Seder Kodashim · Massechet Bechorot · Perek Alef · Mishná 6 de 7

O cordeiro do resgate ou o próprio primogênito que morrem antes da entrega

הַמַּפְרִישׁ פִּדְיוֹן פֶּטֶר חֲמוֹר וּמֵת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

O cordeiro separado para o resgate que morre antes de chegar ao sacerdote

Aquele que separa o resgate do primogênito de burro, e o cordeiro morre: Rabi Eliezer diz, são responsáveis por ele, como as cinco selas do filho. E os sábios dizem: não são responsáveis por ele, como o resgate do segundo dízimo. Testemunharam Rabi Yehoshua e Rabi Tzadok sobre o resgate do primogênito de burro que morreu, que não há aqui nada para o sacerdote.

— Uma vez separado o cordeiro de resgate, mas antes de entregá-lo ao sacerdote, ele morre nas mãos do dono. Rabi Eliezer compara essa obrigação à das cinco selaim do resgate do filho primogênito humano: assim como ali, se o dinheiro se perde antes de chegar ao sacerdote, o pai continua obrigado a pagar de novo, também aqui o dono continua responsável e deve dar outro cordeiro. Os sábios discordam, comparando o caso ao resgate do segundo dízimo: uma vez que o dono designou o dinheiro (ou, aqui, o cordeiro) para o resgate, a santidade se transfere de imediato, e a perda posterior já não é da responsabilidade do dono. O testemunho de Rabi Yehoshua e Rabi Tzadok confirma a posição dos sábios: uma vez designado o cordeiro, o primogênito de burro já está resgatado, e o sacerdote nada mais tem a reclamar se o cordeiro vier a morrer.

הַמַּפְרִישׁ פִּדְיוֹן פֶּטֶר חֲמוֹר וּמֵת, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, חַיָּבִין בְּאַחֲרָיוּתוֹ, כַּחֲמֵשׁ סְלָעִים שֶׁל בֵּן. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, אֵין חַיָּבִין בְּאַחֲרָיוּתוֹ, כְּפִדְיוֹן מַעֲשֵׂר שֵׁנִי. הֵעִיד רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ וְרַבִּי צָדוֹק עַל פִּדְיוֹן פֶּטֶר חֲמוֹר שֶׁמֵּת, שֶׁאֵין כָּאן לַכֹּהֵן כְּלוּם.
O próprio primogênito de burro que morre depois de o cordeiro já ter sido designado

Morreu o primogênito de burro: Rabi Eliezer diz, deve ser sepultado, e é permitido beneficiar-se do cordeiro. E os sábios dizem: não precisa ser sepultado, e o cordeiro é do sacerdote.

— Aqui o caso se inverte: o cordeiro já foi designado, mas é o próprio primogênito de burro que morre antes da entrega. Rabi Eliezer, coerente com sua posição anterior de que o dono permanece responsável até a entrega efetiva, considera que o burro morto ainda carregava a santidade da primogenitura e por isso deve ser sepultado como algo proibido ao benefício — mas, em compensação, como não houve resgate completo, o cordeiro permanece livre para uso do próprio dono. Os sábios, coerentes com sua posição de que a designação do cordeiro já transferiu a santidade, consideram que o burro já estava efetivamente resgatado no momento em que morreu, e por isso não precisa ser sepultado; mas, por essa mesma razão, o cordeiro já pertence de fato ao sacerdote.

מֵת פֶּטֶר חֲמוֹר, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, יִקָּבֵר, וּמֻתָּר בַּהֲנָאָתוֹ שֶׁל טָלֶה. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, אֵינוֹ צָרִיךְ לְהִקָּבֵר, וְהַטָּלֶה לַכֹּהֵן.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Bechorot 1:6
המפריש פדיון פטר חמור ומת ר' אליעזר אומר כו': “חייב באחריותו” הוא שיהא חייב להביא טלה ביד כהן, ואם מת הטלה קודם שיגיע ליד כהן חייב לשלם טלה אחר לכהן, על דעת רבי אליעזר, לפי שהוא מקיש בכור חמור לבכור אדם. וחכמים אומרים: “אך פדה תפדה את בכור האדם ואת בכור הבהמה הטמאה תפדה” — לפדיה הקשתיו ולא לדבר אחר. ועדות זה אמת, והלכה בכולן כחכמים.

Rambam explica que, segundo Rabi Eliezer, “são responsáveis por ele” significa que o dono deve trazer um cordeiro à mão do sacerdote, e se o cordeiro morre antes de chegar a essa mão, deve pagar outro cordeiro — pois Rabi Eliezer equipara o primogênito de burro ao primogênito humano. Já os sábios entendem que o versículo “resgatarás, sim, resgatarás o primogênito humano, e o primogênito do animal impuro resgatarás” equipara os dois apenas quanto à exigência do resgate em si, e não quanto a essa responsabilidade adicional. Rambam conclui que o testemunho de Rabi Yehoshua e Rabi Tzadok é verdadeiro, e que a lei em ambos os casos segue os sábios.

Bartenura · Bechorot 1:6
כְּחָמֵשׁ סְלָעִים שֶׁל פִּדְיוֹן הַבֵּן. דְּחַיָּב בְּאַחֲרָיוּתוֹ. — כְּפִדְיוֹן מַעֲשֵׂר שֵׁנִי. דְּאִם אָבַד אֵינוֹ חַיָּב בְּאַחֲרָיוּתוֹ, דְּהַהִיא כֶּסֶף חַיְּבֵיהּ רַחֲמָנָא לֶאֱכֹל בִּירוּשָׁלַיִם וְהָא אֲזַל לֵיהּ. — שֶׁאֵין כָּאן לַכֹּהֵן כְּלוּם. שֶׁאֵין חַיָּב בְּאַחֲרָיוּתוֹ, כְּרַבָּנָן, וְכֵן הֲלָכָה.

Bartenura explica a comparação de Rabi Eliezer com as cinco selas do resgate do filho, em que o pai é responsável se o dinheiro se perder; e a comparação dos sábios com o resgate do segundo dízimo, em que, uma vez designado o dinheiro para ser gasto em Jerusalém, sua perda posterior já não gera nova obrigação. Bartenura conclui que a lei segue os sábios em ambos os casos desta mishná — tanto quanto ao cordeiro que morre antes de chegar ao sacerdote, quanto quanto ao próprio primogênito de burro que morre depois de o cordeiro já ter sido designado.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רש״י
Bechorot 13a, sobre a Guemará desta mishná
רב ששת אמר — לעולם מצות פדייה לאלתר, והאי דקתני “אין בערכין ופטר חמור פחות משלושים” שאינו עובר עליו עד שלושים יום, מכאן ואילך עובר.

Rashi explica, na discussão da Guemará que precede esta mishná, que a mitzvá de resgatar o primogênito de burro é, em princípio, imediata; a menção de que não há transgressão em avaliações (arachin) e no primogênito de burro antes de trinta dias significa apenas que, até esse prazo, o dono ainda não transgride por não tê-lo resgatado — mas, passados os trinta dias, já transgride. Esse pano de fundo sobre a urgência do resgate ilumina a disputa da mishná sobre a responsabilidade do dono quando o cordeiro separado, ou o próprio primogênito de burro, morre antes que o resgate se complete.