Israelitas que eram arrendatários de gentios na Síria (judeus que trabalhavam terras pertencentes a não-judeus na Síria, território conquistado pelo Rei Davi mas não plenamente santificado como a Terra de Israel): Rabi Eliezer obriga seus frutos nos dízimos e no [ano] sabático (trata a Síria, para efeito de dízimos e Shemitá, como equivalente à Terra de Israel), mas Rabban Gamliel isenta (entende que a Síria não se equipara à Terra de Israel para essas obrigações, ao menos quando o arrendatário não é o proprietário pleno da terra). Rabban Gamliel diz: duas chalot na Síria (como no exterior propriamente dito, uma parte queimada e uma parte dada ao sacerdote); mas Rabi Eliezer diz: uma só chalá (como na Terra de Israel plena). Adotaram a leniência de Rabban Gamliel e a leniência de Rabi Eliezer (o povo, num primeiro momento, seguiu a posição mais branda de cada um dos dois sábios — isentando dízimos como Rabban Gamliel, mas também separando apenas uma chalá, como Rabi Eliezer). [Depois] voltaram a agir conforme as palavras de Rabban Gamliel em ambos os assuntos (com o tempo, a prática se estabilizou seguindo integralmente a posição de Rabban Gamliel: isenção de dízimos e separação de duas chalot).
A mishná explora a fronteira entre a Terra de Israel plena — onde a obrigação de chalá é bíblica — e o restante do mundo, onde ela é apenas rabínica, usando a Síria como caso intermediário complexo.
Por que Rabban Gamliel isenta dízimos mas exige duas chalot, enquanto Rabi Eliezer faz o oposto — obriga dízimos mas exige só uma chalá? As duas posições refletem diferentes eixos de análise sobre a Síria. Rabi Eliezer entende que, para efeito de dízimos e Shemitá, a Síria se equipara à Terra de Israel devido à conquista davídica — mas, quanto à chalá, aplica-se a regra territorial mais simples da Terra de Israel plena: uma só chalá, dada ao sacerdote. Rabban Gamliel, ao contrário, entende que a mera conquista militar não basta para equiparar a Síria à Terra de Israel quanto a dízimos (que dependem, no caso de arrendatários, da propriedade efetiva da terra) — mas, quanto à chalá, adota o padrão mais cauteloso do exterior: duas chalot, uma queimada e outra comida, para preservar a distinção de que a Síria não é plenamente santificada. O relato final sobre a evolução da prática popular — passando por uma combinação inconsistente das duas leniências até se estabilizar integralmente na posição de Rabban Gamliel — é um raro registro explícito, dentro da própria Mishná, de como uma controvérsia halachica se resolveu historicamente na prática do povo.
O Rambam, em Hilchot Bikurim 5:8, trata da Síria dentro do sistema das "três terras" quanto à chalá, adotando a posição de Rabban Gamliel — duas chalot — como halachá final, tal como a própria mishná relata ter prevalecido na prática.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Já explicamos anteriormente que a Síria são as terras que Davi conquistou, que não são da Terra de Israel [propriamente] [...] E diz-se aqui que, se israelita e gentio eram sócios em uma terra da Síria, Rabi Eliezer os obriga nos dízimos, pois a Síria, em sua opinião, é como a Terra de Israel nesse assunto [...] Rabban Gamliel isenta, pois, para ele, ela está próxima do exterior, e não se obriga nos dízimos a menos que a terra seja inteiramente sua (o Rambam esclarece que a disputa sobre dízimos depende especificamente da propriedade plena da terra, tornando o caso do arrendatário — sócio parcial — o ponto central do debate).
"Na Síria": terras que Davi conquistou, que não têm a santidade da Terra de Israel. "Rabi Eliezer obriga, etc.": ele entende que a Síria se equipara à Terra de Israel quanto a dízimos e ao ano sabático (Bartenura resume, em poucas palavras, a base conceitual da posição de Rabi Eliezer: a conquista davídica confere à Síria um status quase pleno para efeito dessas duas obrigações agrícolas).