Seder Kodashim · Massechet Bechorot · Perek Vav · Mishná 5 de 12

A bolsa genital, a cauda e o espaçamento entre as vértebras

נִפְגַּם הַזּוֹבָן, נִפְגַּם הַזָּנָב מִן הָעֶצֶם
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A bolsa genital, a cauda e o espaçamento entre as vértebras

Se ficou lesada a bolsa genital, ou a genitália de uma fêmea entre os animais consagrados; se a cauda ficou lesada a partir do osso, mas não a partir da articulação; ou se a ponta da cauda deixa o osso exposto; ou se há entre uma vértebra e outra o espaço de um dedo inteiro.

— A bolsa (zovan) é o invólucro que protege os órgãos genitais do macho; sua lesão é mácula porque não sara. A mishná estende o mesmo princípio à genitália externa da fêmea, mas especifica “entre os animais consagrados”, pois o primogênito, por definição, é sempre macho — a regra da fêmea vale para outras oferendas, como os sacrifícios de paz. Quanto à cauda: uma lesão no osso da cauda é mácula, porque o osso não regenera, mas uma lesão apenas na articulação entre vértebras cicatriza normalmente e não desqualifica. Já se a ponta da cauda perde a pele e a carne e o osso fica exposto, isso é mácula mesmo sendo uma lesão pequena, justamente porque está na extremidade, onde não há mais cicatrização possível. E, por fim, se as vértebras da cauda estão anormalmente espaçadas — um dedo inteiro de carne entre uma e outra — isso também é mácula, sinal de má-formação estrutural.

נִפְגַּם הַזּוֹבָן, אוֹ עֶרְיָה שֶׁל נְקֵבָּה בַּמֻּקְדָּשִׁים, נִפְגַּם הַזָּנָב מִן הָעֶצֶם, אֲבָל לֹא מִן הַפֶּרֶק, אוֹ שֶׁהָיָה רֹאשׁ הַזָּנָב מַפְצִיל עֶצֶם, אוֹ שֶׁיֵּשׁ בֵּין חֻלְיָא לְחֻלְיָא מְלֹא אֶצְבַּע:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Bechorot 6:5
נפגם הזובן או עריה של נקבה במוקדשים כו': זובן הוא העור התלוי בזכרות הבהמה שהגיד מתקשה משם ואם נחתך הכיס מעיקרו אינו מום ואם נפגם הגיד עצמו אינו מום... ועריה כלי הנקבות הבולט ממנו על שטח הגוף נפגם: ומה שאמר במוקדשים לפי שהבכור לא יהיה אלא זכר... מפציל עצם שיהא קצה של זנב כשתי זנבות ובכל אחד משתיהן עצם או שיהיו החוליות רחוקות זו מזו כמו שאמר:

Rambam explica o zovan como o invólucro pendente ao redor do órgão genital do macho, do qual a lesão é mácula — mas se a própria bolsa é totalmente removida, ou se apenas o próprio membro é lesado, não é mácula, por não ser saliente da forma exigida. Explica que a genitália da fêmea, sendo saliente na superfície do corpo, segue a mesma regra, mas se aplica apenas a outras oferendas, já que o primogênito nunca é fêmea. E descreve “mafetzil etzem” como a ponta da cauda dividida em duas, cada uma com seu próprio osso.

Bartenura · Bechorot 6:5
הַזּוֹבָן. הַנַּרְתֵּק שֶׁהַגִּיד שֶׁל בְּהֵמָה חָבוּי בּוֹ. כְּשֶׁנִּפְגַּם הָוֵי מוּם דְּלֹא הָדַר בָּרִיא, אֲבָל נִטַּל לֹא הָוֵי מוּם, דְּחוֹזֵר לְאֵיתָנוֹ: עֶרְיָה שֶׁל נְקֵבָה. בֵּית הָעֶרְוָה הַבּוֹלֵט לַחוּץ: בְּמֻקְדָּשִׁים. בִּשְׁאָר קָדָשִׁים שֶׁיֵּשׁ בָּהֶן נְקֵבָה, כְּגוֹן שְׁלָמִים, דְּאִלּוּ בַבְּכוֹר לֵיכָּא נְקֵבָה: אֲבָל לֹא מִן הַפֶּרֶק. דְּנִפְגַּם בֵּין הַפְּרָקִים מַעֲלֶה אֲרוּכָה, כְּשֶׁלֹּא נֶחְתַּךְ כָּל הַזָּנָב: אוֹ שֶׁהָיָה רֹאשׁ הַזָּנָב מַפְצִיל עֶצֶם. הַזָּנָב הַתָּלוּי לְמַטָּה נִקְלַף הָעוֹר וּבָשָׂר וְנִשְׁאַר הָעֶצֶם מְגֻלֶּה, שׁוּב אֵין מַעֲלֶה אֲרוּכָה: וּבֵין חֻלְיָא לְחֻלְיָא מְלֹא אֶצְבָּע. שֶׁחֻלְיוֹת שֶׁל זָנָב רְחוֹקוֹת זוֹ מִזּוֹ מְלֹא אֶצְבַּע, דְּהַיְנוּ רֹחַב גֻּדָל:

Bartenura precisa que a lesão da bolsa é mácula porque não sara, mas sua remoção total não é, pois o órgão volta ao normal. Localiza a regra da fêmea nas demais oferendas com fêmea, como os sacrifícios de paz, já que o primogênito nunca é fêmea. E explica por que a lesão na articulação da cauda não é mácula (ela cicatriza, “sobe carne nova”), ao passo que a exposição do osso na ponta, mesmo pequena, já o é, por não haver mais cicatrização possível naquele ponto.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ"י
Sobre a Guemará, Bechorot 39b
מַתְנִי' הַזּוֹבָן — זֶהוּ נַרְתֵּק שֶׁהַכִּיס חָבוּי בּוֹ: וְהָעֶרְיָה שֶׁל נְקֵבָה בַּמּוּקְדָּשִׁין — בִּשְׁאָר קָדָשִׁים שֶׁיֵּשׁ בָּהֶן נְקֵבָה דִּבְכוֹר לֵיכָּא נְקֵבָה וּבִשְׁלָמִים דְּאִיכָּא נְקֵבָה נִפְגְּמָה הָעֶרְיָה הָוֵי מוּם: מִן הַפֶּרֶק — אִם נִפְגַּם בֵּין הַפְּרָקִים מַעֲלֶה אֲרוּכָה אִם לֹא נֶחְתַּךְ כָּל הַזָּנָב אֶלָּא נִפְגַּם מְעַט: אוֹ שֶׁרֹאשׁ הַזָּנָב מַפְצִיל אֶת הָעֶצֶם — רֹאשׁ הַתָּלוּי לְמַטָּה נִקְלַף הָעוֹר וּבָשָׂר וְנִשְׁאַר הָעֶצֶם מְגֻלֶּה שׁוּב אֵין מַעֲלֶה אֲרוּכָה הוֹאִיל וּבְרֹאשׁ הַזָּנָב הוּא. מַפְצִיל — כְּמוֹ אֲשֶׁר פִּצֵּל (בראשית ל):

Rashi identifica o zovan como o invólucro onde a bolsa fica escondida, e precisa que a regra da fêmea entre os consagrados vale para oferendas como os sacrifícios de paz, onde há fêmeas, e não para o primogênito, que nunca é fêmea. Explica a diferença entre a lesão na articulação (que cicatriza, “sobe carne nova”, quando não corta a cauda por completo) e a exposição do osso na ponta da cauda, e liga a palavra “mafetzil” à mesma raiz usada em Bereshit 30 para “descascar”.