Aquele que esfola um animal doméstico ou selvagem, puro ou impuro, miúdo ou graúdo, para fazer um tapete: até a medida de segurar. E para fazer um odre: até que esfole o peito.
— Embora a pele já separada da carne perca, em regra, o estatuto de carne, enquanto o esfolamento está em curso a porção ainda presa continua sendo conexão (chibur) entre a pele solta e a carne, transmitindo impureza de um lado ao outro. A medida dessa conexão depende do método de trabalho: quem esfola para fazer um tapete — cortando a pele ao longo do corpo, da cauda à cabeça, e destacando-a dos dois lados — mantém a conexão só até ter soltado a medida de “segurar”, dois palmos; além disso, o que já foi solto não transmite mais impureza. Quem esfola para fazer um odre — cortando em círculo junto ao pescoço e puxando a pele para baixo — mantém a conexão por mais tempo, até esfolar todo o peito, a parte mais difícil de soltar.
Aquele que esfola a partir das patas: tudo é conexão para a impureza, para se tornar impuro e para impurificar. Quanto à pele que está sobre o pescoço, Rabi Iochanan ben Nuri diz: não é conexão. E os sábios dizem: é conexão, até que esfole tudo.
— O marguil é quem, ao preparar um odre, começa soltando a pele pelas patas e a retira inteira, sem cortes nem rasgos, de modo que o odre resultante pode ser inflado sem costura. Nesse método, toda a pele permanece conexão com a carne até que o esfolamento se complete inteiramente. Resta a pele que cobre o pescoço, que se solta naturalmente por conta própria antes do restante: Rabi Iochanan ben Nuri a considera já desligada, sem conexão; os sábios discordam e a mantêm como conexão até que absolutamente tudo, inclusive o pescoço, esteja esfolado — e a lei segue os sábios.
Rambam recorda o princípio de que a Sifrá exclui a pele, os ossos, os tendões, os chifres e os cascos da impureza de carcaça — a menos que seja no momento em que ainda estão conectados à carne, quando a própria palavra “impuro” os inclui. Descreve três formas de esfolar: para tapete, cortando a pele ao longo do corpo, do rabo ao pescoço, e destacando-a — chamado sátiach —, caso em que a conexão perdura até faltarem dois palmos por soltar; para odre, cortando em círculo junto ao pescoço e virando a pele de dentro para fora em direção à cauda — caso em que a conexão perdura até se esfolar todo o peito, a parte mais difícil de destacar; e o método muito peculiar do marguil, que retira o animal inteiro pela abertura das patas, sem corte nem rasgo, de modo que, amarrando as aberturas das patas e do pescoço, pode-se inflar a pele inteira como um odre para conter água. Nesse último caso, é conexão até que nada reste de carne, mesmo já esfolada a pele do corpo.
Bartenura explica que, seja o animal puro e abatido (com o esfolador impuro), seja impuro e carcaça (com o esfolador puro), se esfolado para servir de tapete — cortando e soltando a pele inteira ao longo do corpo, da cabeça à cauda —, há conexão de mão, capaz de fazer sair impureza da carcaça ou entrar impureza na carne, até faltarem dois palmos por soltar; além dessa medida, o toque não transmite mais impureza em nenhuma direção. Para o odre, se não cortou a pele ao longo mas a esfolou dobrada, começando pelo pescoço e virando-a para a cauda, a conexão persiste até esfolar o peito, por ser a parte mais difícil de soltar de todos os membros. O marguil é quem começa pelas patas e esfola dobrado com o mesmo fim de fazer um odre; nesse caso, por o peito ser a última parte a se soltar, toda a pele permanece conexão até ele. Quanto à pele do pescoço, que se solta sozinha, Rabi Iochanan ben Nuri a considera já sem conexão; mas a lei segue os sábios, que a mantêm como conexão até que absolutamente nada reste por esfolar.
Rashi explica que “pura” se refere ao caso de um animal abatido corretamente, mas em que quem esfola está impuro, e “impura” ao caso de uma carcaça, em que quem esfola está puro; e que, ao esfolar para fazer dela um tapete para o leito ou para a mesa, o esfolamento é feito de modo simples, esticado, do jeito costumeiro.