Aquele que separa o resgate do primogênito de burro, e o cordeiro morre: Rabi Eliezer diz, são responsáveis por ele, como as cinco selas do filho. E os sábios dizem: não são responsáveis por ele, como o resgate do segundo dízimo. Testemunharam Rabi Yehoshua e Rabi Tzadok sobre o resgate do primogênito de burro que morreu, que não há aqui nada para o sacerdote.
— Uma vez separado o cordeiro de resgate, mas antes de entregá-lo ao sacerdote, ele morre nas mãos do dono. Rabi Eliezer compara essa obrigação à das cinco selaim do resgate do filho primogênito humano: assim como ali, se o dinheiro se perde antes de chegar ao sacerdote, o pai continua obrigado a pagar de novo, também aqui o dono continua responsável e deve dar outro cordeiro. Os sábios discordam, comparando o caso ao resgate do segundo dízimo: uma vez que o dono designou o dinheiro (ou, aqui, o cordeiro) para o resgate, a santidade se transfere de imediato, e a perda posterior já não é da responsabilidade do dono. O testemunho de Rabi Yehoshua e Rabi Tzadok confirma a posição dos sábios: uma vez designado o cordeiro, o primogênito de burro já está resgatado, e o sacerdote nada mais tem a reclamar se o cordeiro vier a morrer.
Morreu o primogênito de burro: Rabi Eliezer diz, deve ser sepultado, e é permitido beneficiar-se do cordeiro. E os sábios dizem: não precisa ser sepultado, e o cordeiro é do sacerdote.
— Aqui o caso se inverte: o cordeiro já foi designado, mas é o próprio primogênito de burro que morre antes da entrega. Rabi Eliezer, coerente com sua posição anterior de que o dono permanece responsável até a entrega efetiva, considera que o burro morto ainda carregava a santidade da primogenitura e por isso deve ser sepultado como algo proibido ao benefício — mas, em compensação, como não houve resgate completo, o cordeiro permanece livre para uso do próprio dono. Os sábios, coerentes com sua posição de que a designação do cordeiro já transferiu a santidade, consideram que o burro já estava efetivamente resgatado no momento em que morreu, e por isso não precisa ser sepultado; mas, por essa mesma razão, o cordeiro já pertence de fato ao sacerdote.
Rambam explica que, segundo Rabi Eliezer, “são responsáveis por ele” significa que o dono deve trazer um cordeiro à mão do sacerdote, e se o cordeiro morre antes de chegar a essa mão, deve pagar outro cordeiro — pois Rabi Eliezer equipara o primogênito de burro ao primogênito humano. Já os sábios entendem que o versículo “resgatarás, sim, resgatarás o primogênito humano, e o primogênito do animal impuro resgatarás” equipara os dois apenas quanto à exigência do resgate em si, e não quanto a essa responsabilidade adicional. Rambam conclui que o testemunho de Rabi Yehoshua e Rabi Tzadok é verdadeiro, e que a lei em ambos os casos segue os sábios.
Bartenura explica a comparação de Rabi Eliezer com as cinco selas do resgate do filho, em que o pai é responsável se o dinheiro se perder; e a comparação dos sábios com o resgate do segundo dízimo, em que, uma vez designado o dinheiro para ser gasto em Jerusalém, sua perda posterior já não gera nova obrigação. Bartenura conclui que a lei segue os sábios em ambos os casos desta mishná — tanto quanto ao cordeiro que morre antes de chegar ao sacerdote, quanto quanto ao próprio primogênito de burro que morre depois de o cordeiro já ter sido designado.
Rashi explica, na discussão da Guemará que precede esta mishná, que a mitzvá de resgatar o primogênito de burro é, em princípio, imediata; a menção de que não há transgressão em avaliações (arachin) e no primogênito de burro antes de trinta dias significa apenas que, até esse prazo, o dono ainda não transgride por não tê-lo resgatado — mas, passados os trinta dias, já transgride. Esse pano de fundo sobre a urgência do resgate ilumina a disputa da mishná sobre a responsabilidade do dono quando o cordeiro separado, ou o próprio primogênito de burro, morre antes que o resgate se complete.