Se ficou lesada a bolsa genital, ou a genitália de uma fêmea entre os animais consagrados; se a cauda ficou lesada a partir do osso, mas não a partir da articulação; ou se a ponta da cauda deixa o osso exposto; ou se há entre uma vértebra e outra o espaço de um dedo inteiro.
— A bolsa (zovan) é o invólucro que protege os órgãos genitais do macho; sua lesão é mácula porque não sara. A mishná estende o mesmo princípio à genitália externa da fêmea, mas especifica “entre os animais consagrados”, pois o primogênito, por definição, é sempre macho — a regra da fêmea vale para outras oferendas, como os sacrifícios de paz. Quanto à cauda: uma lesão no osso da cauda é mácula, porque o osso não regenera, mas uma lesão apenas na articulação entre vértebras cicatriza normalmente e não desqualifica. Já se a ponta da cauda perde a pele e a carne e o osso fica exposto, isso é mácula mesmo sendo uma lesão pequena, justamente porque está na extremidade, onde não há mais cicatrização possível. E, por fim, se as vértebras da cauda estão anormalmente espaçadas — um dedo inteiro de carne entre uma e outra — isso também é mácula, sinal de má-formação estrutural.
Rambam explica o zovan como o invólucro pendente ao redor do órgão genital do macho, do qual a lesão é mácula — mas se a própria bolsa é totalmente removida, ou se apenas o próprio membro é lesado, não é mácula, por não ser saliente da forma exigida. Explica que a genitália da fêmea, sendo saliente na superfície do corpo, segue a mesma regra, mas se aplica apenas a outras oferendas, já que o primogênito nunca é fêmea. E descreve “mafetzil etzem” como a ponta da cauda dividida em duas, cada uma com seu próprio osso.
Bartenura precisa que a lesão da bolsa é mácula porque não sara, mas sua remoção total não é, pois o órgão volta ao normal. Localiza a regra da fêmea nas demais oferendas com fêmea, como os sacrifícios de paz, já que o primogênito nunca é fêmea. E explica por que a lesão na articulação da cauda não é mácula (ela cicatriza, “sobe carne nova”), ao passo que a exposição do osso na ponta, mesmo pequena, já o é, por não haver mais cicatrização possível naquele ponto.
Rashi identifica o zovan como o invólucro onde a bolsa fica escondida, e precisa que a regra da fêmea entre os consagrados vale para oferendas como os sacrifícios de paz, onde há fêmeas, e não para o primogênito, que nunca é fêmea. Explica a diferença entre a lesão na articulação (que cicatriza, “sobe carne nova”, quando não corta a cauda por completo) e a exposição do osso na ponta da cauda, e liga a palavra “mafetzil” à mesma raiz usada em Bereshit 30 para “descascar”.