Deu-lhe o principal, e jurou a ele sobre o quinto — este paga quinto sobre quinto, até que o principal fique reduzido a menos do valor de uma peruta. — Quando o ladrão já pagou o principal mas jura falsamente que também já pagou o quinto devido por causa do primeiro juramento, esse quinto não pago passa a ser tratado como um novo principal — pois agora é ele que foi objeto de um juramento falso. Sobre esse novo principal incide, por sua vez, um novo quinto. O processo se repete a cada novo juramento falso, gerando quinto sobre quinto, até que o valor residual fique tão pequeno que não chegue ao de uma peruta — ponto em que a obrigação deixa de ter relevância jurídica.
E o mesmo vale para o depósito, como está dito: "...quanto a depósito, ou penhor, ou roubo, ou explorou seu próximo; ou achou perdido e negou, e jurou falsamente..." — este paga o principal, o quinto e a oferta de culpa. — A mishná estende o mesmo mecanismo ao depositário que nega falsamente ter recebido um depósito: a Torá o trata da mesma forma que o ladrão comum, exigindo-lhe o principal, o quinto adicional e uma oferta de culpa como parte do processo de expiação.
"Onde está meu depósito?" — disse-lhe: "perdeu-se". "Eu te faço jurar" — e disse: "amém" — e as testemunhas o atestam que o consumiu — paga o principal. — Quando o depositário nega falsamente sob juramento, mas é desmentido por testemunhas que provam que ele próprio consumiu o depósito, ele paga apenas o principal — pois a obrigação de quinto e oferta de culpa, que decorrem especificamente da confissão voluntária, não se aplicam quando é a prova testemunhal, e não o próprio confesso, que revela a verdade.
Confessou por si mesmo — paga o principal, o quinto e a oferta de culpa. — Em contraste com o caso anterior, quando é o próprio depositário quem confessa voluntariamente seu juramento falso — sem que testemunhas o tenham desmentido —, ele fica sujeito à pena completa prescrita pela Torá: o principal, o quinto adicional e a oferta de culpa, pois é exatamente esse arrependimento espontâneo que a Torá recompensa com a via da expiação plena.
A mishná cita quase integralmente a passagem de Vayikrá sobre o juramento falso — a base de toda a lei do principal, do quinto e da oferta de culpa discutida neste capítulo.
Rambam ilustra o mecanismo de quinto sobre quinto com um exemplo numérico completo; Bartenura explica os termos "tesumat yad" e "oshek" e por que só a confissão gera a obrigação de quinto e oferta de culpa.
Rambam ilustra a regra com um exemplo numérico completo: se alguém roubou quatro zuz, deve pagar cinco (o principal mais o quinto). Se pagou os quatro e jurou falsamente sobre o zuz do quinto, passa a dever esse zuz mais seu quinto — um zuz e um quarto. Se pagou o zuz e jurou sobre o quarto restante, passa a dever esse quarto mais seu quinto — um quarto de zuz mais um quarto de grão de alfarroba. Se pagou o quarto e jurou sobre a fração de alfarroba, já não fica mais obrigado, pois esse valor residual é inferior ao de uma peruta. Cada vez que jura falsamente, o texto bíblico "seu quinto acrescentará a ele" se aplica de novo, gerando quinto sobre quinto sucessivamente.
Bartenura esclarece dois termos técnicos do versículo: "tesumat yad" designa um empréstimo, e "oshek et amito" refere-se especificamente ao salário retido de um trabalhador contratado. Sobre a distinção entre confissão e testemunho, explica que o quinto e a oferta de culpa só se aplicam quando há confissão — nunca quando a culpa é estabelecida apenas por testemunhas —, pois assim está escrito a respeito do roubo do converso, na parashat Nasso: "e confessará".
O perush de Rashi sobre a Guemará (Bava Kamma 103b), comentando diretamente o mecanismo de "quinto sobre quinto" da mishná.
Rashi explica o mecanismo em duas etapas. Primeiro, "quinto sobre quinto" significa o quinto do próprio quinto — porque, uma vez jurado falsamente, o primeiro quinto se transforma juridicamente num novo principal (keren), sujeito por sua vez a um novo quinto. Segundo, explica a condição "até que se reduza": se o ladrão voltar a pagar o primeiro quinto mas jurar falsamente sobre o segundo, e depois confessar, ele paga o quinto deste e o quinto do segundo quinto — e assim indefinidamente, a cada novo ciclo de juramento falso e confissão.