A oná'á: quatro prata de vinte e quatro prata por sela, um sexto do valor da mercadoria. — A sela vale vinte e quatro moedas de prata (ma'á); a diferença que caracteriza a oná'á é de quatro dessas moedas — exatamente um sexto do preço total. Abaixo desse limiar, a diferença de preço é tolerada como parte normal do comércio; a partir dele, configura-se exploração que dá direito à reclamação.
Até quando é permitido devolver? Até o tempo suficiente para mostrar a um comerciante ou a um parente. — A parte lesada tem um prazo limitado para reclamar: o tempo razoável para levar a mercadoria a um especialista do ramo ou a um parente que entenda de preços, e assim confirmar se de fato houve exploração. Passado esse prazo sem reclamação, presume-se que ela concordou tacitamente com o preço.
Rabi Tarfon ensinou em Lod: a oná'á é oito prata por sela, um terço do valor da mercadoria — e os comerciantes de Lod se alegraram. — Rabi Tarfon propôs um padrão mais permissivo, elevando o limiar de tolerância para um terço do preço — o que, à primeira vista, favorecia os comerciantes, que passariam a poder cobrar mais sem incorrer em oná'á.
Disse-lhes: o dia inteiro é permitido devolver. Disseram-lhe: deixe-nos Rabi Tarfon em nosso costume, e voltaram às palavras dos sábios. — Mas Rabi Tarfon também estendeu, em contrapartida, o prazo para reclamação — todo o dia, em vez do tempo limitado de mostrar a um especialista. Percebendo que essa extensão do prazo lhes seria, na prática, mais prejudicial do que vantajoso o limiar mais alto — pois compradores insatisfeitos teriam o dia inteiro para exigir a devolução —, os próprios comerciantes de Lod pediram para manter o padrão tradicional dos sábios.
Rambam esclarece que o padrão de um sexto vale tanto para a diferença no dinheiro quanto no valor da mercadoria, e que o comprador só pode reclamar dentro do prazo curto, enquanto o vendedor pode reclamar a qualquer momento; Bartenura confirma que a halachá não segue Rabi Tarfon.
Rambam explica que a oná'á de um sexto se configura tanto quando a diferença está no lado do dinheiro pago quanto no lado do valor da mercadoria — não há distinção técnica entre as duas formas de calcular a fração. Tanto o comprador quanto o vendedor podem reclamar essa diferença, mas o comprador só tem o prazo limitado de mostrar a mercadoria a um comerciante ou parente, enquanto o vendedor pode reclamar mesmo depois de muitos dias — porque, não tendo mais a mercadoria em mãos, ele só descobre o engano quando lhe surge a oportunidade de comparar seu preço com algo semelhante. A halachá não segue Rabi Tarfon.
Bartenura calcula: a sela contém vinte e quatro moedas de prata (seis por dinar, quatro dinares por sela) — e a diferença de quatro dessas moedas é exatamente um sexto do preço. Quanto ao prazo, se o comprador demorar mais do que o necessário para mostrar a mercadoria a um comerciante ou parente, considera-se que ele perdoou (mechilá) a diferença. Já o vendedor pode sempre reclamar, pois não tem mais a mercadoria em mãos para compará-la. Sobre o episódio de Lod, Bartenura explica que os comerciantes, peritos no ramo e acostumados a vender por preços mais altos, inicialmente se alegraram com o padrão mais permissivo de Rabi Tarfon — mas a halachá não o segue.
Rashi, em Bava Metzia 49b, precisa os termos técnicos da mishná: o valor exato da oná'á em moedas, o prazo de reclamação, e o contexto da alegria (e posterior recuo) dos comerciantes de Lod.
Rashi calcula o valor exato: as quatro moedas de prata da oná'á equivalem a um sexto do preço, já que uma sela vale vinte e quatro dessas moedas (seis por dinar). Ele observa que a mishná usa deliberadamente a expressão “é permitido devolver” — não meramente “deve devolver” — para indicar que, dentro do prazo, o comprador nem sequer precisa recorrer à admoestação pública “mi shepará”: tem o direito pleno e automático de exigir a devolução da mercadoria ou o pagamento da diferença. Passado o tempo de mostrá-la a um comerciante ou parente, presume-se que ele perdoou a diferença. E quanto ao episódio de Lod, Rashi explica que os comerciantes, sendo peritos no ramo e acostumados a vender por preços altos, se alegraram inicialmente com a proposta mais permissiva de Rabi Tarfon.