Aquele que tem uma cisterna atrás da casa de seu próximo — entra na hora em que as pessoas costumam entrar, e sai na hora em que as pessoas costumam sair. — Quando a única forma de chegar à própria cisterna é atravessando a casa alheia, o titular da cisterna deve respeitar os horários habituais de movimento da casa, sem exigir acesso a qualquer momento.
E não traz para dentro seu animal para dar-lhe de beber de sua cisterna; em vez disso, enche um balde e lhe dá de beber por fora. — É proibido conduzir o animal para dentro da casa do outro — mesmo indo até a própria cisterna — para não causar transtorno e sujeira na propriedade alheia; deve-se retirar a água e dar de beber ao animal do lado de fora.
E este faz para si uma fechadura, e aquele faz para si uma fechadura. — Tanto o dono da cisterna quanto o dono da casa podem instalar suas próprias fechaduras na porta de acesso — o primeiro para impedir que o segundo tire água sem seu conhecimento, e o segundo para impedir que o primeiro entre em sua casa sem permissão.
Rambam esclarece brevemente que se trata da mesma porta de entrada, pela qual passam tanto o dono da cisterna para chegar até ela quanto o dono da casa para entrar em sua própria residência — daí a necessidade de que cada um tenha sua própria fechadura nesse ponto de acesso compartilhado.
Bartenura esclarece que "a hora em que as pessoas costumam entrar" refere-se ao dia, e não que o dono da cisterna possa obrigar o morador a levantar-se de noite para lhe abrir a porta. Quanto às fechaduras: o dono da cisterna instala a sua para que o morador da casa não lhe roube água do poço, e o dono da casa instala outra na mesma porta que dá acesso à cisterna, para que o titular da cisterna não possa vir tirar água sem o conhecimento do morador, nem entre jamais na casa a menos que o morador esteja presente — e essa segunda fechadura foi instituída por causa da suspeita relativa à esposa do morador da casa.
Rashbam explica que o direito à cisterna atrás da casa alheia surge por herança dividida, ou porque o titular a comprou do próprio dono da casa junto com o direito de passagem. Os horários fixos de entrada e saída existem porque foi nessa condição que a divisão ou a venda ocorreu, e não para que o titular da cisterna possa obrigar o morador a se levantar de noite e abrir-lhe a porta. A proibição de trazer o animal para dentro refere-se especificamente ao interior da casa do morador, pois isso não é necessário para o uso da cisterna. Quanto às duas fechaduras: uma é feita pelo dono da cisterna, para que o morador da casa não lhe roube a água; a outra, pelo próprio morador, na mesma porta que dá acesso à cisterna, para que o titular da cisterna não possa tirar água sem que o morador esteja em casa, nem entre jamais na residência a não ser que o morador ali se encontre — instituída por causa da suspeita relativa à esposa do morador, como a Guemará explica.