Quem abate um símã na ave, e dois na behêmá, seu abate é válido; e a maioria de um símã é como ele por inteiro. — Os dois simanim (canais) do pescoço são o cano da respiração (kaneh) e o esôfago (vêshet). Na ave, basta cortar um dos dois para que o abate seja válido, pois a Torá a colocou entre a behêmá e os peixes: não podia exigir dela os dois símanim como na behêmá, nem dispensá-la totalmente como os peixes; por isso, basta um. Já na behêmá, ambos devem ser cortados. E em qualquer dos dois casos, cortar a maioria de um símã já equivale, por lei, a cortá-lo por inteiro.
Rabi Yehudá diz: até que abata os vorídin. — Os vorídin são os vasos sanguíneos de cada lado do pescoço. Rabi Yehudá exige, apenas na ave, que também esses vasos sejam cortados, para que o sangue seja de fato extraído — já que a ave costuma ser assada inteira, sem ser cortada em pedaços como a behêmá. A lei, porém, não segue Rabi Yehudá.
Metade de um símã na ave, e um e meio na behêmá, seu abate é inválido. Maioria de um na ave e maioria de dois na behêmá, seu abate é válido. — A mishná repete aqui, com outras palavras, a regra da maioria já enunciada na primeira frase — agora para ensinar que ela vale tanto no abate comum quanto no abate de oferendas consagradas: mesmo ali, onde o sangue deve ser extraído com todo o rigor para a aspersão no altar, a maioria do símã já basta, sem exigir o corte completo.
Rambam observa que a expressão “quem abate” sugere, a princípio, uma permissão apenas a posteriori — mas isso se aplica somente à cláusula sobre a ave, pois de início todo abatedor deve ter a intenção de cortar os dois símanim por completo, mesmo na ave. Define os vorídin como dois vasos pulsantes de cada lado do cano da respiração. E explica que a mishná repete a regra da maioria uma segunda vez porque a primeira menção tratava do abate comum, e a segunda, do abate de oferendas consagradas — e a lei não segue Rabi Yehudá.
Bartenura explica, a partir do versículo de Vaicrá, por que a ave recebeu uma regra intermediária entre a behêmá e os seres aquáticos: bastando um único símã completo. Explica os vorídin como os fios que correm em cada lado do cano da respiração, e que Rabi Yehudá os exige apenas na ave, para que o sangue seja de fato extraído antes que ela seja assada inteira — mas a lei não o segue. Por fim, explica que a repetição da regra da maioria distingue o abate comum do abate de oferendas consagradas, para que não se pense que somente no abate comum a maioria basta.
Rashi observa que a Guemará questiona por que a expressão “quem abate”, que sugere permissão a posteriori, foi usada também para o caso de dois símanim na behêmá, já que ali não há de fato um mínimo menor a ser corrigido — a resposta é que ela ensina até onde se deve abater e prosseguir. Define os vorídin como os fios do pescoço que fazem jorrar o sangue, e localiza na Guemará adiante a explicação de que Rabi Yehudá os exige apenas na ave, justamente para garantir a extração do sangue.