O braço, os queixos e o estômago vigem na Terra e fora da Terra, na presença do Templo e não na presença do Templo, em animais não consagrados, mas não em consagrados.
— O Perek Yud abre a série das dádivas sacerdotais: de todo animal não consagrado que se abate para consumo, é obrigatório separar três porções para o sacerdote — o braço dianteiro, os dois queixos e o estômago. Diferentemente de muitas mitzvot ligadas à terra, esta não depende de estar em Eretz Israel nem da existência do Templo: aplica-se dentro e fora da Terra, com o Templo de pé ou já destruído. Mas aplica-se apenas a animais não consagrados — não aos animais sacrificados, cujo sacerdote já recebe sua porção por outra via, o peito e a coxa movidos no altar.
Pois seria pelo din: se os não consagrados, que não são obrigados no peito e na coxa, são obrigados nas dádivas — os consagrados, que são obrigados no peito e na coxa, não seria din que fossem obrigados nas dádivas? Ensina o versículo: “e os dei a Aharon, o sacerdote, e a seus filhos, como lei perpétua” — ele não tem senão o que está dito no assunto.
— A mishná antecipa e refuta um raciocínio a fortiori que pareceria óbvio: se até o animal não consagrado, que não deve peito e coxa ao altar, ainda assim deve as dádivas, quanto mais o animal consagrado, que já deve peito e coxa, deveria também as dádivas. Mas a Torá encerra o assunto com a expressão restritiva “a eles” (Vaicrá 7:34): o sacerdote, quanto aos sacrifícios de paz, não tem senão o que ali está explicitamente dito — peito e coxa — e nada além disso. A lógica humana cede diante da palavra explícita da Torá.
Rambam observa que a prova está na palavra “a eles”, que constitui uma restrição referida a esses [dois itens] — comparando-os a outros assuntos, isto é, ao peito e à coxa, restringindo a obrigação das dádivas a esses dois e excluindo os consagrados.
Bartenura explica que a mishná ensina juntos “na Terra e fora da Terra” e “na presença do Templo e não na presença do Templo” porque precisava, de qualquer forma, ensinar “em não consagrados, mas não em consagrados” — e por isso repete todos esses pares. “Na presença do Templo” significa enquanto o Santuário está de pé. E “e os dei a eles” está escrito a respeito do peito e da coxa: “a eles” é uma restrição — peito e coxa sim, qualquer outra coisa não.
Rashi explica que “na Terra e fora da Terra” foi ensinado junto com os outros pares porque a mishná precisava dizer “em não consagrados, mas não em consagrados”, e por isso os enumerou todos. “Na presença do Templo” significa enquanto ele ainda está de pé. E sobre “e os dei a eles”, esclarece que está escrito a respeito do peito e da coxa: “a eles” é uma restrição — peito e coxa sim, e nenhuma outra coisa.