Cerca-se com três cordas, uma acima da outra e outra acima desta — três cordas esticadas horizontalmente, empilhadas verticalmente, como uma cerca de estacas — contanto que não haja entre uma corda e a outra um vão de três palmos — pois, segundo o princípio de "lavud" (unido), qualquer espaço vazio menor que três palmos é considerado, para efeitos legais, como se estivesse preenchido, unindo as duas partes que o cercam. A medida das cordas e sua espessura deve ser maior que um palmo — isto é, cada uma das três cordas, somada aos vãos que o princípio de lavud "preenche" abaixo dela, precisa contribuir com pouco mais de um palmo — para que o total seja de dez palmos — a altura mínima de toda partição válida: três cordas de pouco mais de um palmo cada, somadas aos dois vãos de quase três palmos cada que o lavud converte em "construção", completam os dez palmos exigidos.
O princípio de "lavud": o vazio pequeno demais para contar como vazio. Esta mishná é a aplicação prática mais elegante do princípio de lavud — uma das medidas fundamentais transmitidas por tradição a Moisés no Sinai (הֲלָכָה לְמֹשֶׁה מִסִּינַי), segundo a qual todo espaço vazio menor que três palmos é juridicamente tratado como se estivesse fechado. Graças a esse princípio, três cordas finas, longe de bastarem sozinhas para formar uma parede de dez palmos, tornam-se, com os vãos entre elas "unidos" pelo lavud, uma partição plenamente reconhecida — capaz de cumprir a mesma função que a parede maciça de uma casa em relação à proibição de Yirmiyahu 17:22.
O Rambam remete este cálculo ao princípio geral de lavud, uma das medidas transmitidas por tradição a Moisés no Sinai.
Isto está explicado: a medida de uma partição válida é dez palmos, e o princípio entre nós é que tudo o que é menos de três palmos se considera unido (lavud); e isso está entre as coisas que são lei transmitida a Moisés no Sinai. Por isso é necessário que a espessura das cordas seja maior que um palmo, para completar as três medidas que faltam entre uma corda e outra, de modo que entre elas reste menos de três palmos.
A aritmética exata por trás da cerca de cordas. Como o próprio Rambam explica no comentário à mishná (citado aqui como fonte, à falta de uma codificação equivalente e mais sucinta no Mishné Torá), o cálculo funciona assim: cada corda tem pouco mais de um palmo de espessura; entre ela e a próxima, o vão é de quase três palmos — logo, considerado unido pelo lavud. Três cordas de pouco mais de um palmo (totalizando pouco mais de três palmos) somadas a dois vãos de quase três palmos cada (totalizando quase seis) resultam em uma altura total pouco acima de dez palmos, a medida mínima exigida — sem que nenhum vão real ultrapasse o limite do lavud.
O Rambam detalha com precisão aritmética como a soma de três cordas finas e dois vãos "unidos" pelo lavud completa exatamente os dez palmos exigidos.
"Cerca-se com três cordas, uma acima da outra etc." — isto está explicado: a medida de uma partição é dez palmos, e o princípio entre nós é que tudo o que é menos de três palmos se considera unido; e isso está entre as coisas que são lei transmitida a Moisés no Sinai. Por isso é necessário que a espessura das cordas seja maior que um palmo, para completar as três medidas que faltam entre uma corda e outra, de modo que entre elas reste menos de três palmos.
"Cerca-se com três cordas" — refere-se de volta à caravana que acampou no vale, mencionada na mishná anterior; este é um segundo método, alternativo ao equipamento dos animais, de construir a cerca exigida.
"A mishná: cerca-se com três cordas" — refere-se à caravana que acampou no vale.
"Uma acima da outra" — presas em estacas ao redor: do chão até a corda inferior, menos de três palmos, que se considera todo ele "construído" pelo princípio de lavud; dela até a corda do meio, novamente menos de três — resultando em seis palmos de "construído", com dois pequenos acréscimos "quase nada" nos dois vãos de ar; e da corda do meio até a superior, novamente menos de três palmos.
"A medida das cordas e sua espessura deve ser maior que um palmo" — três acréscimos "quase nada", para que o total seja dez palmos.