O careca é desqualificado. Quem é o careca? Todo aquele que não tem uma faixa de cabelo contornando de orelha a orelha. Mas se a tem, eis que este é apto.
— A mishná define tecnicamente a calvície que desqualifica: não a simples ausência de cabelo no alto da cabeça, mas a falta de uma faixa contínua de cabelo que contorne a cabeça de uma orelha à outra, passando pela nuca. Havendo essa faixa — ainda que o topo da cabeça esteja completamente calvo — o sacerdote é apto para o serviço, pois, segundo a Guemará, essa calvície na parte de trás é vista como mais elegante do que tê-la apenas espalhada por toda a cabeça com uma faixa no meio.
Aquele que não tem sobrancelhas, ou que tem apenas uma sobrancelha — este é o giben mencionado na Torá. Rabi Dosa diz: todo aquele cujas sobrancelhas são caídas. Rabi Chanina ben Antigonos diz: todo aquele que tem duas costas e duas colunas.
— O termo bíblico giben (Vayikrá 21:20) recebe três explicações tanaíticas distintas, todas reconhecendo-o como mácula, mas discordando sobre a qual condição exatamente ele se refere: o tana anônimo o identifica com a ausência total de sobrancelhas, ou com apenas uma sobrancelha única sobre os dois olhos; Rabi Dosa o identifica com sobrancelhas compridas que caem e cobrem os olhos; e Rabi Chanina ben Antigonos, com uma coluna vertebral tão torta que parece formar duas colunas e duas costas. Todos concordam que cada uma dessas três condições é, por si só, uma mácula desqualificante — a disputa é apenas sobre qual delas a Torá quis designar especificamente pelo nome giben.
Rambam esclarece que a validade do sacerdote depende da faixa de cabelo estar atrás, junto à nuca, contornando de orelha a orelha, e não na frente. Define gvinin como as sobrancelhas, e explica que a versão de Rabi Dosa se refere a pelos das sobrancelhas tão compridos que alcançam as pálpebras. Enfatiza o ponto central da disputa: os três tanaítas não discordam sobre se essas três condições são máculas — todos concordam que são — discordam apenas sobre qual delas a Torá chamou especificamente de giben.
Bartenura precisa que a faixa de cabelo válida deve estar atrás da cabeça, não na frente, pois é mais elegante ter cabelo apenas atrás do que tê-lo em torno de toda a cabeça com um vazio calvo no meio. Explica gvinin como as sobrancelhas, e esclarece que ninguém sobrevive fisicamente com duas colunas vertebrais literais: trata-se de uma coluna tão torta que aparenta ser várias colunas e costas.
Rashi traduz gvinin ao vernáculo medieval como as sobrancelhas, e explica que sobrancelhas caídas são aquelas cujos pelos, grandes demais, ficam pendurados sobre o rosto. Observa que a leitura midráshica do versículo depende da palavra “ou” (giben ou daq): o tana anônimo lê essa partícula como incluindo tanto a falta total de sobrancelhas quanto a sobrancelha única, ao passo que Rabi Dosa não faz essa leitura expansiva a partir do “ou”.
Na sugia sobre o versículo anterior, Rashi detalha as imagens por trás de cada termo: o cilon comparado à akhlá, a tampa de barril estreita em cima e larga embaixo; o laftan ao topo do nabo, largo e afunilando para baixo; o macavan a um machado de nuca curta e arredondada; e o shekifás a alguém de quem se cortou literalmente um pedaço da cabeça.