Aquele que toma emprestada a vaca — tomou-a emprestada meio dia e a alugou meio dia; tomou-a emprestada hoje e a alugou amanhã; alugou uma e tomou outra emprestada — e ela morreu: se o locador diz "a emprestada morreu", "morreu no dia em que estava emprestada", "morreu na hora em que estava emprestada", e o outro diz "não sei", é responsável. — Quando o dono afirma com certeza que foi a vaca emprestada (regime mais gravoso) que morreu, e o tomador não consegue contestar porque não sabe, a alegação do dono prevalece e o tomador paga — a Guemará explica que este caso pressupõe uma situação de confissão parcial (como duas vacas entregues, uma emprestada e uma alugada, ambas mortas no período de empréstimo, com o tomador admitindo uma e duvidando da outra), que gera obrigação de juramento; e como o tomador não pode jurar por não saber, ele acaba pagando.
Se o locatário diz "a alugada morreu", "morreu no dia em que estava alugada", "morreu na hora em que estava alugada", e o outro diz "não sei", está isento. — Aqui a lógica se inverte: quem alega o regime mais leve (aluguel) é o próprio devedor potencial, e quem não sabe é o credor — não havendo confissão que obrigue a juramento, prevalece a regra geral de que o ônus da prova cabe a quem reclama, e o locatário fica isento.
Se este diz "emprestada" e aquele diz "alugada", o locatário jura que a alugada morreu. — Quando ambos afirmam com certeza, mas em sentido oposto, a Guemará explica que o juramento aqui não é o juramento simples sobre a alegação em disputa — pois o que um alega o outro não confirma —, mas sim um juramento dos guardiões (que a vaca morreu de morte natural, sem negligência), ao qual se agrega por extensão (gilgul) a afirmação de que era a alugada que morreu.
Se este diz "não sei" e aquele diz "não sei", dividem. — Quando nenhuma das partes consegue afirmar com certeza qual vaca morreu, a mishná segue a opinião de Sumchos, para quem dinheiro em disputa sem prova decisiva de nenhum dos lados se divide — posição que, como os comentaristas notam, não é a halachá final; esta segue a regra geral de que quem quer extrair de outrem deve provar sua alegação, e na ausência de prova o réu apenas presta o juramento de que não sabe, ficando isento.
Rambam explica que o caso da mishná só faz sentido à luz de um princípio geral de juramentos: quem alega "tenho cem em suas mãos" e o outro responde "não sei" fica isento tanto de pagar quanto de jurar pela Torá (jurando apenas o juramento rabínico de heset). Mas se a resposta for parcial — "cinquenta reconheço, cinquenta não sei" — surge a obrigação de juramento por confissão parcial (modeh be-miktzat); e como o próprio réu está em dúvida sobre a parte restante, ele não pode prestar esse juramento, e a regra geral determina que quem deve jurar e não pode jurar, paga. É exatamente esse mecanismo — não a leitura simples do texto — que explica por que, no primeiro caso da mishná, o tomador que diz "não sei" acaba pagando. Quanto à cláusula final "dividem", Rambam identifica-a como a opinião de Sumchos (dinheiro em dúvida se divide), posição rejeitada em favor do princípio de que o ônus da prova recai sobre quem reclama.
Bartenura confirma que a mishná não pode ser lida em seu sentido simples, pois a regra geral isenta quem responde "não sei" mediante juramento rabínico leve. A Guemará reinterpreta o caso: trata-se de duas vacas — uma emprestada e uma alugada — entregues ao tomador, ambas mortas durante o período de empréstimo, com o tomador confirmando a morte de uma delas nesse período e duvidando da outra; essa confissão parcial gera obrigação de juramento pela Torá, que o tomador não pode prestar por estar em dúvida, e por isso paga. Sobre o juramento do locatário quando as partes discordam quanto ao regime, Bartenura explica que se trata de um juramento por extensão (gilgul): ao locatário já cabe jurar, como guardião, que o animal morreu de causas naturais sem sua negligência — e a esse juramento obrigatório agrega-se, por extensão, a afirmação de que era especificamente a vaca alugada que morrera.
Rashi identifica precisamente a qual cláusula da mishná cada frase do locador se refere: "a emprestada morreu" corresponde ao caso em que o tomador alugou uma vaca e tomou outra emprestada (duas vacas simultâneas); já "morreu no dia em que estava emprestada" corresponde ao caso em que a mesma vaca foi tomada emprestada hoje e alugada amanhã — a incerteza aqui não é sobre qual vaca, mas sobre qual dia.