Rabban Gamliel diz: três terras quanto à chalá (o território relevante para a obrigação de chalá se divide em três zonas com regras distintas). Da Terra de Israel até Keziv (a região conquistada e ressantificada pelos que retornaram do exílio babilônico, sob Ezra), uma chalá (separa-se apenas uma porção, dada ao sacerdote, com plena santidade bíblica). De Keziv até o rio e até Amaná (uma faixa intermediária, parte da Terra de Israel histórica mas não ressantificada por Ezra), duas chalot: uma para o fogo e uma para o sacerdote (uma porção é queimada, por precaução quanto à impureza; a outra é comida pelo sacerdote). A do fogo tem medida [mínima] (um quarenta e oito avos, a mesma fração da chalá impura padrão), e a do sacerdote não tem medida (pode ser qualquer quantidade, por ser apenas de instituição rabínica). Do rio e de Amaná para dentro (o restante do mundo, exterior pleno), duas chalot: uma para o fogo e uma para o sacerdote. A do fogo não tem medida (pode ser mínima), e a do sacerdote tem medida (um quarenta e oito avos, para que não se desperdice tanto alimento — o inverso da zona anterior). E um tevul yom pode comê-la (um sacerdote que imergiu durante o dia, mas ainda aguarda o pôr do sol para pureza plena, já pode comer esta chalá). Rabi Yosei diz: não precisa de imersão (opinião ainda mais leniente). Mas é proibida a zavim, zavot, à mulher menstruada e às que deram à luz (pessoas com impurezas que emanam do próprio corpo, mais graves), e pode ser comida junto com um não-sacerdote à mesma mesa (sem receio de que o não-sacerdote a coma por engano), e pode ser dada a qualquer sacerdote (mesmo um sacerdote comum, não necessariamente um "chaver" confiável em pureza).
A mishná sistematiza, com precisão geográfica, a distinção entre a obrigação bíblica plena de chalá e as camadas rabínicas que a estendem progressivamente às zonas mais distantes da Terra de Israel histórica.
Por que a medida mínima se inverte entre a segunda e a terceira zona — na zona intermediária a chalá "do fogo" tem medida e a "do sacerdote" não, e na zona mais externa o oposto? A explicação está na origem histórica de cada impureza presumida. Na zona intermediária (Keziv até Amaná), a chalá "do fogo" é queimada porque presume-se impura pela impureza do "pó da diáspora" — mas como essa terra ainda é, em essência, parte da Terra de Israel (apenas sem a ressantificação de Ezra), a instituição rabínica lhe atribui a mesma medida mínima da chalá impura padrão (um quarenta e oito avos), e a segunda chalá — dada ao sacerdote, sem medida — existe apenas para que o povo não pense que se queima teruma pura sem necessidade. Já na zona mais externa, plenamente diáspora, o raciocínio se inverte: como ali "todos sabem" que a terra é impura, não há risco de má interpretação ao queimar uma porção mínima; por isso a chalá "do fogo" não precisa de medida alguma, e é a chalá "do sacerdote" — instituída para que a lei da chalá não caia no esquecimento entre o povo de Israel — que recebe a medida mínima, de modo a maximizar o alimento preservado para consumo. Quanto às leis de pureza detalhadas ao final (tevul yom, proibição a zavim, permissão de comer à mesma mesa com um não-sacerdote, e a possibilidade de dar a qualquer sacerdote), todas decorrem do caráter apenas rabínico dessa chalá do exterior: por não ter santidade bíblica plena, suas restrições de pureza são mais brandas do que as da teruma ou chalá da Terra de Israel.
O Rambam, em Hilchot Bikurim 5:8, reproduz com grande fidelidade o sistema das três terras estabelecido por Rabban Gamliel nesta mishná, adotando-o integralmente como halachá.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
"Três terras quanto à chalá": seu significado é que, em três partes, se divide a terra para efeito de obrigação de chalá. Toda a Terra de Israel e sua fronteira até Keziv, que é a terra que os que subiram da Babilônia ocuparam [...], é obrigada em uma só chalá, que se dá ao sacerdote. De Keziv até o rio e até Amaná, que é a Terra de Israel que os que subiram do Egito ocuparam, mas que não foi santificada nos dias de Ezra [...], é obrigada em duas chalot: uma para queima, por ser teruma impura, e essa tem medida [...]; e a segunda chalá, para dar ao sacerdote, não tem medida senão a que o separador desejar, pois é de instituição rabínica (o Rambam detalha com precisão geográfica e histórica os fundamentos de cada uma das três zonas territoriais descritas pela mishná).
"Três terras": distintas quanto à lei da chalá. "Da Terra de Israel até Keziv": ou seja, toda a Terra de Israel até Keziv, que é uma faixa que se estende de Acre para o norte, e que os que subiram da Babilônia conquistaram e santificaram com a santidade segunda (Bartenura fixa a geografia precisa de Keziv, marco que divide a primeira zona — de santidade bíblica plena — das duas zonas seguintes, de status progressivamente mais incerto).