloquear a luz que entra por ela.
O perush de Rashi sobre a Guemará em Bava Batra 22a, que também discute a máxima segundo a qual o dano visual é considerado dano real.
Rashi acrescenta um detalhe importante ausente da mishná: a regra pressupõe que o dono das janelas já as mantinha abertas, com vista para o pátio do vizinho, por um período reconhecido de posse — três anos —, o que lhe confere o direito de exigir a distância de quatro cúbitos quando o dono do pátio finalmente decide construir um muro ali.
Rashi explica os dois primeiros casos em termos de altura do próprio muro: se o vizinho constrói um muro mais alto que a janela, precisa afastá-lo quatro cúbitos dela; se o constrói mais baixo, precisa igualmente mantê-lo a quatro cúbitos de distância — e observa que a razão precisa de cada caso é desenvolvida com mais detalhe na continuação da Guemará.