Beit Shamai dizem: trazem-se oferendas de paz, mas não se apoiam as mãos sobre elas; mas não oferendas de ascensão. E Beit Hilel dizem: trazem-se oferendas de paz e oferendas de ascensão, e apoiam-se as mãos sobre elas. — A mishná apresenta a formulação final, já institucionalizada entre as duas escolas, da mesma controvérsia sobre a semichá herdada dos Zugot. Beit Shamai permite trazer, no dia festivo, as oferendas de paz da chagigá — pois elas atendem à necessidade de alimentação da pessoa comum — mas proíbe apoiar as mãos sobre elas com todo o peso do corpo, por considerar esse gesto próximo demais de um trabalho vedado no yom tov; e, quanto à oferenda de ascensão de apresentação, que não serve para consumo humano e pode ser trazida em outro dia da festa, Beit Shamai a proíbe inteiramente no próprio dia festivo. Beit Hilel, em contraste, permite tanto trazer quanto apoiar as mãos sobre ambos os tipos de oferenda, incluindo a de ascensão, entendendo que o mandamento bíblico da apresentação no Templo deve ser cumprido plenamente, com a semichá completa, mesmo no dia da própria festa.
Beit Hilel lê a expressão “ao Eterno, teu Deus” como incluindo toda oferenda voltada a Ele, o que abrange igualmente a oferenda de ascensão de apresentação, justificando trazê-la e apoiar as mãos sobre ela mesmo no próprio dia festivo. Beit Shamai, por sua vez, distingue entre a oferenda de paz, que serve à necessidade humana de alimentação festiva — “para vós”, no sentido da alegria do dia —, e a oferenda de ascensão, que é inteiramente dedicada ao Alto e cujo momento de apresentação, por não haver urgência de consumo, pode ser adiado para depois do yom tov, quando o apoio das mãos deixa de suscitar a preocupação de um trabalho proibido.
Rambam esclarece que a controvérsia diz respeito apenas às oferendas obrigatórias da festa, não a votos e doações voluntárias.
Bartenura detalha o fundamento bíblico de cada posição; Rashi, na Guemará, confirma a distinção entre oferendas de paz e de ascensão.
Rambam reafirma que o fundamento da proibição de Beit Shamai é o uso do animal como instrumento e o esforço físico exigido pela semichá, que deve ser feita com toda a força do corpo — um ato que se assemelha demais a trabalho para ser permitido no dia festivo, ao menos quanto à oferenda de ascensão, cujo momento de trazer pode ser adiado sem prejuízo.
Bartenura explica que Beit Shamai proíbe a oferenda de ascensão de apresentação porque ela pode ser trazida em qualquer outro dia da festa, apoiando-se no versículo “assembleia solene haverá para vós” — lido como “para vós”, e não “para o Alto”, ou seja, priorizando o proveito humano sobre a urgência da oferenda puramente divina. Beit Hilel, por sua vez, apoia-se no versículo paralelo de Devarim, “assembleia solene ao Eterno”, lido como incluindo toda oferenda dedicada a Ele, permitindo trazê-la e apoiar as mãos sobre ela mesmo no próprio dia festivo.
Rashi confirma que Beit Shamai permite trazer as oferendas de paz da chagigá no próprio dia festivo, por servirem à necessidade de alimentação da pessoa comum, mas exige que o apoio das mãos seja feito antes do início do dia, não no próprio yom tov. Quanto à oferenda de ascensão de apresentação, Rashi explica que ela é proibida nesse dia justamente porque pode ser oferecida em qualquer outro dos dias restantes da festa, sem necessidade de urgência.