Aquele que contrata os artesãos [por empreitada], e eles desistiram [no meio do trabalho] — a mão deles está por baixo. — "Mão por baixo" é a expressão da mishná para "estar em desvantagem": se, após a desistência, o preço da mão de obra subiu e não se encontra quem termine o serviço pelo valor restante combinado, os trabalhadores que desistiram perdem, do que já receberam, tudo o que for necessário para cobrir a diferença até a conclusão do trabalho.
Se é o dono da casa que desiste, a mão dele está por baixo. — Simetricamente, se é o empregador quem desiste do contrato, ele paga aos trabalhadores pelo que já fizeram — e, se o preço da mão de obra baixou nesse meio-tempo, ainda assim deve completar o valor originalmente combinado, além do necessário para terminar o serviço com outros.
Todo aquele que muda [os termos combinados], sua mão está por baixo. — O princípio se estende a qualquer alteração unilateral do que foi acordado — por exemplo, quem entrega lã ao tintureiro para tingi-la de vermelho, e este a tinge de preto: quem mudou o combinado recebe o menor entre o valor da melhoria e o valor gasto, nunca o que teria recebido se tivesse cumprido o pedido original.
E todo aquele que desiste, sua mão está por baixo. — A mishná fecha com a formulação mais ampla do princípio, que Bartenura estende, por exemplo, à venda de terra: se o vendedor recebeu parte do pagamento e depois desiste, o comprador escolhe entre receber o dinheiro de volta ou tomar terra correspondente ao valor já pago; e se é o comprador que desiste, é o vendedor quem escolhe.
Rambam calcula, com exemplos numéricos, como se distribui a desvantagem entre trabalhadores e empregador; Bartenura estende o princípio "quem muda" ao caso do tintureiro, e "quem desiste" à compra e venda de terras.
Rambam ilustra com um exemplo: contratou ceifeiros por dois dinares e já lhes pagou um. Se desistirem tendo ceifado metade do campo, avalia-se o valor dessa metade; se vale mais do que o dinar já pago, ainda lhes é devido algo, mas nunca o segundo dinar completo — o empregador pode dizer "terminem vocês mesmos a colheita e completo o pagamento", e só então, se o preço de mercado subiu, os primeiros trabalhadores arcam com a diferença de contratar substitutos. Se, ao contrário, é o dono da casa quem desiste, ele paga aos trabalhadores o valor integral de seu esforço, mesmo que ultrapasse o dinar já entregue.
Bartenura ilustra "quem muda" com o caso do tintureiro: recebeu lã para tingir de vermelho e a tingiu de preto. Se a valorização da lã (o tingimento em si) supera o custo dos materiais usados, recebe apenas o custo da lenha e dos corantes, não o salário completo combinado para o tingimento correto; e se o custo superou a valorização, recebe apenas o valor da valorização. E ilustra "quem desiste" com a venda de terra: se o vendedor recebeu parte do preço e desiste, é o comprador quem escolhe — receber o dinheiro de volta, ou tomar terra equivalente ao que já pagou; e o inverso se é o comprador que desiste.
Rashi, em Bava Metzia 75b, detalha exatamente o cálculo de "mão por baixo" para os trabalhadores e para o empregador que desistem.
Rashi confirma que se trata de uma empreitada por valor fixo, e que a desistência ocorre depois de já realizada parte do trabalho. Explica o cálculo de "mão por baixo": se a mão de obra encareceu e não há quem termine pelo restante do valor combinado, o empregador desconta do que os trabalhadores já ganharam tudo o que precisar gastar para completar o serviço; mas se a mão de obra baratear e alguém aceitar terminar por menos, avalia-se o trabalho já feito e paga-se proporcionalmente — por exemplo, metade do serviço, metade do salário — sem que os trabalhadores possam exigir o valor total menos apenas o que os substitutos cobrarão.