De que maneira se assemelha às mulheres? Torna-se impuro pelo corrimento vermelho, como as mulheres; e não se recolhe com os homens, como as mulheres; e não transgride "não arredondarás", nem "não destruirás", nem "não te tornarás impuro pelos mortos", como as mulheres; e é desqualificado do testemunho, como as mulheres; e não é violado em transgressão, como as mulheres; e é desqualificado do sacerdócio, como as mulheres (esta mishná desenvolve a segunda categoria de 4:1, espelhando estruturalmente a mishná anterior: primeiro, a impureza pelo corrimento vermelho — o sangue menstrual ou de outros fluxos ligados à mulher — em contraste direto com a impureza branca dos homens mencionada em 4:2; segundo, a restrição de reclusão (yichud) — assim como uma mulher não deve ficar reclusa a sós com um homem que não seja seu marido ou parente próximo, também o andrógino está sujeito a essa mesma restrição; terceiro, três isenções específicas ligadas a mandamentos que a Torá dirige apenas a homens — não arredondar os cantos da cabeça e da barba, não destruir (a barba com navalha), e não se tornar impuro pelo contato com os mortos (proibição dirigida aos sacerdotes) — o andrógino, como a mulher, está isento dessas três proibições, pois seu texto bíblico usa linguagem masculina explícita; quarto, a desqualificação como testemunha em processos judiciais, regra que a Torá reserva a homens; quinto, a isenção de punição por relação sexual forçada — um homem violado sexualmente não é, ele mesmo, punido, mas tampouco fica sujeito às consequências que recairiam sobre uma mulher violada; e sexto, a desqualificação para o sacerdócio, reservado exclusivamente a homens da linhagem de Aharon).
As três isenções centrais desta mishná — arredondar, destruir a barba e impureza pelos mortos — remetem a proibições formuladas em linguagem explicitamente masculina em Vayicrá.
Um padrão de leniência na dúvida. Vale notar o padrão que emerge desta mishná, em contraste com a anterior: enquanto em 4:2 o andrógino era obrigado como homem em tudo que envolvia deveres positivos (impureza, yibum, mandamentos), aqui, em 4:3, ele é isento como mulher exatamente nos itens que envolvem transgressões e proibições com pena. Este padrão reflete um princípio halachico mais amplo — em casos de dúvida sobre uma proibição bíblica com consequência penal, a tendência é a leniência (סָפֵק דְּאוֹרַיְתָא לְחוּמְרָא tem exceções justamente onde a punição física está em jogo e a identidade do transgressor é incerta); por isso o andrógino não é açoitado por arredondar a cabeça ou destruir a barba, mesmo tendo pelos faciais, pois sua obrigação nessas leis especificamente masculinas permanece uma dúvida que favorece a isenção.
O Rambam não dedica uma halachá específica e completa a esta lista; a única passagem paralela e explícita no Mishné Torá trata da relação sexual com o andrógino "à maneira feminina", que ilustra o mesmo princípio de leniência na dúvida.
O Bartenura detalha as fontes bíblicas de cada item e discute a divergência entre comentadores quanto à desqualificação do sacerdócio por relação ilícita.
"Torna-se impuro pelo vermelho": pois sangue está escrito a respeito da mulher, "e uma mulher, quando tiver corrimento de sangue" — e cinco tipos de sangues são impuros na mulher. "E não come": isto é, das oferendas de pecado, de culpa e das oblações, pois em todas elas está escrito "todo macho entre os filhos de Aharon a comerá". "E se foi violado em transgressão": que veio sobre ele um de seus parentes proibidos, ou um dos desqualificados para o sacerdócio — pois, se fosse fêmea, ficaria desqualificada da terumá; também o andrógino fica desqualificado (o Bartenura esclarece que a fonte da impureza vermelha está em Vayicrá 15, onde a Torá usa linguagem explicitamente feminina para o corrimento de sangue; explica também um item que a tradução principal já incorporou de forma resumida — a isenção de certas partes sagradas das oferendas, reservadas por linguagem bíblica explícita a "todo macho entre os filhos de Aharon"; e desenvolve o caso da relação ilícita: se o andrógino for violado por um parente proibido ou por alguém desqualificado para relações sacerdotais, ele fica, tal qual uma mulher nas mesmas circunstâncias, desqualificado de comer terumá — o Bartenura nota ainda, embora sem incluir aqui a citação completa, que existe divergência entre os comentadores sobre se essa desqualificação se aplicaria mesmo em relações não classificadas como proibidas, um ponto de debate mais fino que ultrapassa o escopo direto da mishná).