Seder Nezikin · Massechet Eduyot · Perek Guimel · Mishná 4 de 12

As esteiras e as tranças

כָּל הַחוֹצָלוֹת טְמֵאוֹת טְמֵא מֵת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Esteiras de junco e tranças de fio: qual grau de impureza recebem

Todas as esteiras são impuras por impureza de morto — palavras de Rabi Dosa. Mas os Sábios dizem: também por impureza de midrás. Todas as tranças são puras, exceto a do cinto trançado — palavras de Rabi Dosa. Mas os Sábios dizem: todas são impuras, exceto a dos vendedores de lã.Dois testemunhos sobre objetos tecidos simples. No primeiro, trata-se de esteiras (chotzalot) feitas de junco ou material semelhante, com uma borda ao redor, que servem como uma espécie de recipiente; Rabi Dosa sustenta que elas só recebem impureza de contato com um cadáver (por terem função de recipiente), mas não a impureza mais severa de midrás — a impureza transmitida por quem tem fluxo genital (zav) ao sentar ou deitar sobre um objeto — porque, em sua avaliação, não são próprias para se sentar ou deitar; os Sábios discordam e as consideram próprias para isso. No segundo, trata-se de fios trançados grossos, semelhantes a cordas; Rabi Dosa considera que nenhum deles é "tecido" o bastante para ser roupa e receber impureza, exceto a trança usada como cinto; os Sábios invertem a regra, considerando todas essas tranças roupa — e portanto suscetíveis a impureza — exceto a trança que os vendedores de lã usam para amarrar fardos, que tem função de corda, não de vestimenta.

כָּל הַחוֹצָלוֹת טְמֵאוֹת טְמֵא מֵת, דִּבְרֵי רַבִּי דוֹסָא. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, מִדְרָס. כָּל הַקְּלִיעוֹת טְהוֹרוֹת, חוּץ מִשֶּׁל גַּלְגִּילוֹן, דִּבְרֵי רַבִּי דוֹסָא. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, כֻּלָּם טְמֵאוֹת, חוּץ מִשֶּׁל צַמָּרִים:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Eduyot 3:4
חוצלות המחצלות הנעשות מן הגמי וכיוצא בו והיו עשויות מלאכה עבה והיתה להם שפה סביב...

Rambam explica que as "esteiras" (chotzalot) são feitas de junco, trabalhadas de forma espessa e com uma borda ao redor, como se descreve no tratado Sucá. Rabi Dosa sustenta que só recebem impureza de morto, não a impureza de deitar do zav, por não serem próprias para sentar-se sobre elas; os Sábios sustentam que são próprias para isso e por isso também recebem midrás.

As "tranças" (kelioot) são fios entrelaçados grossos — o exemplo dado na Guemará é o pobre que trança três fios para pendurar no pescoço de sua filha pequena. Rabi Dosa sustenta que essa trança não é considerada tecido, e que só a trança usada como cinto (a palavra galgilon é composta de "fio de alegria") recebe impureza como roupa; os Sábios consideram todas impuras, exceto a trança que os vendedores de lã usam para amarrar fardos, que não é considerada um utensílio, mas uma espécie de corda.

Bartenura · Eduyot 3:4
חוֹצָלוֹת. מַחְצְלָאוֹת עֲשׂוּיוֹת מִגֶּמִי וְכַיּוֹצֵא בּוֹ, וְיֵשׁ לָהֶם שָׂפָה סָבִיב...

Bartenura confirma: as esteiras têm uma borda ao redor, o que lhes dá função de recipiente e as torna impuras por impureza de morto; mas, na avaliação de Rabi Dosa, não são próprias para deitar ou sentar, ao contrário da opinião dos Sábios. Quanto às tranças: "puras" porque não são consideradas tecido nem roupa — exceto a trança do cinto, que é claramente uma peça de vestuário; os Sábios consideram todas roupa, exceto a trança usada pelos vendedores de lã para amarrar fardos de lã.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Eduyot não possui Guemará no Talmud Bavli — é um tratado composto majoritariamente de testemunhos (edviot) de sábios transmitidos e preservados tal como ensinados, sem o desenvolvimento amoraico posterior que caracteriza a maioria dos tratados de Nezikin. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.