Quem compra duas árvores dentro do campo de outro não adquiriu terra. Rabi Meir diz: adquiriu terra. — A compra de apenas duas árvores plantadas no campo alheio, segundo a opinião principal, transfere apenas as árvores em si — não um pedaço de terra ao redor delas; Rabi Meir discorda e entende que sim.
Cresceram — não deve podá-las. E o que cresce do tronco é seu, mas o que cresce das raízes é do dono da terra. E se morreram, não tem direito à terra. — Segundo a opinião principal, mesmo sem ter adquirido a terra, o dono do campo não pode cortar os galhos que se espalham, pois cedeu implicitamente o espaço necessário para o crescimento natural das árvores vendidas; brotos que saem do tronco pertencem ao dono da árvore, mas brotos que saem das raízes — já dentro do solo — pertencem ao dono do campo; e se as árvores morrem, quem as comprou não tem direito de plantar outras em seu lugar, pois nunca adquiriu a terra, apenas as árvores.
Comprou três, adquiriu a terra. Cresceram, pode podá-las. E o que cresce do tronco e das raízes é seu. E se morreram, tem a terra. — Já a compra de três árvores é suficiente para constituir um "campo de árvores" próprio, incluindo o solo ao redor, entre e sob elas: por isso o dono original do campo pode podar os galhos que invadem o restante de sua terra, tudo que cresce das árvores — inclusive das raízes — pertence ao comprador, e mesmo que as árvores morram, ele continua dono do pedaço de terra, podendo plantar outras em seu lugar.
Rambam explica o raciocínio de "não deve podá-las" com base no comprometimento implícito da terra, e detalha os quatro a dezesseis côvados que definem a área adquirida com três árvores; Bartenura acrescenta o receio de confusão que motiva a proibição de podar apenas duas árvores.
Rambam explica que a proibição de podar as árvores no caso de apenas duas árvores serve para que o comprador não permita que as raízes se estendam pela terra a ponto de gerar uma terceira árvore aparente, criando pretexto para reivindicar posse do solo. O "tronco" é tudo que se vê da árvore acima do nível do solo, e as "raízes" são a parte que fica abaixo. Explica ainda que a área de terra adquirida com três árvores corresponde ao espaço entre uma árvore e outra, mais o espaço externo suficiente para o colhedor ficar de pé com seu cesto — sendo que essa regra vale quando a distância entre as árvores fica entre quatro e dezesseis côvados.
Bartenura explica que na compra simples de duas árvores, o comprador não adquire terra alguma ao redor delas — mas ainda assim o dono do campo não pode podá-las, mesmo que sua sombra prejudique sua terra, porque, não tendo o comprador terra própria, o dono do campo comprometeu implicitamente seu solo para tudo que as árvores precisarem enquanto existirem. O que cresce do tronco pertence ao dono da árvore; já brotos das raízes precisam ser cortados e queimados de imediato, por receio de que a terra se eleve até cobrir parte do broto que sai do tronco, fazendo-o parecer uma terceira árvore — o que daria ao comprador pretexto para alegar posse sobre o solo.
Rashbam sobre o daf 81a explica os termos "gezá" e "shorashim" e a lógica de que o dono do campo, ao vender três árvores, já cede implicitamente o pedaço de terra que as sustenta.
Rashbam explica que, na compra genérica de duas árvores, o comprador não adquire terra alguma ao redor — nem mesmo o lugar exato onde a árvore está fincada — de modo que é como se as tivesse comprado apenas por seus frutos: quando secarem, ele deverá arrancá-las e ir embora, sem direito algum sobre o solo. Já com três árvores, elas passam a ser consideradas um "campo de árvores" próprio. E explica a razão de o dono do campo não poder podar os galhos crescidos: como o dono das árvores não tem terra própria, o dono do campo já comprometeu seu solo, desde a venda original, para tudo que as árvores precisassem — pois foi sob essa condição implícita que ele as vendeu.