Como se assemelha ao animal selvagem? Seu sangue requer cobertura como o sangue do animal selvagem (assim como o caçador que abate uma chayá pura deve cobrir o sangue derramado com terra, também quem abate um koi deve fazê-lo — por precaução, dado que pode tratar-se, de fato, de uma chayá), e não se abate em Yom Tov (embora seja permitido abater animais em dia de festa para consumo, o abate do koi é proibido em Yom Tov, pois se for de fato chayá, seu sangue exigiria cobertura — um ato que envolve manusear terra ou cinzas, proibido nesse dia; e não se pode arriscar essa dúvida). E se o abateu, não se cobre seu sangue (paradoxalmente, se alguém já transgrediu e o abateu em Yom Tov, não se cobre o sangue depois — pois a permissão de manusear terra em Yom Tov aplicável a uma cobertura certa não se estende a um caso de mera dúvida). E sua gordura transmite impureza de carcaça como o animal selvagem (a gordura de uma behemá pura é permitida para consumo e não transmite impureza como carcaça — apenas sua carne o faz; já a gordura de uma chayá pura, embora comestível, comporta-se como carne para efeitos de impureza de nevelá. Como o koi pode ser chayá, aplica-se-lhe este rigor: sua gordura, em caso de morte não ritual, transmite impureza). E sua impureza [de nevelá] é em dúvida (justamente por essa incerteza fundamental, a impureza que sua gordura poderia transmitir permanece sempre no âmbito da dúvida, nunca uma certeza plena). E não se resgata com ele o primogênito de jumento (a mitzvá de resgatar o primogênito do jumento exige um cordeiro — seh — que a tradição interpreta como behemá; como o koi pode ser chayá, ele não serve para esse resgate).
Cada rigor listado nesta mishná deriva de uma lei bíblica específica aplicável à chayá — cobertura do sangue, permissão restrita de manuseio no Yom Tov, impureza de gordura, e a exigência de "seh" para o resgate do jumento.
Por que, no caso do Yom Tov, a mishná aplica o rigor mesmo depois do fato consumado — proibindo cobrir o sangue já derramado? Este é um refinamento importante da metodologia "lechumra" (sempre para o lado mais rigoroso) que rege todo o tratamento do koi. A permissão de manusear terra ou cinzas em Yom Tov aplica-se apenas a atos que sejam certamente obrigatórios — como cobrir o sangue de uma chayá inequívoca. Como o status do koi permanece em dúvida mesmo depois do abate, o ato de cobrir seu sangue não pode ser classificado como "certamente obrigatório", e portanto a permissão especial de Yom Tov, criada para acomodar apenas obrigações certas, simplesmente não se estende a ele. É um exemplo preciso de como a incerteza permanente do koi gera, paradoxalmente, tanto a proibição de abater quanto a proibição de corrigir o próprio erro depois de cometido.
O Rambam trata da cobertura do sangue do koi e sua impureza duvidosa em Hilchot Maachalot Assurot, capítulo 1, no mesmo contexto em que define a criatura.
O que os grandes comentadores dizem sobre os rigores de chayá aplicados ao koi.
Porque somos obrigados na cobertura do sangue, evita-se abatê-lo em Yom Tov, porque é dúvida — como já te informei — se é obrigado na cobertura do sangue ou não, e é proibido ao homem manusear as cinzas em Yom Tov para uma questão de dúvida (o Rambam explica com clareza a lógica proibitiva: não é que o abate em si seja vedado, mas que o abate geraria uma obrigação de cobertura cuja necessidade de manusear cinzas ou terra em Yom Tov só se justifica para obrigações certas, nunca duvidosas). E sua gordura transmite impureza de nevelá... e este koi, por ser dúvida, julgaram-no em todos os aspectos para o rigor: disseram, quanto à sua gordura, que ela transmite impureza se for nevelá, como a gordura do animal selvagem que transmite impureza como sua carne, mas sua impureza está em dúvida (o Rambam articula precisamente a estrutura lógica de "impureza em dúvida": não que às vezes seja puro e às vezes impuro, mas que a própria classificação binária pura/impura não pode ser resolvida com certeza, e por isso se trata cautelosamente como impureza duvidosa em todos os casos).
"Requer cobertura como o sangue do animal selvagem": por rigor, e não se abençoa sobre sua cobertura, já que é dúvida (o Bartenura acrescenta um detalhe prático relevante: embora se deva cobrir o sangue por precaução, não se recita a bênção normalmente associada a essa mitzvá, pois bênçãos não se recitam sobre atos cuja obrigação é meramente duvidosa). "E não se abate em Yom Tov": porque é proibido cobrir seu sangue, e ainda que a cinza do fogão já esteja preparada [para uso], preparada está para o certo, e não está preparada para o duvidoso (o Bartenura explica um princípio técnico do Yom Tov: mesmo que haja cinza já disponível e pronta para uso — o que normalmente resolveria a questão de "preparação prévia" exigida no dia de festa — essa preparação só vale para uma obrigação certa, não para uma cobertura cuja necessidade é apenas hipotética). "E não se resgata com ele o primogênito de jumento": pois talvez seja animal selvagem, e a Misericórdia disse "e o primogênito de jumento resgatarás com um cordeiro", e este é dúvida se é cordeiro ou dúvida se é gazela (o Bartenura formula a dúvida do koi de modo particularmente vívido para este caso: não apenas "talvez seja chayá em geral", mas especificamente "talvez seja da mesma família da gazela" — tornando patente por que ele não pode servir ao resgate que exige, com certeza, um animal da família dos ovinos ou caprinos).