Afastam a árvore da cidade vinte e cinco cúbitos; e a alfarrobeira e o sicômoro, cinquenta cúbitos. — Toda árvore precisa manter uma distância mínima de vinte e cinco cúbitos das muralhas ou dos limites de uma cidade, para preservar um espaço aberto e visualmente agradável ao seu redor. A alfarrobeira e o sicômoro — árvores de galhos e copa particularmente largos — exigem o dobro da distância, cinquenta cúbitos, por ocuparem muito mais espaço visual.
Aba Shaul diz: toda árvore estéril, cinquenta cúbitos. — Aba Shaul discorda do critério: para ele, o que determina a distância maior de cinquenta cúbitos não é o tamanho da copa em si, mas o fato de a árvore não produzir frutos — uma árvore estéril, sem utilidade prática, é considerada esteticamente deselegante perto de uma cidade, e por isso deve ficar ainda mais afastada, independentemente de sua espécie.
Se a cidade veio primeiro, corta-a e não paga o valor. E se a árvore veio primeiro, corta-a e paga o valor. — Quando se descobre que a árvore foi plantada depois que a cidade já existia naquele local, a comunidade tem o direito de exigir que ela seja cortada, sem qualquer obrigação de indenizar o dono da árvore — pois ele violou uma restrição já vigente ao plantá-la ali. Mas se a árvore já existia antes de a cidade se expandir até aquele ponto, ela ainda precisa ser cortada — o interesse coletivo no visual da cidade prevalece —, mas dessa vez a cidade deve indenizar o dono pelo valor da árvore perdida.
Em caso de dúvida sobre qual veio primeiro, corta-a e não paga o valor. — Quando não há como determinar com certeza se a árvore ou a cidade vieram primeiro, a lei resolve o impasse a favor da coletividade: a árvore é cortada de qualquer forma — pois, seja qual for a ordem cronológica real, a lei exige o corte em ambos os casos —, mas não se paga indenização, porque o ônus da prova recai sobre o dono da árvore, que precisaria demonstrar que ela é anterior à cidade para ter direito ao pagamento.
Rambam confirma que a halachá segue Aba Shaul e explica a lógica de quem paga em cada situação; Bartenura detalha cada termo e a razão da dúvida final.
Rambam confirma que a razão de toda essa halachá é preservar a beleza visual da cidade — "por causa do embelezamento da cidade" —, e que a halachá segue a opinião de Aba Shaul, que estende a exigência de cinquenta cúbitos a toda árvore estéril. Sobre o caso de dúvida, explica que a árvore será cortada de qualquer maneira, seja qual for a ordem cronológica real; por isso, quando o dono da árvore reclama pagamento, dizem-lhe: traga prova de que sua árvore veio primeiro, e então receberá o valor — mas, sem essa prova, ele não recebe nada.
Bartenura explica que a distância existe porque um espaço aberto ao redor da cidade é considerado embelezamento; que a alfarrobeira e o sicômoro exigem o dobro da distância por terem galhos particularmente numerosos e extensos; que uma árvore estéril é vista como um desprestígio para a cidade, daí a posição de Aba Shaul; e esclarece que, quando a árvore veio primeiro, é a cidade — representada por seus moradores — quem paga a indenização pelo corte.
O perush de Rashi sobre a Guemará em Bava Batra 24b, que discute o embelezamento da cidade e compara este caso ao do poço afastado de uma árvore, tratado adiante na mishná 2:11.
Rashi confirma, com quase as mesmas palavras de Bartenura, que a Guemará atribui a razão da distância ao embelezamento da cidade e detalha os mesmos termos técnicos — os muitos galhos da alfarrobeira e do sicômoro, o desprestígio de uma árvore estéril, e o fato de ser a comunidade da cidade quem paga a indenização quando a árvore chegou primeiro.
A Guemará explica por que, no caso de dúvida, a lei ordena cortar a árvore imediatamente em vez de esperar até se resolver quem deve pagar: se a decisão dependesse de primeiro arrecadar o dinheiro entre os moradores da cidade, cada um empurraria a responsabilidade para o outro, dizendo "que não comecem por mim" — e a árvore continuaria de pé indefinidamente, deixando a cidade esteticamente prejudicada enquanto se discute o pagamento.
A Guemará compara este caso ao caso paralelo do poço perto de uma árvore (mishná 2:11): lá, quando há dúvida, a árvore nunca é cortada; aqui, quando há dúvida, ela sempre é cortada — porque no caso do poço, se com certeza a árvore veio primeiro, ela não é cortada de forma alguma, então a dúvida também resulta em não cortar; mas aqui, mesmo se com certeza a árvore veio primeiro, ela ainda é cortada, só que com indenização — então, em caso de dúvida, ela também é cortada de qualquer forma, e cabe ao dono da árvore provar que veio primeiro para ter direito ao pagamento.