Dois bois tam (inocentes) que se feriram um ao outro, pagam do excedente meio dano. Se ambos são muad (avisados), pagam do excedente dano completo. — Quando dois bois se ferem mutuamente, avalia-se o dano causado por cada um, e a diferença — o excedente do dano maior sobre o menor — é o que se paga, e não o valor total de cada dano isoladamente. Se ambos os bois são tam, aquele cujo boi causou mais dano paga metade desse excedente; se ambos são muad, paga o excedente completo.
Um tam e um muad, o muad ao tam paga do excedente dano completo, o tam ao muad paga do excedente meio dano. — Quando um dos bois é tam e o outro muad, cada um paga segundo sua própria categoria: o dono do boi muad, se seu boi causou mais dano, paga o excedente completo; o dono do boi tam, se seu boi causou mais dano, paga apenas metade do excedente — mantendo-se a distinção entre as duas categorias mesmo no cálculo do excedente.
E do mesmo modo, dois homens que se feriram um ao outro, pagam do excedente dano completo. Homem contra muad e muad contra homem, paga do excedente dano completo. — A mesma lógica do excedente se aplica quando os feridores são pessoas, ou quando uma pessoa e um boi muad se ferem mutuamente: em ambos os casos, o pagamento é do excedente completo, pois o ser humano é sempre considerado "avisado" para todo dano que causa, equiparando-se ao boi muad.
Homem contra tam e tam contra homem, o homem contra o tam paga do excedente dano completo, o tam contra o homem paga do excedente meio dano. — Quando a pessoa e um boi tam se ferem mutuamente, a pessoa — sempre avisada — paga o excedente completo se feriu mais o boi; mas o boi tam, se feriu mais a pessoa, paga apenas metade do excedente, pois seu dono ainda não recebeu aviso sobre a periculosidade do animal.
Rabi Akiva diz: também o tam que feriu um homem, paga do excedente dano completo. — Rabi Akiva discorda da regra anterior: em sua leitura do versículo bíblico sobre o boi que chifra um filho ou filha, mesmo o boi tam que fere uma pessoa paga o dano completo — e não apenas metade —, pois entende que o versículo se refere especificamente ao caso do boi já avisado a ferir pessoas. A halachá, porém, não segue Rabi Akiva.
Rambam explica o método de avaliação do excedente; Bartenura detalha a base bíblica da distinção entre tam e muad no dano a pessoas.
Rambam explica o método de cálculo: avalia-se separadamente quanto cada boi deveria pagar pelo dano que causou; se os valores forem iguais, um cancela o outro sem pagamento adicional; se um dano for maior, apenas o excedente entre os dois valores é pago por quem causou o dano maior. Rambam também esclarece a disputa entre Rabi Akiva e os sábios sobre o versículo "se chifrar um filho ou uma filha, segundo este juízo se lhe fará": os sábios entendem que ele equipara o julgamento do boi que fere uma pessoa ao do boi que fere outro boi — tam paga metade, muad paga completo —, e como já estabelecido que o ser humano é sempre avisado; Rabi Akiva entende que o versículo trata especificamente do boi muad, e que por isso mesmo o boi tam que fere uma pessoa também paga o dano completo. A halachá não segue Rabi Akiva.
Bartenura fundamenta a regra na leitura do versículo de Shemot 21: "se chifrar um filho ou uma filha, segundo este juízo se lhe fará" — comparando o julgamento do boi que fere um boi ao do boi que fere uma pessoa: assim como o tam paga metade e o muad paga completo entre bois, o mesmo se aplica quando o boi fere uma pessoa. Sobre Rabi Akiva, explica que ele lê o mesmo versículo como referindo-se ao boi já muad, de modo que todo boi que chifra uma pessoa — mesmo tam — paga o dano completo; mas a halachá não segue essa opinião.
O perush de Rashi sobre a Guemará (Bava Kamma 33a), explicando o cálculo do excedente.
Rashi explica o mecanismo de cálculo do excedente: avalia-se a diferença entre o dano causado por um boi e o causado pelo outro, e apenas sobre essa diferença — o excedente — se calcula o pagamento devido por quem causou o dano maior, seja a metade (no caso de tam) seja o valor completo (no caso de muad).
Rashi esclarece a condição para que o dono do boi muad pague o excedente completo: apenas quando o boi muad causou mais dano ao tam do que o tam causou a ele — a comparação sempre determina qual dos dois deve pagar a diferença.