O nervo ciático que foi cozido com outros nervos — se o reconhece, mede-se pelo sabor que se imprime; e se não, todos ficam proibidos. E o molho, mede-se pelo sabor.
— Depois de tratar do nervo cozido dentro da própria coxa, a mishná passa ao caso em que o nervo proibido foi cozido junto com outros nervos permitidos, todos misturados na mesma panela. A regra depende inteiramente de reconhecimento: se, após o cozimento, ainda é possível identificar fisicamente qual pedaço era o nervo proibido e separá-lo, então os demais nervos permanecem permitidos, a menos que o volume do nervo proibido fosse suficiente para imprimir seu sabor neles. Mas se, uma vez misturados, não há mais como distinguir qual era o nervo proibido, todos os pedaços ficam proibidos — porque, sobre cada um deles, paira a dúvida de que possa ser justamente aquele. Quanto ao molho da cozedura, aplica-se sempre o critério do sabor: ele fica proibido apenas se o nervo lhe imprimiu sabor suficiente.
E do mesmo modo, um pedaço de nevelá, e do mesmo modo um pedaço de peixe impuro, que foram cozidos com os pedaços — se os reconhece, mede-se pelo sabor que se imprime. E se não, todos ficam proibidos. E o molho, mede-se pelo sabor.
— A mishná estende o mesmo princípio de reconhecimento a duas outras categorias de mistura: um pedaço de nevelá (animal morto sem abate válido) cozido junto com pedaços de carne permitida, e um pedaço de peixe impuro cozido junto com pedaços de peixe permitido. A lógica é idêntica à do nervo: se o pedaço proibido ainda pode ser identificado e separado, os demais permanecem permitidos, salvo se seu volume bastasse para imprimir sabor; se não pode mais ser distinguido dos demais, todos os pedaços ficam proibidos, pela mesma dúvida que recai sobre cada um individualmente; e o molho, como sempre, segue o critério do sabor transmitido.
Rambam adverte que a lei prática difere do teste literal desta mishná: o princípio estabelecido é que não há nos nervos a capacidade de imprimir sabor. Mesmo que muitos nervos permitidos fossem cozidos com pouca carne, essa carne não ficaria proibida; apenas a gordura do nervo proibido é que tem capacidade de imprimir sabor, quando cozida com algo de outro tipo — ou seja, com outro nervo. Mas se a carne foi cozida com a gordura do nervo ciático, mede-se por um em sessenta — e a mesma regra vale para a gordura de nevelá e de peixe impuro, ou o próprio leite proibido: tudo se mede por um em sessenta, porque o princípio é que mistura de mesmo tipo se mede por um em sessenta, e de tipo diferente pelo sabor. E se não há ali um gói para provar aquele alimento, a lei volta a se medir por um em sessenta.
Bartenura explica que, quando se reconhece o nervo proibido, ele simplesmente se descarta, e o que resta é apenas o sabor que ele já imprimiu na cozedura. Quando não se reconhece, todos os pedaços ficam proibidos, porque, sobre cada um, paira a dúvida “este é ele”, e o nervo, sendo uma briá importante, não se anula pela maioria — uma entidade completa não desaparece estatisticamente numa mistura, ao contrário de outras substâncias proibidas comuns. Sobre a lei prática de mistura de proibido com permitido, explica que se mede por um em sessenta: se há sessenta partes permitidas contra a proibida, tudo é permitido; caso contrário, tudo é proibido.
Rashi esclarece que os outros nervos são de carne permitida, e que, quando se reconhece o nervo proibido, ele simplesmente se descarta, restando apenas o que ele já transmitiu por sabor. Observa que a Guemará adiante explica que, quando o sabor é de mistura de mesmo tipo, impossível de distinguir pelo paladar, mede-se por um em sessenta; e que, quando não se reconhece o proibido, todos ficam proibidos, pois sobre cada pedaço paira a suspeita “este é ele” — embora a Guemará pergunte, a seguir, por que ele não se anularia simplesmente pela maioria dos pedaços permitidos.
Rashi aplica o mesmo raciocínio à nevelá e ao peixe impuro: quando se reconhecem os pedaços proibidos, mede-se pelo sabor que imprimiriam nos permitidos; quando não se reconhecem, todos os pedaços ficam proibidos, pois cada um pode ser suspeito de ser o proibido; e o molho permanece permitido caso os pedaços proibidos não bastassem para imprimir sabor em todo o conjunto — pedaços, tempero e caldo.