Aquele que recebe um campo de seu companheiro, sendo ele um campo irrigado ou um campo de árvore, secou a fonte ou foi cortada a árvore, não desconta de seu arrendamento. — Se o contrato apenas identificou o campo como sendo, genericamente, do tipo irrigado por fonte (bet hashelachin) ou plantado de árvores (bet ha'ilan) — sem apontar para aquele campo específico como o objeto exato da transação —, e depois a fonte secou ou a árvore foi cortada, o arrendatário não tem direito a nenhum desconto: ele continua obrigado a pagar o valor integral combinado, pois recebeu, afinal, um campo que ainda merece aquela classificação genérica.
Se lhe disse: 'Arrenda para mim este campo irrigado' ou 'este campo de árvore', secou a fonte ou foi cortada a árvore, desconta de seu arrendamento. — Mas se o arrendatário, ao contratar, apontou especificamente para aquele campo determinado e disse 'este campo irrigado' ou 'este campo de árvore' — revelando que sua intenção declarada era justamente a irrigação ou o rendimento daquela árvore em particular —, então a perda da fonte ou da árvore frustra a condição essencial pela qual ele aceitou o contrato, e ele tem direito a um desconto proporcional no valor do arrendamento.
Rambam abre esta mishná esclarecendo a terminologia técnica do arrendamento agrícola: o socher paga um valor fixo em dinheiro; o mekabel recebe uma parte proporcional da colheita (aricultura); e o chocher paga uma quantidade fixa de produtos agrícolas, independentemente do rendimento real do campo — sendo que o termo 'mekabel' usado nas mishnayot deste perek pode designar, conforme o contexto, qualquer uma dessas modalidades. Quanto à mishná em si, explica que mencionar a condição de 'campo irrigado' revela a intenção de que o campo permaneça nesse estado enquanto durar o arrendamento; por isso, se essa condição se perde, o valor a pagar deve ser reduzido.
Bartenura define 'campo irrigado' como terra árida que não recebe água suficiente da chuva e depende de irrigação artificial de uma fonte, e explica que o campo com árvores é especialmente atraente para o meeiro porque ele recebe parte dos frutos sem precisar trabalhar por eles. A diferença entre os dois casos da mishná está no grau de especificidade da declaração inicial: dizer apenas que o campo é 'irrigado' ou 'arborizado', em termos gerais, não revela que o contratante valorizou o campo por causa dessas características; mas dizer 'arrenda para mim este campo irrigado', apontando-o especificamente, revela que ele o valorizou justamente por isso.
Rashi confirma a definição técnica de campo irrigado como terra seca que depende da fonte para ser cultivada, e reforça o raciocínio central da mishná: a diferença entre os dois cenários está inteiramente no que a declaração inicial revela sobre a intenção do arrendatário — mencionar o tipo de campo em termos gerais não demonstra que ele pagou a mais por causa da fonte ou da árvore, mas apontar especificamente para aquele campo, chamando-o de 'este campo irrigado', demonstra que ele valorizou o arrendamento precisamente por essa característica.