Furtou perante dois, e abateu e vendeu perante eles ou perante outros dois — paga o pagamento de quatro e cinco. — Quer as mesmas duas testemunhas do furto tenham presenciado também o abate e a venda, quer tenham sido outras duas testemunhas diferentes, em ambos os casos, uma vez estabelecidos por testemunho válido tanto o furto quanto o abate ou a venda, o ladrão está obrigado ao pagamento pleno de quatro e cinco.
Furtou e vendeu em Shabat; furtou e vendeu para a idolatria; furtou e abateu em Yom Kipur; furtou do que era de seu pai e abateu e vendeu, e depois disso morreu seu pai; furtou e abateu, e depois disso consagrou — paga o pagamento de quatro e cinco. — Embora cada um desses casos envolva uma transgressão adicional — vender em Shabat, vender para servir a um ídolo, abater em Yom Kipur, ou dispor do bem antes que a herança do pai se tornasse plenamente sua —, nenhuma dessas circunstâncias anula ou reduz a obrigação civil do pagamento de quatro e cinco, que se mantém integralmente devida.
Furtou e abateu para remédio ou para cães; o que abate e é encontrado imprestável; o que abate animal não-consagrado no pátio do Templo — paga o pagamento de quatro e cinco. Rabi Shimon isenta nestes dois últimos. — Mesmo quando o abate se destina a um uso não convencional, como remédio ou alimento de cães, o pagamento de quatro e cinco continua devido, pois se trata de um abate válido do qual, em princípio, poderia ter comido. Já quando o animal se revela imprestável para consumo (trefá) após o abate, ou quando é abatido de modo não-consagrado dentro do pátio do Templo — onde tal abate é proibido —, Rabi Shimon isenta o ladrão do pagamento majorado, por considerar que um abate que não podia resultar em consumo lícito não constitui, para este fim, um abate verdadeiro.
Rambam explica por que o abate em Yom Kipur — sujeito a caret — ainda assim gera pagamento, e a base bíblica de que o ladrão responde também pelo agente que abate ou vende em seu lugar; Bartenura precisa cada circunstância caso a caso.
Rambam explica que, se o ladrão abatesse com sua própria mão em Yom Kipur, não estaria obrigado ao pagamento de quatro e cinco, pois é passível de caret — e o princípio talmudicamente estabelecido é que ninguém morre (ou apanha açoites) e paga ao mesmo tempo. Porém, ele se torna obrigado ao pagamento de quatro e cinco quando entrega o animal a outra pessoa para que ela abata em seu lugar em Yom Kipur, pois nesse caso ele próprio não incorre na transgressão pessoalmente. A prova disso está no próprio versículo da Torá, "ou o vender" — do qual a tradição derivou que o agente (shaliach) também é incluído, ou seja, que o furtador responde igualmente pelo abate ou pela venda realizados por um intermediário em seu nome.
Bartenura explica que "furtou perante dois" significa que duas testemunhas o testemunharam furtando. Quanto a "furtou e vendeu em Shabat", esclarece que o caso trata apenas da venda, pois o abate em Shabat, sendo punível com apedrejamento, faz com que a pena mais grave absorva a mais leve (o princípio de kam lei bidraba minei), isentando do pagamento civil; já o abate em Yom Kipur é diferente, pois sua transgressão intencional gera apenas caret, e não pena capital. E quanto aos "dois últimos" casos isentos por Rabi Shimon — a trefá e o abate de não-consagrado no pátio —, a razão é que Rabi Shimon considera que um abate impróprio para consumo não se qualifica como abate verdadeiro; mas o abate para remédio ou para cães é considerado um abate próprio, pois, em princípio, dele se poderia comer.
O perush de Rashi sobre a Guemará (Bava Kamma 70a).
Rashi precisa que "perante dois" significa que duas testemunhas testemunham que ele furtou.
Rashi explica que a mishná fala apenas de venda em Shabat, e não de abate, pois o abate em Shabat é punível com apedrejamento, e a pena capital absorve a obrigação de pagamento (kam lei bidraba minei). Já o abate em Yom Kipur é diferente, pois sua transgressão intencional acarreta apenas caret, e não pena capital — permitindo, portanto, que o pagamento civil se mantenha.
Rashi observa que a mishná exige que o abate e a venda tenham ocorrido antes da morte do pai; se o pai já houvesse morrido antes do abate e da venda, o filho seria isento — pois, tendo já herdado seu pai, ele estaria abatendo e vendendo algo que já era seu, não mais um bem furtado de outrem.
Rashi confirma que os "dois últimos" isentos por Rabi Shimon são a trefá e o abate de não-consagrado no pátio, pois Rabi Shimon entende que um abate impróprio para consumo não se qualifica como abate verdadeiro — diferentemente do abate para remédio ou para cães, que é considerado próprio, já que, em princípio, dele se poderia comer.