O que abate dentro do anel, e deixou nele a largura de um fio sobre toda a sua face, seu abate é válido. — A traqueia do animal termina, em sua extremidade superior, num anel cartilaginoso maior que os demais — o mais alto de todos, logo abaixo da cabeça. O local correto do abate é abaixo desse anel; cortar dentro dele, na direção da cabeça, é impróprio (hagramá). Esta mishná ensina, porém, que se o abate foi realizado dentro do próprio anel, mas o corte não avançou totalmente até sua borda superior — restando, mesmo que apenas a largura mínima de um fio, sem cortar, entre o fim do corte e o limite do anel voltado para a cabeça —, o abate ainda é válido: tecnicamente, a maior parte do corte ocorreu dentro dos limites próprios, e o restante, ainda que dentro do anel, não chegou a ultrapassar seu limite superior.
Rabi Yossei bar Yehudá diz: a largura de um fio sobre a maior parte dela. — Rabi Yossei bar Yehudá discorda quanto à medida exigida: para ele, não basta deixar por cortar a largura de um fio junto à borda; é preciso que essa margem não cortada se estenda por toda a maior parte da circunferência do anel — de modo que a maior parte do corte de fato tenha ocorrido dentro da área própria do anel, e apenas uma pequena porção, na direção da cabeça, tenha sido cortada fora dela, sendo então tratada como mero corte de carne, sem invalidar o abate já realizado corretamente na maior parte.
Rambam explica que este “anel” é o maior de todos, um corpo composto de várias partes ligadas: o esôfago e a traqueia, próximos ao pulmão. Dentro desse anel há como que dois pequenos grãos de tecido cartilaginoso, que os sábios chamam de chitê, aos quais se unem as demais argolas da traqueia. Quando se abate dentro do próprio anel, acima desses grãos, isso é considerado desvio (hagramá) e invalida o abate; mas se abateu mesmo dentro dos próprios grãos, e restou algo, por mínimo que seja, desses grãos ainda não cortado, o abate é válido — e esta é a decisão halákhica final.
Bartenura precisa que a mishná fala do maior anel da traqueia, o mais alto de todos, e explica que “deixou nele a largura de um fio sobre toda a sua face” significa que, para o lado da cabeça, o sacerdote não desviou a faca para sair do anel antes de terminar de cortar todo o anel — e “a largura de um fio” quer dizer qualquer quantidade mínima que seja. Já Rabi Yossei bar Yehudá exige que essa margem mínima se estenda pela maior parte do anel. E fecha citando a decisão halákhica final: quem abate acima do grande anel, a partir do que se assemelha ao friso de um capacete e para cima, o animal é trefá (impróprio); a partir desse friso e para baixo, ainda é válido.
Rashi explica que a mishná fala do grande anel, o mais alto de todos, acima do qual não há mais nenhum anel; e detalha que “deixou nele a largura de um fio sobre toda a sua face” significa que, para o lado da cabeça, o sacerdote não desviou a faca até completar todo o corte dentro do próprio anel — sendo “a largura de um fio” qualquer quantidade mínima. Já para Rabi Yossei bar Yehudá, se restou a largura de um fio de cabelo do anel para o lado da cabeça ao longo da maior parte do anel, o abate é válido, pois pela maioria o abate já se tornou apto, e o restante do corte, feito fora do anel, é considerado mero corte de carne, sem efeito sobre a validade já estabelecida.