E concordam que se pode juntar as águas em um utensílio de pedra para purificá-las, mas não se pode imergir [o utensílio nelas]. — Água impura pode ser colocada em um recipiente de pedra — que não recebe impureza — e esse recipiente, submerso em uma fonte de água pura, faz suas águas se unirem às da fonte e se purificarem por contato; mas não se pode, com essa mesma ação, imergir o próprio recipiente de madeira ou metal, pois isso equivaleria a repará-lo.
E imerge-se de uso para uso e de grupo para grupo. — Um utensílio já puro, imerso originalmente para um uso, pode ser imerso novamente no dia de festa para destiná-lo a um uso de maior santidade — como de hulin para terumá —, ou quando a pessoa muda do grupo com o qual planejava comer o sacrifício pascal para outro grupo, já que essa segunda imersão não acrescenta pureza no sentido de remover impureza, mas apenas adéqua o utensílio a um novo propósito.
O princípio de que águas reunidas em uma fonte ou cisterna permanecem puras é a base do procedimento de "juntar as águas" descrito nesta mishná — a água impura, ao entrar em contato direto com a água pura de um mikvê através de um recipiente que não recebe impureza, une-se a ela e é considerada, para efeitos de pureza, como parte da própria fonte. A mishná distingue esse procedimento, permitido mesmo em Shabat e dia de festa, da imersão de um utensílio — que, por transformar seu estatuto de uso, é vedada nesses dias por parecer um reparo.
O Rambam explica por que o utensílio de pedra é necessário para o procedimento de justapor as águas, e detalha os casos de segunda imersão "de grupo para grupo"; Bartenura acrescenta o exemplo de quem muda seu utensílio de uso comum para terumá ou para consagrado.
E o que disseram, "e concordam que se pode juntar as águas em um utensílio de pedra para purificá-las, mas não se pode imergi-las", explica-se assim: quando a água está impura, pode-se colocá-la em um utensílio de pedra e introduzir esse utensílio em um mikvê até que as águas do mikvê subam sobre a superfície do utensílio, e assim a água impura se purifica. E o motivo de o utensílio precisar ser de pedra é que utensílios de pedra não recebem impureza.
“E imerge-se de uso para uso” — quem imergiu utensílios para pisar azeitonas no lagar em vista de azeite comum, e depois decidiu pisar uvas na prensa em vista de vinho de terumá, precisa imergi-los uma segunda vez em nome da terumá. E do mesmo modo, se imergiu utensílios em nome de terumá e depois decidiu usá-los para algo consagrado, precisam de uma segunda imersão em nome do consagrado.
Rashi explica o mecanismo de "justaposição" das águas e o caso de "grupo para grupo" ligado ao sacrifício pascal.
“E concordam que se pode juntar as águas” — quem tem água boa para beber que se tornou impura, enche dela um utensílio de pedra e o coloca em um mikvê até justapor água com água; e essas águas ficam como que semeadas e ligadas às águas do mikvê, anulando-se nelas e purificando-se. “Neste grupo” — referente ao sacrifício pascal, quando a pessoa ou seus utensílios estavam impuros e ela imergiu com essa intenção.