Aquele cujos olhos são grandes como os de um bezerro, ou pequenos como os de um ganso; aquele cujo corpo é maior que seus membros, ou menor que seus membros; aquele cujo nariz é maior que seus membros, ou menor que seus membros; o tsimem, e o tsimêa. Quem é o tsimêa? Aquele cujas orelhas são pequenas. E o tsimem? Aquele cujas orelhas se assemelham a uma esponja.
— Depois das máculas de posição e forma, a mishná introduz o princípio da desproporção: cada membro do corpo do sacerdote deve guardar uma medida compatível com o restante de seu corpo. Olhos grandes como os de um bezerro ou pequenos como os de um ganso desqualificam por excesso ou falta de proporção; da mesma forma, um corpo desproporcionalmente grande ou pequeno em relação aos membros, e um nariz maior ou menor do que a medida correta — que a Guemará fixa como o comprimento do dedo mínimo da mão. A esse princípio somam-se dois tipos de orelha anômala: o tsimêa, cujas orelhas são pequenas demais, e o tsimem, cujas orelhas, por sua textura porosa e encolhida, se assemelham a uma esponja.
Rambam extrai o princípio geral: cada membro do corpo do sacerdote deve ter medida proporcional ao restante do corpo. Fixa a medida correta do nariz como o comprimento do dedo mínimo da mão, e observa que o Torat Cohanim já ensina que qualquer deformidade no nariz — protuberância, torção, ou falta na ponta — também é considerada mácula. Explica que a comparação com a esponja se refere à conhecida esponja marinha usada na época.
Bartenura fixa a mesma medida de referência para o nariz — o comprimento do dedo mínimo — e explica que orelhas “semelhantes a esponja” são as encolhidas e obstruídas.
Rashi identifica os “membros” de referência para a proporção como mãos, pernas e coxas, remete a definição de tsimem e tsimêa à própria mishná, e confirma que a comparação com a esponja indica orelhas encolhidas e obstruídas. A Guemará relata, a propósito desta mishná, que Rav ensinou que Moshé Rabenu media dez côvados de altura — e, questionado se isso não faria dele um “corpo maior que seus membros” e portanto um baal mum, respondeu que falava em côvados sagrados, e não em côvados comuns.