Mishná · Seder Kodashim · Tratado III (terceiro) · Completo — 12 perakim, 74 de 74 mishnayot

Massechet Chulin

מַסֶּכֶת חֻלִּין

O terceiro tratado de Seder Kodashim — as leis do abate ritual (shechitá) de animais para consumo comum (chulin), fora do Templo, e as leis de kashrut que dele decorrem

OrdemKodashim (Coisas Sagradas) — terceiro de onze tratados
Estrutura12 perakim, 74 mishnayot ao todo
TemaO abate ritual (shechitá) de animais e aves para consumo comum, fora do Templo, e as leis de kashrut da carne, do sangue, das misturas de carne e leite, e dos animais e aves permitidos
GuemaráPossui Guemará própria no Talmud Bavli, iniciando em Chulin 2a — com o comentário de Rashi

Massechet Chulin, o terceiro tratado de Seder Kodashim, marca uma virada dentro da Ordem: depois de Zevachim e Menachot, dedicados aos sacrifícios de animais e de farinha oferecidos no Templo, Chulin volta-se ao abate comum — o abate de animais para a mesa de qualquer pessoa, em qualquer lugar, sem relação com o altar. É precisamente esse contraste que abre o tratado: enquanto o serviço sacrificial exige um sacerdote qualificado por linhagem, o abate comum é aberto, em princípio, a qualquer pessoa com o conhecimento técnico necessário — a distinção fundamental entre kodashim (o sagrado) e chulin (o comum) que dá nome ao tratado inteiro.

O Perek Alef, já completo com suas sete mishnayot, abre com o princípio fundacional de que todos podem realizar o abate ritual, e seu abate é válido, exceto o surdo-mudo, o louco e o menor — e mesmo estes, se abateram sob a observação de outros, têm seu abate validado; distingue o abate do gentio idólatra, que se torna carniça, e valida o abate realizado à noite, pelo cego, ou mesmo em Shabat e Iom Kipur por quem transgrediu (1:1). A segunda mishná valida o abate com foice de mão, pedra afiada ou caniço, mas exclui os instrumentos que, por suas reentrâncias, estrangulam em vez de cortar — a foice de colheita, a serra, os dentes e a unha —, com a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre a foice de colheita usada no sentido do seu movimento natural (1:2). A terceira trata do abate realizado dentro do grande anel da traqueia, e da medida mínima que deve restar por cortar para que o abate permaneça válido, com a exigência mais estrita de Rabi Yossei bar Yehudá (1:3). A quarta contrasta a shechitá e a melicá — o pinçamento usado exclusivamente nas oferendas de aves —, mostrando que os dois procedimentos ocupam regiões opostas e mutuamente exclusivas do pescoço e da nuca (1:4). A quinta trata da idade exigida das duas espécies de aves para oferenda — rolinhas maduras e pombinhos ainda filhotes —, e do breve período de amarelecimento da plumagem que desqualifica ambas (1:5). A sexta enumera uma longa série de pares espelhados — a vaca vermelha e a novilha degolada, sacerdotes e levitas, recipientes de barro e demais recipientes, recipientes de madeira e de metal, amêndoas amargas e doces (1:6). E a sétima e última mishná do capítulo fecha com o tema do temed (bebida de água sobre bagaço de uva) antes e depois de azedar, os irmãos sócios quanto ao kalbon e ao dízimo do gado, e a mais célebre série de pares que nunca coincidem: venda e multa, recusa e chalitzá, toque de shofar e havdalá (1:7).

O Perek Bet, agora também completo com suas dez mishnayot, aprofunda a técnica do próprio corte: abre com a regra de que um símã basta na ave e dois na behêmá, e de que a maioria de um símã equivale a ele por inteiro, com a exigência mais estrita de Rabi Yehudá sobre os vorídin (2:1). A segunda valida abater duas cabeças de uma só vez, e dois que seguram juntos a mesma faca (2:2). A terceira detalha quando a decepação da cabeça de um só golpe invalida o abate, e quando as interrupções — a faca caída, as vestes caídas, o cansaço ao afiar — o tornam inválido (2:3). A quarta distingue, nos casos de abate malfeito, entre nevelá e trefá, com o princípio final de Rabi Yeshevav em nome de Rabi Yehoshua, aceito por Rabi Akiva (2:4). A quinta trata do abate sem sangue visível e da suscetibilidade da carne à impureza, com a discordância de Rabi Shimon (2:5). A sexta estabelece os sinais exigidos para validar o abate da behêmá mesukénet, em perigo de morte — a disputa entre Rabán Shimon ben Gamliel, Rabi Eliezer e os sábios (2:6). A sétima trata do abate feito para um gói, com a posição extrema de Rabi Eliezer sobre a intenção idólatra presumida, refutada por Rabi Yosei (2:7). A oitava invalida o abate feito em nome de montanhas, colinas, mares, rios e desertos (2:8). A nona proíbe abater deixando o sangue escorrer para mares, rios, recipientes ou buracos no chão, por parecer o rito dos minim (2:9). E a décima e última mishná do capítulo fecha com a distinção entre o abate em nome de oferendas votivas e voluntárias (inválido) e em nome de oferendas obrigatórias (válido), com a regra geral que as une (2:10).

O Perek Guimel, agora também completo com suas sete mishnayot, muda completamente de assunto: depois de duas mishnayot dedicadas à técnica do abate em si, o capítulo se volta por inteiro aos sinais de trefá — as lesões e defeitos que tornam proibido o consumo de um animal mesmo abatido corretamente. A primeira enumera os sinais de trefá na behêmá: esôfago, traqueia, cérebro, coração, espinha, fígado e pulmão perfurados ou rompidos, seguidos de abomaso, vesícula, intestinos, rúmen, omaso e retículo, e fechando com queda do telhado, costelas quebradas e garra de predador, sob o princípio geral de que trefá é tudo que impede o animal de continuar vivendo (3:1). A segunda espelha exatamente a primeira, definindo o limite abaixo do qual cada uma dessas mesmas lesões não compromete a vida do animal, incluindo a disputa entre Rabi Meir e os sábios sobre a pele arrancada (3:2). A terceira adapta a lista à ave, com o sinal exclusivo do golpe da doninha na cabeça e o teste da cor das entranhas queimadas pelo fogo (3:3). A quarta espelha a terceira para os casos que mantêm a ave kosher, incluindo a opinião de Rabi (Yehudá HaNassi) sobre o papo removido e a de Rabi Yehudá sobre a penugem (3:4). A quinta distingue doenças e intoxicações que não tornam o animal trefá da ingestão de veneno mortal ou picada de cobra, que o mantêm permitido quanto a trefá mas proibido por perigo de vida (3:5). A sexta muda de tema para os sinais de pureza — os da behêmá e da chayá, ditos explicitamente na Torá, e os da ave, formulados pelos sábios: não ser predadora, ter dedo extra, papo e moela descascável, com o sinal adicional de Rabi Eliezer bar Tzadok (3:6). E a sétima e última mishná do capítulo fecha com os sinais do gafanhoto — quatro pernas, quatro asas e pernas saltadoras, com a exigência do nome de Rabi Yosei — e os sinais do peixe, ditos explicitamente na Torá: barbatana e escama (3:7).

O Perek Dalet, agora também completo com suas sete mishnayot, muda novamente de eixo: depois de três capítulos dedicados à técnica do abate e aos sinais de trefá e de pureza, a mishná volta-se ao estatuto do feto (ubar) encontrado no ventre da mãe abatida. A primeira estabelece o princípio fundacional do capítulo — o feto é, para efeitos de kashrut, parte do corpo da mãe, salvo o membro que sai de sua fronteira antes do abate (4:1). A segunda trata da fêmea primípara em parto difícil, cujo feto pode ser cortado membro por membro e lançado aos cães enquanto a maioria não saiu, sob pena de exigir sepultamento e isentar a mãe da bechorá (4:2). A terceira passa ao tema da impureza, comparando o toque no feto animal morto no ventre — puro segundo o primeiro taná, com a exceção de Rabi Yosei HaGelili quanto ao animal impuro — com o caso mais grave da parteira que toca o feto humano morto (4:3). A quarta, redigida como um debate dialético entre Rabi Meir e os sábios, discute se o membro cortado após o abate da mãe tem o status de contato com carcaça ou de contato com trefá abatida, com uma longa sequência de tentativas e refutações sobre a fonte da purificação da trefá pelo abate (4:4). A quinta distingue o nascido de oito e de nove meses encontrado no abate, com a disputa entre Rabi Meir, os sábios e Rabi Shimon Shezuri sobre se o nascido de nove meses vivo precisa de abate próprio (4:5). A sexta retorna ao catálogo dos sinais de trefá, localizando com precisão anatômica o jarrete (arkuvá) e a convergência dos tendões (tsomet haguidin) que separam a perna apta da inapta (4:6). E a sétima e última mishná do capítulo fecha com as leis da placenta (shiliá) encontrada no abate — sua permissão, pureza, sepultamento no caso de animais consagrados, e a proibição de sepultá-la em encruzilhada ou pendurá-la em árvore, por serem costumes do emorita (4:7).

O Perek Hei, completo com suas cinco mishnayot, abre um novo tema dentro do tratado: a proibição bíblica de oto ve-et beno — abater a mãe e sua cria no mesmo dia (Vayikrá 22:28). A primeira estabelece o alcance universal da lei, válida em toda parte e em todo tempo, com animais consagrados e não consagrados, e percorre os quatro casos básicos de abate dentro e fora do pátio do Templo, com suas consequências de aptidão, caret e chibatadas (5:1). A segunda completa o catálogo casuístico, cruzando animais de estatuto diferente e ordens variadas de abate, até completar as oito combinações restantes (5:2). A terceira reúne quatro assuntos distintos: os casos de abate tecnicamente inválido — tereifá, idolatria, animais proibidos ao benefício — que isentam da proibição; a disputa entre dois compradores da mãe e da cria; a contagem de chibatadas conforme a ordem de abate entre mãe, filha e neta, com a posição de Sumakhos em nome de Rabi Meir; e a obrigação de avisar o comprador nas quatro ocasiões festivas do ano (5:3). A quarta continua o tema das quatro ocasiões, tratando da obrigação do açougueiro de abater mesmo contra sua vontade quando já recebeu pagamento, com a regra correspondente sobre o risco da morte do animal (5:4). E a quinta e última mishná do capítulo fecha com a derivação exegética de Shimon ben Zoma sobre a contagem do "um dia" da proibição — o dia segue a noite anterior, por analogia verbal com o relato da Criação (5:5).

O Perek Vav, agora também completo com suas sete mishnayot, muda de assunto: depois do capítulo dedicado a oto ve-et beno, a mishná se volta a kissui hadam — a mitzvá de cobrir com terra o sangue do abate de animal selvagem (chayá) e de ave (Vayikrá 17:13). A primeira delimita o âmbito da mitzvá — vige sempre e em toda parte, sobre chulin mas não sobre animais consagrados, e sobre o koy duvidoso, exceto em Yom Tov (6:1). A segunda discute, na voz de Rabi Meir contra os sábios, se um abate tecnicamente correto mas cujo resultado é proibido para consumo (trefá, avodá zará, chulin no átrio) ainda gera a obrigação de cobrir, e isenta por completo os casos em que sequer houve abate válido (6:2). A terceira trata do abate do surdo-mudo, do louco e do menor — válido apenas sob supervisão — e sua repercussão sobre oto ve-et beno (6:3). A quarta ensina que uma só cobertura basta para cem abates no mesmo lugar, e que a obrigação de cobrir recai sobre qualquer um que veja sangue exposto (6:4). A quinta estabelece o critério visual para sangue misturado com água, vinho ou outro sangue, com a posição de Rabi Yehudá de que sangue nunca anula sangue (6:5). A sexta trata do sangue que respinga fora da cova do abate e do que fica na faca (6:6). E a sétima e última mishná do capítulo fecha com o catálogo das substâncias válidas e inválidas para a cobertura, e o princípio geral de Rabán Shimon ben Gamliel: cobre-se com aquilo em que crescem plantas (6:7).

O Perek Zayin, agora também completo com suas seis mishnayot, muda de assunto uma última vez: a mishná se volta a gid hanashe — o nervo ciático, proibido aos filhos de Israel desde o relato da luta noturna de Yaakóv com o anjo em Peniel (Bereshit 32:33). A primeira fixa o alcance total da proibição — em toda parte, com e sem Templo, no comum e nos consagrados, na behêmá e na chayá, em ambas as coxas e no feto, mas não na ave, com a disputa sobre a credibilidade dos açougueiros entre Rabi Meir e os sábios (7:1). A segunda permite enviar a um gói uma coxa inteira com o nervo dentro, porque seu lugar é conhecido, e exige a remoção completa do nervo, com a posição mais branda de Rabi Yehudá (7:2). A terceira fixa a medida do azeitona para as quarenta chibatadas, a exceção do nervo inteiro sem essa medida por ser considerado briá, e a disputa sobre comer de ambas as coxas (7:3). A quarta ensina que a coxa cozida com o nervo fica proibida por inteiro quando há sabor suficiente, medido pelo teste da carne no nabo (7:4). A quinta estende o critério do reconhecimento e do sabor ao nervo cozido com outros nervos, e à nevelá e ao peixe impuro misturados com peças permitidas (7:5). E a sexta e última mishná do capítulo fecha com a disputa entre o taná anônimo e Rabi Yehudá sobre se a proibição vige também no animal impuro, e a resposta clássica dos sábios sobre a diferença entre o que foi narrado em Bereshit e o que foi de fato ordenado no Sinai (7:6).

O Perek Chet, agora também completo com suas seis mishnayot, muda de assunto uma última vez: a mishná se volta a bassar bechalav — a proibição de misturar carne e leite, ordenada três vezes na Torá como "não cozinharás o cabrito no leite de sua mãe" (Shemot 23:19, 34:26; Devarim 14:21). A primeira proíbe cozinhar toda carne em leite e levá-la à mesma mesa que o queijo, exceto peixe e gafanhoto, com a disputa entre Beit Shamai e Beit Hilel sobre a ave e o queijo na mesma mesa e a posição excepcional de Rabi Yosei (8:1). A segunda permite amarrar carne e queijo num só lenço sem que se toquem, e traz a posição de Rabán Shimon ben Gamliel sobre dois hóspedes desconhecidos comendo carne e queijo à mesma mesa (8:2). A terceira aplica o critério do sabor à gota de leite caída sobre a carne ou na panela, exige rasgar o úbere e o coração antes de cozinhá-los, e esclarece por que levar a ave com queijo à mesa não viola um preceito negativo bíblico (8:3). A quarta distingue a proibição conforme a pureza do animal de que vêm carne e leite, com a exegese de Rabi Akivá sobre a tríplice repetição do versículo e a de Rabi Yosei HaGelili a partir da proibição de carniça (8:4). A quinta trata do coalho do animal abatido por gentio ou por carniça, de coagular leite com a pele do coalho, e do estatuto do leite quando um animal apto mama de uma trefá ou vice-versa (8:5). E a sexta e última mishná do capítulo fecha comparando as severidades exclusivas do sebo — meilá, pigul, notar e impureza — com a severidade exclusiva do sangue, que vige em todo animal, puro ou impuro, ao contrário do sebo, restrito à behêmá pura (8:6).

O Perek Tet, agora também completo com suas oito mishnayot, muda de assunto uma última vez: encerrado o bloco de bassar bechalav, a mishná se volta às leis de impureza aplicadas às partes não comestíveis do animal — pele, ossos, membros — e aos seus limites precisos. A primeira ensina quais elementos não comestíveis (pele, molho, temperos, alál, ossos, tendões, chifres e cascos) se juntam à carne para completar a medida de impureza de alimentos, mas não a de carcaça, e traz o caso do animal impuro abatido para um gentio (9:1). A segunda lista as peles cujo estatuto é como o da própria carne — humana, de porco, da corcova do camelo, da cabeça do bezerro e de quatro répteis — e como o curtume as purifica, exceto a pele humana (9:2). A terceira fixa a medida de conexão entre a pele e a carne durante o esfolamento, conforme se destina a tapete, a odre, ou ao método do marguil (9:3). A quarta trata da impureza transmitida pelo fio de carne e pelo pelo que protegem um kazait de carne sobre a pele, com a disputa entre Rabi Yishmael e Rabi Akivá sobre duas metades de azeitona (9:4). A quinta compara o osso da coxa (kulit) do morto e dos sacrifícios consagrados, impuro vedado ou perfurado, com o da carcaça e do réptil, impuro apenas perfurado, apoiada na fonte bíblica que iguala contato e carregamento (9:5). A sexta trata do ovo já formado do réptil, puro enquanto vedado, e do rato gerado da terra, metade carne e metade terra (9:6). A sétima trata do membro e da carne pendentes em um animal, a impureza de alimento em seu lugar, o preparo pelo sangue do abate, e a diferença entre membro de animal vivo e membro de carcaça (9:7). E a oitava e última mishná do capítulo fecha com o membro e a carne pendentes no ser humano, puros em vida, e a diferença entre membro separado de pessoa viva e membro separado de cadáver (9:8).

O Perek Yud, agora também completo com suas quatro mishnayot, muda de assunto uma última vez: a mishná se volta às matanot kehuná — as dádivas sacerdotais que todo israelita deve separar de um abate comum e entregar ao sacerdote: o braço, os queixos e o estômago (Devarim 18:3). A primeira estabelece que essa mitzvá vige dentro e fora da Terra, com ou sem Templo, mas apenas em animais não consagrados, refutando pela expressão restritiva "a eles" o raciocínio a fortiori que a estenderia também aos consagrados (10:1). A segunda distingue os consagrados cujo defeito permanente precedeu sua consagração — que, uma vez resgatados, tornam-se plenamente comuns e devem as dádivas — dos consagrados cuja consagração precedeu o defeito, que permanecem restritos mesmo após o resgate (10:2). A terceira trata do primogênito defeituoso misturado com cem animais comuns, do abate feito para sacerdote ou gentio, da sociedade que exige marcação, e da venda de entranhas com dádivas incluídas, por peça ou por peso (10:3). E a quarta e última mishná do capítulo fecha com a obrigação do convertido conforme o momento do abate, e as definições precisas do braço, da coxa e do queixo, ancoradas no mesmo braço cozido entregue pelo nazireu, com a disputa de Rabi Iehudá (10:4).

O Perek Yud-Alef, agora também completo com suas duas mishnayot, volta-se à primeira tosquia da lã (reshit hagez) devida ao sacerdote (Devarim 18:4). A primeira estabelece o alcance da mitzvá — dentro e fora da Terra, sem Templo, mas não em animais consagrados nem no gado dos sacerdotes e levitas —, a medida mínima do rebanho que gera a obrigação, e a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel e demais tanaim sobre quantas cabeças e quanta lã tosquiada bastam (11:1). E a segunda e última mishná do capítulo fecha com a disputa sobre a medida exata do rebanho "numeroso", a quantidade de lã devida ao sacerdote, o caso de tingir ou branquear a lã antes de entregá-la, e as regras de compra e venda de tosquia entre judeu e gentio (11:2).

O Perek Yud-Bet, o último do tratado, agora também completo com suas cinco mishnayot, dedica-se a shiluach hakan — a mitzvá de enviar a mãe pássaro antes de tomar seus filhotes ou ovos (Devarim 22:6–7). A primeira fixa o alcance da mitzvá — em toda parte, mas só sobre aves comuns — e a compara em rigor com a cobertura do sangue, mais abrangente (12:1). A segunda isenta a ave impura do envio, em qualquer combinação entre mãe e ovos, e traz a disputa entre Rabi Eliezer e os sábios sobre o macho da poupa (12:2). A terceira detalha os critérios da mãe voando, do ninho de um só filhote ou ovo, dos filhotes já capazes de voar e dos ovos chocados, e a obrigação de repetir o envio quantas vezes a mãe retornar (12:3). A quarta traz a disputa entre Rabi Iehudá e os sábios sobre chibatadas ou envio para quem toma a mãe indevidamente, com a regra geral do preceito negativo que contém um "levanta-te e faze" (12:4). E a quinta e última mishná do tratado fecha com a proibição absoluta de tomar a mãe mesmo para purificar o leproso, e o raciocínio a fortiori final: se por um preceito leve como um issar a Torá promete vida longa, quanto mais pelos preceitos graves (12:5).

Massechet Chulin é o terceiro tratado de Seder Kodashim, depois de Massechet Zevachim e Massechet Menachot.

Os 12 Perakim

Perek Alef — פֶּרֶק א׳ — Quem pode abater, com quais instrumentos, e os primeiros pares espelhados de shechitá e melicá

Perek Bet — פֶּרֶק ב׳ — Os símanim do abate, os casos que invalidam, e a idolatria no abate

Perek Guimel — פֶּרֶק ג׳ — Os sinais de trefá na behêmá e na ave, e os sinais de pureza

Perek Dalet — פֶּרֶק ד׳ — O feto no ventre da mãe abatida, a trefá e a placenta

Perek Hei — פֶּרֶק ה׳ — Oto ve-et beno: a proibição de abater a mãe e sua cria no mesmo dia

Perek Vav — פֶּרֶק ו׳ — Kissui hadam: a cobertura do sangue do abate

Perek Zayin — פֶּרֶק ז׳ — Gid hanashe: o nervo ciático proibido desde Yaakóv

Perek Chet — פֶּרֶק ח׳ — Bassar bechalav: a proibição de misturar carne e leite

Perek Tet — פֶּרֶק ט׳ — Peles, ossos e membros pendentes: os limites da impureza

Perek Yud — פֶּרֶק י׳ — As dádivas sacerdotais: o braço, os queixos e o estômago

Perek Yud-Alef — פֶּרֶק י״א — A primeira tosquia da lã

Perek Yud-Bet — פֶּרֶק י״ב — Shiluach hakan: o envio da mãe pássaro antes de tomar os filhotes ou ovos