Ainda com o cesto sobre seu ombro, ele recita, desde "declarei hoje ao Senhor teu Deus" (Devarim 26), até terminar toda a parashá (o trazedor mantém o cesto sobre o próprio ombro — o mesmo gesto humilde exigido até do rei Agripa, descrito na Mishná 3:4 — enquanto recita em voz alta a totalidade da declaração bíblica de bikurim, começando pela fórmula de abertura "higadti hayom" e prosseguindo até completar a parashá inteira). Rabi Yehudá diz: até "um arameu errante era meu pai" (Rabi Yehudá discorda quanto à extensão do trecho recitado enquanto o cesto ainda está sobre o ombro: para ele, essa primeira fase da leitura vai apenas até o início da segunda parte da parashá — "arami oved avi" — e não a parashá inteira). Ao chegar a "um arameu errante era meu pai", desce o cesto de seu ombro e o segura por suas bordas, e o cohen coloca sua mão por baixo dele e o balança [em tenufá]; e recita desde "um arameu errante era meu pai" até terminar toda a parashá, e o coloca ao lado do altar, prostra-se e sai (no ponto exato de "arami oved avi", ocorre a transição ritual central: o trazedor abaixa o cesto do ombro, mas continua segurando-o pelas bordas, enquanto o cohen coloca sua própria mão sob o cesto e o balança de um lado a outro — o gesto de tenufá, movimento ritual de elevação e vibração que consagra formalmente a oferenda; a leitura prossegue então até o fim da parashá, o trazedor deposita o cesto junto ao altar, prostra-se em reverência, e finalmente se retira, encerrando o rito).
Esta mishná é a execução detalhada da própria fórmula bíblica de bikurim, incluindo cada uma das etapas verbais e físicas prescritas em Devarim 26.
Por que dividir a leitura em duas partes, com o cesto descendo do ombro exatamente entre elas? A resposta está na natureza distinta de cada seção do texto bíblico. "Higadti hayom" é uma declaração pessoal e presente — "hoje declaro" — que naturalmente acompanha o gesto físico de ainda carregar o fruto ao ombro, como quem anuncia sua chegada. Já "arami oved avi" é um relato histórico retrospectivo, contando a longa jornada do povo desde a servidão egípcia até a entrada na terra prometida — e é precisamente neste ponto, segundo a opinião da maioria dos sábios (com quem a halachá concorda, contra Rabi Yehudá), que ocorre a tenufá, o balançar ritual do cesto, unindo o gesto físico do trazedor ao do cohen. Rabi Yehudá, ao restringir a primeira leitura apenas a "higadti hayom", entende que a tenufá já deveria acontecer antes mesmo de se completar essa primeira declaração breve — um debate sobre timing que, no entanto, não altera a substância do rito, apenas seu ritmo interno. Esta mishná representa o clímax de toda a sequência cerimonial iniciada na Mishná 3:2: da separação individual no campo até este momento de proclamação pública e prostração final diante do altar.
O Rambam consolida esta cena completa em Hilchot Bikurim 3:12, incluindo a base bíblica explícita para a exigência de tenufá — um ponto sobre o qual a mishná é silenciosa.
O Perush HaMishná do Rambam é breve nesta mishná, remetendo ao capítulo anterior; o Bartenura confirma que a halachá segue os sábios anônimos, contra Rabi Yehudá.
Já explicamos no capítulo anterior a este que os bikurim requerem tenufá; e a halachá não é como Rabi Yehudá (o Rambam é conciso aqui, remetendo à sua própria explicação já dada no Perek Bet sobre a exigência de tenufá — o que confirma que essa exigência é um princípio geral já estabelecido, e não algo introduzido apenas nesta mishná — e encerra a controvérsia declarando explicitamente que a prática segue os sábios anônimos, e não a opinião minoritária de Rabi Yehudá quanto à extensão da primeira leitura).
"Rabi Yehudá diz: até 'um arameu errante era meu pai'": e a halachá não é como Rabi Yehudá (o Bartenura confirma, na mesma linha objetiva do Rambam, que a prática estabelecida segue a opinião da maioria — a leitura completa da parashá inteira enquanto o cesto ainda está sobre o ombro, com a tenufá ocorrendo apenas na transição para "arami oved avi" — rejeitando a proposta de Rabi Yehudá de uma divisão mais precoce).