Quem vende o pátio vendeu as casas, os poços, as valas e as cavernas, mas não os móveis. — Ao contrário da venda da casa (onde poço, vala e caverna ficam de fora, como visto na mishná 4:2), a venda do pátio inclui automaticamente tudo que está fisicamente contido nele — inclusive as casas que se abrem para ele —, precisamente porque o pátio é uma unidade maior que engloba essas estruturas menores. Os móveis, porém, continuam de fora.
Quando o vendedor lhe diz: "ele e tudo o que há nele", eis que todos estes são vendidos. — Aqui, diferentemente da venda da casa, essa fórmula amplia a venda para incluir também os móveis que estiverem no pátio — porque, sendo o pátio uma entidade maior, a expressão "tudo o que há nele" é interpretada de forma mais generosa.
Em ambos os casos, não vendeu o banho, nem o lagar de azeite que está dentro dele. — Quer o vendedor tenha usado a fórmula simples, quer tenha acrescentado "tudo o que há nele", o banho e o lagar de azeite permanecem de fora da venda: por terem finalidade própria e discreta — não sendo parte do uso cotidiano do pátio —, são tratados como entidades independentes, não incluídas nem mesmo pela fórmula ampliadora.
Rabi Eliezer diz: quem vende o pátio não vendeu senão o espaço aéreo do pátio. — Rabi Eliezer discorda radicalmente da posição dos Sábios: para ele, a venda do pátio sem especificação transfere apenas o espaço vazio (aviro) do terreno — nem mesmo as casas nele contidas são incluídas. A halachá não segue Rabi Eliezer.
Rambam confirma que a halachá rejeita a posição isolada de Rabi Eliezer; Bartenura explica por que poço, vala e caverna, excluídos da venda de uma casa, são incluídos automaticamente na venda de um pátio.
Rambam resume esta mishná com brevidade, apontando apenas o essencial: a halachá não segue Rabi Eliezer. Prevalece a posição dos Sábios — a venda do pátio inclui as casas, poços, valas e cavernas nele contidos, mas não o banho nem o lagar de azeite.
Bartenura resolve a aparente contradição com a mishná 4:2: ali, poço e cisterna ficam fora da venda da própria casa; aqui, ficam incluídos na venda do pátio, porque diante da unidade maior que é o pátio, essas estruturas menores se anulam e passam a ser consideradas parte dele. Já o banho e o lagar de azeite, por não se anularem diante do pátio — sendo entidades com propósito próprio e reconhecível —, permanecem de fora mesmo com a fórmula ampliadora.
A Guemará de Rashbam sobre o daf 67a estabelece o princípio jurídico de fundo desta mishná — tudo o que está ligado ao solo é tratado como o próprio solo — através de uma analogia com a lei do sustento da viúva.
Rashbam traz uma discussão paralela sobre o sustento (parnasá) da viúva ou da filha, cobrado dos bens de raiz do falecido — e nota que a Guemará usa como exemplo até mesmo os utensílios fixos de um moinho de azeite (a mesma peça, o itztrubal, mencionada na mishná 4:3) para provar que "tudo o que está ligado ao solo é considerado como o próprio solo". Rashbam registra que esta conclusão está de acordo com a opinião de Rabi Eliezer de outro contexto (não a rejeitada nesta mishná) e cita Rabênu Chananel para confirmar que essa é a halachá aceita — o princípio geral que também sustenta por que casas, poços e cavernas se incluem na venda do pátio: por estarem ligados ao solo, são tratados como parte dele.