Também a veste estava incluída em todos estes. Por que saiu? Para comparar a ela — para te dizer: assim como a veste é especial, por ter nela sinais e ter reclamantes, também tudo o que tenha nele sinais e tenha reclamantes, é obrigado a anunciar. — O versículo de Devarim enumera separadamente "o boi", "a ovelha", "a veste" e depois generaliza para "toda perda do teu irmão"; a veste, portanto, já estaria logicamente incluída na categoria geral, tornando sua menção explícita redundante — a não ser que sirva para ensinar algo por comparação (hekesh). A mishná extrai a lição: a veste é o caso paradigmático porque combina duas características — tem sinais próprios que permitem identificá-la (tecido, costura, remendos) e tem um dono que certamente a reclamará, já que ninguém fabrica uma veste e depois se despreocupa dela. É essa combinação — sinal mais reclamante provável — que define, em qualquer objeto, a obrigação geral de anunciar; onde falta uma das duas condições, como se viu nos casos anteriores desta lista, a obrigação cai.
O princípio hermenêutico da mishná nasce diretamente da estrutura do versículo de Devarim, que lista o boi, a ovelha e a veste antes de generalizar para "toda perda do teu irmão".
A mishná lê a estrutura do versículo como deliberadamente redundante: depois de mencionar boi, ovelha e asno, a Torá já teria dito o essencial com "toda perda do teu irmão" — bastaria isso para abranger a veste também. Ao mencioná-la separadamente, a Torá sinaliza que ela deve servir de modelo comparativo (hekesh) para toda a categoria geral: só entra em "toda perda do teu irmão", com a obrigação plena de anúncio, aquilo que compartilha com a veste as duas propriedades que a definem — ter sinal identificável e ter um dono que certamente virá reclamá-la.
Rambam define o que conta como desistência (yeush) que cancela a obrigação; Bartenura explica a lógica da comparação e o sentido de "reclamantes".
Rambam explica que a categoria geral "toda perda do teu irmão" já incluiria a veste e qualquer outra coisa; e que, quando um objeto tem sinais mas não tem "reclamantes" — isto é, quando o próprio dono já desistiu dele —, não há obrigação de devolvê-lo. Rambam define com precisão o que conta como desistência (yeush): o momento em que aquele que perdeu o objeto exclama algo como "ai de mim, que perdi tal coisa", ou expressa de qualquer forma equivalente que já abandonou a esperança de recuperá-lo.
Bartenura explica que "estavam incluídos em todos estes" refere-se à categoria geral de "toda perda do teu irmão", e que "por que saiu" retoma a menção específica "e assim farás com a sua veste". A veste é especial porque, sendo produto do trabalho humano e não algo que simplesmente aparece na natureza, tem necessariamente sinais próprios de fabricação, e seu dono certamente a reclama. A expressão "tudo o que tenha reclamantes" serve para excluir o objeto de que o dono já desistiu — e Bartenura ilustra o que conta como desistência ouvível: quando se ouve o próprio dono lamentar, dizendo algo como "ai de mim, por essa perda de dinheiro".