Três coisas Rabi Elazar ben Azaria permite, e os Sábios proíbem: sua vaca saía com a correia que tinha entre os chifres; penteia-se o gado num dia de festa; e mói-se a pimenta em seu próprio moinho. Rabi Yehudá diz: não se penteia o gado num dia de festa, porque causa ferida, mas escova-se. Mas os Sábios dizem: não se penteia, nem sequer se escova. — A mishná final do capítulo reúne três testemunhos atribuídos a Rabi Elazar ben Azaria. O primeiro trata das leis de Shabat sobre o que um animal pode "sair" carregando sem violar a proibição de transportar um fardo; a mishná esclarece, no comentário dos sábios, que a vaca em questão nem sequer era de Rabi Elazar, mas de sua vizinha — atribuída a ele apenas porque não protestou contra o uso. Os outros dois casos tratam de trabalhos permitidos em dia de festa: pentear o gado com um pente de dentes finos de ferro (o que pode ferir a pele do animal) e moer pimenta num pequeno moinho próprio (em vez de recorrer a utensílios manuais mais simples). Rabi Yehudá propõe uma posição intermediária quanto ao penteado: proíbe o pente de ferro, que fere, mas permite escovar com um instrumento de dentes grossos, que não fere; os Sábios, mais rigorosos, proíbem os dois. A Halachá segue Rabi Elazar ben Azaria apenas quanto a pentear o gado — pois nesse ponto ele se alinha com a posição de Rabi Shimon de que um ato sem intenção de causar dano é permitido, mesmo que incidentalmente cause um efeito normalmente proibido.
Rambam esclarece que "sua vaca" significa que ele permitiu que ela saísse com a correia — mas a vaca, na verdade, pertencia a uma vizinha; como ele não protestou contra o uso, o caso foi atribuído a ele. Seja a correia usada por ornamento ou como sinal para não se confundir com outros animais, todos proíbem, pois é considerada um fardo, como se explica no quinto capítulo de Shabat.
"Pentear" (kirud) é remover pequenas moscas presas nas patas dos animais, deixando o local ferido ao arrancá-las; "escovar" (kirtsuf) remove moscas maiores sem ferir. Os Sábios proíbem remover mesmo as maiores que não ferem, como decreto preventivo contra remover as que ferem — pois sustentam, como Rabi Yehudá ben Beteira, que um ato sem intenção [de causar o efeito proibido] ainda é proibido. A Halachá, porém, segue Rabi Elazar, que sustenta que um ato sem intenção é permitido; o tema já foi explicado, junto com as duas leis anteriores, no segundo capítulo de Beitsá.
Bartenura: a correia era por ornamento, mas os Sábios a consideram um fardo, não um adorno; e a vaca não era de Rabi Elazar ben Azaria, mas de sua vizinha — atribuída a ele por não ter protestado. "Pentear em dia de festa" é feito com uma espécie de pequena serra de ferro de dentes finos, que raspa o animal, ainda que cause ferida; "em seu próprio moinho" refere-se a pequenos moinhos feitos especificamente para moer pimenta.
"Escovar" é feito com uma serra de madeira de dentes grossos, que não causa ferida. Os Sábios proíbem até escovar, como decreto para não se chegar a pentear. A Halachá segue Rabi Elazar ben Azaria apenas quanto a pentear o gado, pois nesse ponto ele segue a posição de Rabi Shimon, de que um ato sem intenção [de causar o efeito proibido] é permitido — e assim decidimos; os Sábios, que discordam, seguem Rabi Yehudá, que proíbe o ato sem intenção, mas a Halachá não é assim.