Se abateu o esôfago e rompeu a traqueia, ou abateu a traqueia e rompeu o esôfago, ou abateu um deles e esperou até que ela morresse, ou escondeu a faca sob o segundo símã e o rompeu por baixo — Rabi Yeshevav diz: é nevelá. Rabi Akiva diz: é trefá. — A mishná trata de quatro variações de um mesmo problema: o abate que não segue a forma correta — cortar propriamente, com vaivém, ambos os símanim em sequência. Se um deles foi cortado corretamente e o outro apenas rompido (sem o movimento próprio); se houve uma longa espera entre o corte de um símã e o do outro, até a morte do animal; ou se a faca foi escondida sob o segundo símã e este foi rompido por baixo, sem visibilidade — em todos esses casos, discutem Rabi Yeshevav e Rabi Akiva se o status resultante é o de nevelá (carcaça, que transmite impureza pelo toque e pelo carregamento) ou de trefá (proibida para consumo, mas sem transmitir essa impureza).
Rabi Yeshevav declarou um princípio em nome de Rabi Yehoshua: tudo que foi invalidado no próprio ato do abate é nevelá; tudo cujo abate foi realizado corretamente e outra causa a invalidou é trefá. E Rabi Akiva concordou com ele. — O princípio final distingue as duas categorias: quando o próprio processo do abate foi falho — como nos quatro casos listados — o resultado é nevelá, pois nunca houve um abate válido. Quando, ao contrário, o abate em si foi tecnicamente correto, mas o animal já carregava (ou veio a sofrer) algum defeito que o desqualifica por outra via, o resultado é trefá. Diante desse princípio, Rabi Akiva abandona sua posição anterior e concorda com Rabi Yeshevav.
Rambam liga o caso da faca escondida sob o segundo símã ao conceito geral de chaladá (ocultação da lâmina): sempre que a faca estiver coberta — seja sob uma peça de roupa, sob a lã da behêmá, sob a própria pele, ou de modo semelhante — durante o corte do trecho mínimo exigido, o abate é proibido, a menos que a faca esteja totalmente exposta durante toda a extensão do corte. E conclui que não é necessário demonstrar que o princípio de Rabi Yeshevav é a norma final, já que o próprio Rabi Akiva, que discordava dele, terminou por concordar.
Bartenura identifica o rompimento da traqueia sem o corte próprio como um caso de iku'r (arrancamento), aplicável à behêmá; explica que “sob o segundo” significa entre o símã e o pescoço, onde a faca é enfiada; e deriva a palavra chaladá (ocultação) da mesma raiz de chuldá, o animal que vive escondido nos alicerces das casas. Por fim, esclarece que nevelá transmite impureza pelo carregamento, enquanto trefá não a transmite — e que o “outro fator” que causa a invalidação de um abate tecnicamente correto se refere aos próprios defeitos internos listados no capítulo “Estas são as trefot”.
Rashi confirma que o rompimento da traqueia sem o corte próprio equivale ao iku'r, e que o caso se refere à behêmá; explica que “sob o segundo símã” designa o espaço entre o símã já cortado e o pescoço, e que o corte oculto se dá de baixo para cima. Observa, por fim, que Yeshevav é um nome próprio de sábio, atestado também em Divrei HaYamim, entre as escalas sacerdotais.