Esta mishná continua diretamente o catálogo iniciado em 5:1, agora cruzando os dois animais entre si — um não consagrado e outro consagrado — e variando também a ordem e o local do abate, para completar as oito combinações restantes da tabela de oto ve-et beno.
Não consagrado e consagrado, fora — o primeiro é apto e isento, e o segundo recebe as quarenta e é desqualificado. Consagrado e não consagrado, fora — o primeiro é passível de caret e desqualificado, e o segundo é apto, e ambos recebem as quarenta. Não consagrado e consagrado, dentro — ambos são desqualificados, e o segundo recebe as quarenta. Consagrado e não consagrado, dentro — o primeiro é apto e isento, e o segundo recebe as quarenta e é desqualificado. Não consagrados, fora e dentro — o primeiro é apto e isento, e o segundo recebe as quarenta e é desqualificado. Consagrados, fora e dentro — o primeiro é passível de caret, e ambos são desqualificados, e ambos recebem as quarenta. Não consagrados, dentro e fora — o primeiro é desqualificado e isento, e o segundo recebe as quarenta e é apto. Consagrados, dentro e fora — o primeiro é apto e isento, e o segundo recebe as quarenta e é desqualificado.
Onde a mishná anterior tratava dos quatro casos em que os dois animais compartilham o mesmo estatuto e o mesmo local, esta mishná percorre sistematicamente as combinações em que eles diferem — ora um é consagrado e o outro não, ora ambos compartilham o estatuto mas são abatidos em locais diferentes, um fora e outro dentro do pátio. Em cada caso, a ordem das palavras no hebraico indica qual animal foi abatido primeiro: quando se diz “não consagrado e consagrado, fora”, o primeiro abatido — não consagrado — é simplesmente apto para consumo e seu abatedor isento; mas o segundo, consagrado e abatido fora do pátio quando já deveria ter sido levado para dentro, soma a desqualificação com as chibatadas de oto ve-et beno. Quando a ordem se inverte — consagrado primeiro, não consagrado depois, ambos fora — o primeiro acarreta caret por ser abatido fora do pátio devido, e fica desqualificado; mas o segundo, sendo não consagrado, é perfeitamente apto para consumo, embora ambas as mortes rendam separadamente as chibatadas de oto ve-et beno e de abate fora. Os últimos quatro casos cruzam o mesmo estatuto com locais opostos: quando ambos são não consagrados, o primeiro abatido fora é apto e seu abatedor isento, mas o segundo, abatido dentro do pátio, soma a desqualificação de animal comum em área sagrada às chibatadas de oto ve-et beno; a mesma lógica, invertida quanto ao local — primeiro dentro, segundo fora —, produz o resultado espelhado, com o primeiro desqualificado, mas isento, e o segundo apto e sujeito apenas às chibatadas. Já para os pares de animais consagrados, abatidos em ordens opostas de dentro e fora, o resultado converge sempre para o mesmo padrão: quem abate fora do pátio devido é passível de caret, e ambos os corpos ficam desqualificados, com chibatadas para ambos os atos.
Rambam observa, a propósito dos princípios já expostos, que todos os oito casos desta mishná se resolvem pela aplicação combinada das quatro regras enunciadas na mishná anterior: o abate fora do pátio de um animal consagrado apto gera caret; o segundo animal consagrado, por estar sob impedimento de tempo incompleto, recebe apenas as chibatadas de oto ve-et beno; o animal comum abatido dentro do pátio fica proibido para consumo, mas sem pena de chibatadas por isso; e todo passível de caret recebe também chibatadas. A combinação sistemática desses quatro princípios, aplicados a cada ordem e cada par de locais, produz exatamente os oito resultados que a mishná enumera.
Bartenura adverte, logo na primeira cláusula, que a ordem das palavras na mishná é sempre precisa: quando se diz “não consagrado e consagrado”, é exatamente o primeiro que é não consagrado e o segundo consagrado — regra que vale para todos os pares enumerados nesta mishná. Explica cada caso pela combinação dos mesmos princípios: as chibatadas do primeiro animal, quando aplicáveis, decorrem do abate fora do pátio (pois todo passível de caret recebe também chibatadas); as do segundo, quando o animal é consagrado, decorrem sempre de oto ve-et beno. No último caso — consagrados, primeiro dentro e depois fora — esclarece que o segundo animal recebe as chibatadas apenas por oto ve-et beno, e não também por abate fora do pátio, pois, estando sob impedimento de tempo incompleto, ele de todo modo não seria aceito dentro naquele mesmo dia, o que isenta seu abatedor da pena mais grave.
Rashi confirma, logo de início, que a ordem “não consagrado e consagrado” é precisa — o primeiro abatido é sempre o não consagrado, e assim em todos os pares ensinados na mishná. Nota que, quando o consagrado é abatido primeiro e fora do pátio, o não consagrado abatido em seguida (também fora) fica desqualificado; a mishná diz que ele é “apto para consumo” apenas por decorrência estilística, para poder usar depois a mesma palavra “apto” no caso seguinte. Explica que, no caso dos dois não consagrados abatidos dentro do pátio, o primeiro é desqualificado por ser animal comum abatido em área sagrada, e o segundo, além dessa mesma desqualificação, soma o impedimento de tempo incompleto. E, no último caso — consagrados, primeiro dentro e depois fora —, esclarece que o segundo animal recebe as chibatadas apenas por oto ve-et beno, e não pela transgressão de abater fora do pátio, pois, sendo mechusar zeman, ele de todo modo não seria aceito dentro naquele dia.