Uma pessoa pode amarrar carne e queijo num só lenço, contanto que não se toquem um ao outro. Rabán Shimão ben Gamliël diz: dois hóspedes comem à mesma mesa, este carne e aquele queijo, e não se preocupam.
— A mishná anterior restringiu a proibição de levar carne e queijo à mesma mesa àquela usada para comer, por receio do contato inadvertido entre os dois alimentos. Esta mishná refina ainda mais essa cerca: mesmo dentro de um só lenço — um espaço muito mais apertado que uma mesa —, é permitido guardar carne e queijo juntos, desde que fisicamente não se toquem; o pano em si não constitui o tipo de aproximação que a cerca dos sábios visou proibir. E Rabán Shimão ben Gamliël vai além: mesmo à mesma mesa de refeição — o próprio caso que a mishná anterior identificara como o de maior risco —, dois hóspedes que não se conhecem podem comer, um carne e outro queijo, sem que haja motivo de preocupação: como são estranhos entre si, nenhum deles estenderá a mão para tomar do prato do outro, de modo que o risco de mistura que fundamenta toda a cerca simplesmente não se aplica a esse caso.
Rambam esclarece que a permissão dada por Rabán Shimão ben Gamliël vale apenas para hóspedes que não se conhecem entre si e não têm qualquer ligação ou proximidade um com o outro, de modo que nenhum deles estenderia a mão para tomar do que o companheiro come. A lei segue Rabán Shimão ben Gamliël.
Bartenura observa que, mesmo sem se tocarem, se carne e queijo chegassem a se encostar dentro do lenço, seria necessário enxaguá-los antes de usá-los — ainda que ambos estivessem frios, pois o mero contato entre alimentos frios já exige essa precaução. E precisa a condição da permissão de Rabán Shimão ben Gamliël: aplica-se apenas quando os dois hóspedes não se conhecem; se são conhecidos um do outro, a proximidade e a confiança tornam provável que um tome comida do prato do outro, e por isso é proibido. A lei segue Rabán Shimão ben Gamliël.
Rashi explica, sobre a posição de Rabán Shimão ben Gamliël, que não há motivo de preocupação de que um dos hóspedes venha a comer do prato do outro — sendo essa ausência de laço entre eles precisamente o que torna a situação diferente da mesa comum de uma mesma família ou de conhecidos.