Quem vende o campo vendeu as pedras que servem a ele, — Pedras deixadas no campo para a construção de cercas ou muretas fazem parte de sua infraestrutura funcional e são vendidas automaticamente junto com o terreno.
e as canas da vinha que servem a ela, — As canas usadas para amarrar e sustentar as videiras são consideradas parte funcional do vinhedo e, portanto, do campo vendido.
e a produção que está ainda ligada ao solo, — Enquanto a plantação — grãos, frutos ou qualquer produto agrícola — permanece fisicamente enraizada ou ligada à terra, ela é considerada parte do próprio imóvel e é incluída na venda.
e o canavial que ocupa menos que a área de um quarto de kav (beit rova), — Um pequeno aglomerado de canas plantadas juntas, cuja área é menor que a necessária para semear um quarto de kav de sementes, é considerado insignificante demais para ter identidade própria — por isso se anula diante do campo e é vendido junto com ele.
e a cabana de vigia que não é feita de barro, — A shomerá, cabana onde o vigia do campo se abriga para proteger a colheita, quando é uma estrutura simples e não revestida de barro (portanto não muito permanente), é considerada parte funcional do campo e vendida junto com ele.
e a alfarrobeira que ainda não foi enxertada, — Uma alfarrobeira jovem que ainda não passou pelo processo de enxerto — o que normalmente ocorre quando a árvore amadurece — ainda não tem identidade e valor próprios reconhecidos, e por isso se anula diante do campo.
e o sicômoro ainda não cortado (jovem). — Da mesma forma, um sicômoro (shikma) em sua fase jovem, antes de seus galhos serem cortados pela primeira vez — processo que, uma vez feito, faz a árvore desenvolver um tronco grosso e reconhecível —, ainda não é considerado uma entidade separada, e por isso é vendido junto com o campo.
Rambam explica a finalidade prática de cada item da lista — pedras, canas, canavial, cabana, alfarrobeira e sicômoro jovem; Bartenura confirma cada definição, base para a lista de exclusões da mishná seguinte.
Rambam explica a finalidade prática de cada elemento: as pedras servem para construir cercas; as canas servem para sustentar as videiras; a área do canavial refere-se apenas ao espaço efetivamente ocupado pelas próprias canas plantadas; a cabana de vigia é uma construção simples de canas onde os guardas se sentam para proteger os frutos; e o sicômoro jovem (betulat shikma) é a árvore antes de ser cortada pela primeira vez — pois seu costume é ser cortada, e depois do corte ela brota novamente, desenvolvendo um tronco maior.
Bartenura confirma que o critério decisivo para o canavial é seu tamanho relativo — abaixo de um beit rova ele se anula diante do campo, tornando-se parte dele. Para a alfarrobeira e o sicômoro, o critério é o estágio de desenvolvimento: enquanto jovens (antes do enxerto ou do primeiro corte), ainda não têm nome nem identidade próprios que os distingam do campo; quando amadurecem, ganham status independente — como se verá na mishná seguinte.
Rashbam sobre o daf 69a esclarece a finalidade prática das pedras deixadas no campo — um detalhe agrícola que a Guemará examina antes de discutir a extensão exata do canavial incluído na venda.
Rashbam explica uma aplicação concreta das "pedras que servem ao campo": depois da colheita, os feixes de grãos são deixados no campo para secar, e pedras são colocadas sobre eles para que o vento não os disperse — essas pedras, embora tenham essa função temporária, ainda contam como uso funcional do campo. Distingue ainda entre pedras já arrumadas em fileiras (destinadas a formar uma cerca) e pedras simplesmente amontoadas: mesmo estas últimas, apesar de não estarem organizadas, são consideradas uso permanente do campo e por isso são vendidas junto com ele.