Consagrou sua massa (dedicou-a como propriedade do Templo) antes de rolá-la, e a resgatou (pagou ao tesouro do Templo para retomar a posse da massa, ainda não rolada), é obrigada (em chalá, pois foi ela mesma quem completou o processo de fazê-la massa, já em posse própria). Desde que a rolou, e [depois] a resgatou (consagrou a massa já pronta, e só depois a resgatou), é obrigada (pois a massa já estava obrigada antes mesmo da consagração). Consagrou-a antes de rolá-la, e o tesoureiro a rolou (o funcionário responsável pelos bens do Templo foi quem, em nome do Templo, completou o processo de fazer a massa), e depois ela a resgatou, está isenta (mesmo tendo retomado a posse depois), pois no momento de sua obrigação ela estava isenta (a massa do Templo é isenta de chalá, e como o "rolar" — o evento que gera a obrigação — ocorreu justamente enquanto a massa pertencia ao Templo, a obrigação nunca chegou a nascer, e o resgate posterior não a cria retroativamente).
A mishná retoma a expressão "עֲרִסֹתֵכֶם" — "vossas massas" — no sentido de que a obrigação de chalá recai sobre massas pertencentes a um proprietário israelita comum; massa pertencente ao Templo, no momento em que se torna tecnicamente massa, está fora dessa categoria.
Por que o resgate normalmente restaura a obrigação, mas não neste caso específico? A regra geral é que o resgate (pidyon) devolve o objeto ao status comum, como se nunca tivesse sido consagrado para esse efeito — por isso, tanto consagrar antes de rolar e depois resgatar, quanto consagrar depois de já rolada e depois resgatar, resultam em obrigação. A única exceção ocorre quando o "rolar" em si — o evento que gera a obrigação de chalá — acontece enquanto a massa ainda pertence ao Templo, executado pelo próprio tesoureiro (גִּזְבָּר). Nesse instante preciso, a massa era propriedade do Templo e, portanto, isenta; e como a obrigação de chalá "nasce ou não nasce" apenas nesse momento exato, um resgate posterior não tem o poder de criar retroativamente uma obrigação que já passou pelo seu momento decisivo sem existir.
Não foi localizada, em Hilchot Bikurim, uma halachá dedicada especificamente a este caso de consagração e resgate de massa — situação já observada anteriormente em Chalá 2:2 e 2:3. O princípio geral de que hekdesh (consagração ao Templo) isenta da chalá, e que o resgate normalmente restaura a obrigação, está implícito no sistema de Hilchot Bikurim, mas o Rambam não dedica um parágrafo específico a este cenário técnico do tesoureiro rolando a massa.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
O hekdesh (bem consagrado ao Templo) não é obrigado em chalá, conforme a expressão divina "separareis um bolo como oferta" — e disseram no Sifrei: aquilo que dele é levantado é sagrado, e o que resta é comum; não que ambos, o que é levantado e o que resta, sejam sagrados (ou seja: a própria lógica da separação de chalá pressupõe uma massa comum, não uma massa já inteiramente consagrada). E toda esta explicação ficará clara quando se entender tudo o que já antecipamos nesta ordem de tratados.
"Antes de rolá-la, e a resgatou": e depois de resgatá-la, ela [ou seja, a própria pessoa] a rolou — é obrigada, já que, no momento do rolar, a massa não era mais hekdesh (propriedade consagrada). "Pois no momento de sua obrigação ela estava isenta": porque o rolar realizado enquanto a massa é hekdesh isenta, já que está escrito "vossas massas" — e não "massa do hekdesh" (o texto bíblico exclui explicitamente, pela posse, a massa pertencente ao Templo).