Convertido que se converteu e tinha uma vaca: foi abatida antes que se convertesse — é isento. Depois que se converteu — é obrigado. Em caso de dúvida — é isento, pois quem quer extrair de seu companheiro, sobre ele recai o ônus da prova.
— A mitzva das dádivas sacerdotais recai sobre um israelita no momento do abate; um gentio não está sujeito a ela. Por isso, se a vaca de um homem que depois se converteu foi abatida ainda enquanto ele era gentio, não há obrigação alguma — o abate ocorreu fora do círculo da mitzva. Se foi abatida depois de sua conversão, ele já é um israelita pleno e deve as dádivas normalmente. Mas se há dúvida sobre qual dos dois momentos ocorreu o abate, prevalece o princípio geral de que o sacerdote, querendo cobrar as dádivas, é quem deve provar sua reivindicação — e na ausência de prova, o convertido permanece na posse do que tem, isento.
Qual é o braço? Da articulação do joelho até a palma da mão — e esse é o do nazireu. E o correspondente na perna é a coxa. Rabi Iehudá diz: a coxa é da articulação do joelho até o emaranhado da perna.
— A mishná define com precisão os limites físicos de cada dádiva, para que não haja dúvida sobre o que exatamente se entrega ao sacerdote. O “braço” da dianteira do animal é o segmento ósseo que vai da articulação do joelho — a parte vendida junto com a cabeça — até o osso largo do ombro, chamado popularmente de “palma da mão”. É esse exato segmento que a Torá chama de “braço cozido” a respeito do carneiro do nazireu, entregue ao sacerdote depois que este raspa os cabelos de seu voto. O segmento correspondente na perna traseira, entregue como “coxa” do sacrifício de paz, vai igualmente da articulação do joelho até o osso saliente da coxa. Rabi Iehudá discorda quanto à extensão superior: para ele, a coxa vai apenas até a articulação intermediária da perna, um segmento menor.
Qual é o queixo? Da articulação do queixo até o anel da traqueia.
— A terceira dádiva, o “queixo” (na verdade dada em dobro, os dois queixos), também recebe delimitação exata: começa na articulação junto às têmporas e desce até o anel superior da traqueia, próximo à protuberância da laringe — abrangendo a mandíbula inferior junto com a língua.
Rambam explica que o “braço” é o membro dianteiro direito, cujo limite já se esclareceu: da articulação do joelho para cima até o osso conhecido popularmente como “braço”, vendido junto com a carne. Observa ainda que essas dádivas podem ser entregues a quem o dono quiser, mesmo que não cheguem à sua própria mão, pois não há nelas santidade impeditiva; dão-se também a uma mulher de família sacerdotal, cujo marido come em razão dela, mas o levita não é obrigado a dar dádivas. Se não houver sacerdote disponível na localidade, o próprio açougueiro fica com elas mediante pagamento de seu valor a um sacerdote. Rambam nota que, se o abatedor transgrediu e não deu as dádivas, a carne não fica proibida para consumo, mas ele é passível de excomunhão, conforme consta na Guemará; e não é permitido comprar dele as dádivas, para que não se fortaleçam suas mãos no roubo. Quanto a “emaranhado da perna”, refere-se às fibras e tendões da perna; e a lei não segue Rabi Iehudá.
Bartenura explica que “da articulação do joelho” refere-se à parte vendida junto com a cabeça; e “até a palma da mão” é o osso largo do ombro. Apenas o braço direito é entregue ao sacerdote, pois está escrito “e dará ao sacerdote o braço” — o mais destro dos dois braços. “E esse é o do nazireu” significa que o “braço cozido” mencionado a respeito do nazireu é retirado do mesmo modo. “E o correspondente na perna, a coxa”, dita a respeito do sacrifício de paz, é igualmente formada por dois ossos, da articulação do joelho até o osso saliente da coxa — ou seja, toda a coxa. “Emaranhado da perna” é a articulação entre o osso inferior e o osso do meio; e a lei não segue Rabi Iehudá. “A articulação do queixo” é junto às têmporas, cortando para baixo “até o anel da traqueia”, isto é, até a borda que forma sua abertura, correspondente à mandíbula inferior junto com a língua.
Rashi explica que “da articulação do joelho” é a articulação vendida junto com a cabeça; “até a palma da mão” é o osso largo do ombro, chamado em francês antigo “espaldão”. “E esse é o do nazireu”: também o braço cozido mencionado a respeito do nazireu é retirado da mesma forma. “E o correspondente na perna, a coxa”, dita a respeito do sacrifício de paz, é igualmente formada por dois ossos, da articulação do joelho até o osso saliente da coxa, ou seja, toda a coxa. “Emaranhado da perna” é a articulação entre o osso inferior e o osso do meio. “A articulação do queixo” é junto às têmporas, cortando para baixo até o anel da traqueia, até a borda que forma sua abertura — a mandíbula inferior junto com a língua, na garganta.
Com esta mishná encerra-se o Perek Yud de Massechet Chulin.