Quem abate cortando duas cabeças de uma só vez, seu abate é válido. — Se alguém posiciona duas cabeças de behêmá lado a lado e passa a faca por ambos os pescoços num único movimento de vaivém, o abate de ambas é válido — não se trata de dressá (golpe seco, sem o movimento próprio de puxar e trazer a faca), pois o movimento contínuo da lâmina sobre os dois pescoços ainda constitui um corte por deslizamento, e não um golpe de decepação.
Dois seguram a faca e abatem juntos — mesmo que um segure por cima e outro por baixo — seu abate é válido. — Duas pessoas podem segurar as duas extremidades de uma única faca e, juntas, realizar o abate de uma mesma behêmá; o abate é válido mesmo que cada uma delas puxe a lâmina por um ponto diferente do pescoço, uma por cima e outra por baixo, desde que o movimento conjunto complete o corte próprio dos símanim.
Rambam explica o caso de dois que seguram a faca: um pela ponta superior e outro pela ponta inferior, cada um puxando de seu lado. Já introduz aqui, a propósito, os termos que serão centrais na mishná seguinte — a exigência de que a faca tenha o comprimento de um pescoço inteiro além do próprio pescoço, e a definição de dressá como o corte feito sem qualquer movimento de vaivém, à maneira de quem corta pepinos de um só golpe.
Bartenura esclarece que o caso é de duas pessoas abatendo uma única behêmá com a mesma faca, cada uma segurando uma extremidade — uma delas na ponta de cima, a outra na ponta de baixo do pescoço.
Rashi confirma que o caso de “dois que seguram a faca e abatem” se refere a uma única behêmá, e já introduz, em seguida, a definição de dressá retomada na próxima mishná: o gesto de quem deceptor um caniço ou uma abóbora, empurrando a faca com força e cortando de um só golpe, sem o vaivém próprio do abate.