Toma-se o suficiente para chalá (uma porção do tamanho necessário para servir como chalá) de uma massa pura cuja chalá ainda não foi retirada (uma massa própria, certamente pura, da qual ainda não se separou a porção obrigatória), para fazê-la em pureza (mantendo essa porção pura, sem contato com impureza), a fim de ir separando-a, continuamente, como chalá de demai (usando essa porção pura como a "chalá" designada para cobrir a obrigação de outras massas cuja separação de dízimos é duvidosa — demai), até que se estrague (até que essa porção pura se deteriore e não sirva mais para consumo humano). Pois a chalá de demai é retirada do puro em nome do impuro (regra especial: ao contrário da chalá comum, a chalá de demai pode ser separada de uma massa pura para cobrir uma massa impura), e sem proximidade (também pode ser separada mesmo quando as duas massas não estão fisicamente próximas uma da outra — outra leniência exclusiva do demai).
A mishná aplica à chalá as leniências rabínicas concedidas especificamente ao demai — produto comprado de um "am haaretz" (pessoa não confiável quanto à separação de dízimos), presumivelmente já dizimado, mas cuja separação não é certa.
Por que se separa uma porção "reserva" pura de antemão, em vez de lidar com cada massa de demai individualmente? A prática descrita nesta mishná resolve um problema prático recorrente: quem compra regularmente farinha ou massa de um am haaretz enfrenta, a cada nova massa, a mesma incerteza sobre se a chalá já foi retirada. Em vez de lidar com cada caso isoladamente — o que exigiria manter uma porção impura em contato ou proximidade com cada nova massa —, a mishná ensina a preparar uma única porção pura, de tamanho adequado, retirada de uma massa própria e certa. Essa porção, aproveitando as leniências do demai, pode servir repetidamente como a "chalá" designada para cada nova massa duvidosa que se comprar, sem exigir proximidade física nem correspondência individual — até que, com o tempo, essa porção-reserva se deteriore e perca sua utilidade, quando então nova porção deverá ser separada.
O Rambam, em Hilchot Bikurim 7:13, formula a mesma prática com quase as mesmas palavras da mishná, confirmando-a como halachá vigente.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Diz-se aqui que a pessoa toma uma medida da massa, sendo ela pura, e a guarda para servir de chalá sobre outras massas que se amassarão a partir do demai — mesmo que essas massas sejam impuras — pois o princípio conosco, como mencionado, é que a chalá de demai é retirada do puro em nome do impuro, e sem proximidade. E ao dizer "até que se estrague", refere-se à porção de chalá que retirou em pureza, pois vai separando-a continuamente [para cobrir novas massas] até que se estrague e se deteriore e não seja mais apta para consumo humano (o Rambam esclarece que a porção reservada continua servindo repetidamente até perder sua utilidade prática).
"Toma-se o suficiente para chalá, etc.": quem deseja amassar diversas massas de demai impuro pode fixar a chalá delas a partir de uma massa pura cuja chalá ainda não foi retirada, e essa massa pura fica designada como chalá para todas as massas que se amassarão a partir do demai impuro. "Até que se estrague": essa massa [reservada], e não seja mais apta para consumo humano. Pois quanto ao demai, os sábios foram lenientes em permitir separar do puro em nome do impuro e sem proximidade, e também foram lenientes em permitir separar do [produto] inferior em nome do superior (Bartenura acrescenta uma terceira leniência do demai — separar do produto de qualidade inferior para cobrir o de qualidade superior — reforçando o quadro geral de flexibilidade concedida a esse caso de dúvida rabínica).